
Apenas a Quadra 72 da Décima Centúria de Nostradamus apresenta claramente uma data ou período, quando viria do céu alguma coisa que reinaria, ou dominaria, ressuscitando o grande rei de Angolmois.
Quadra X-72:
L’an mil neuf cens nonante neuf sept mois
Du ciel viendra un grand Roi deffraieur
Resusciter le grand Roi d’Angolmois
Avant que Mars regner par bonheur.
Nova leitura da Quadra X-72, após os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono em Washington, em 11 de setembro
Se mil neuf cens nonante neuf, na forma enigmática utilizada por Nostradamus, significar fim do milênio e os anos tenham sido contados por ele a partir de 1º de março (como era comum em tempos antigos), essa Centúria está se referindo não a 1999, mas a setembro de 2001, como será visto a seguir.
Março era o mês dedicado pelos romanos ao deus Marte, que consideravam o deus supremo. Por isso, março iniciava a sequência dos meses de cada ano. Numa alterou esse começo para 1º de janeiro. Júlio César manteve essa data para início dos anos, mas com Carlos Magno voltaram a ter início em 1º de março. Isso vigorou até que Carlos IX determinou que os anos novamente começariam em 1º de janeiro (ver História do Calendário, de Hernani Donato — Ed. Melhoramentos, MEC e USP, 1976).
Sendo essas duas hipóteses corretas, o fim do milênio se deu no dia 28 de fevereiro de 2001 do calendário Juliano — em vigor na época de Nostradamus. Essa data no calendário atual (Gregoriano) corresponde a 13 de março de 2001.
- O calendário Gregoriano, hoje em uso, foi instituído com a alteração do dia 5 de outubro de 1582, Juliano, para 15 de outubro de 1582. Essa diferença inicial de 10 dias, com o tempo foi sendo acrescida. Atualmente é de 13 dias.
- O médico e astrólogo Michel de Nostradamus nasceu no dia 14 de dezembro de 1503, ao meio-dia, em Saint Rémy de Provence e faleceu entre os dias 1º e 2 de julho de 1566 em Salon, ambas localidades da França.

O médico, astrólogo e vidente francês Michel de Nostradamus, nascido em 14 de dezembro de 1503, é o autor das profecias mais discutidas dos últimos 500 anos. Seu estilo enigmático permite mais de uma interpretação para cada quadra. Foto: manuscritos de Nostradamus, edição de 1555.
O primeiro mês após 13 de março de 2001 compreende os dias que estão entre 14 de março desse ano e 13 de abril; o segundo mês compreende os dias entre 14 de abril e 13 de maio; o terceiro fica entre 14 de maio e 13 de junho; o quarto entre 14 de junho e 13 de julho; o quinto entre 14 de julho e 13 de agosto; o sexto entre 14 de agosto e 13 de setembro e, finalmente o sétimo, referido por Nostradamus na Quadra X-72, tem início em 14 de setembro de 2001, muito próximo do dia em que aviões comerciais sequestrados, com passageiros civis, foram utilizados como armas poderosas, vindas do céu, contra alvos que simbolizam o poder econômico e militar norte-americano.
Na segunda e na terceira linhas dessa Quadra aparecem citações a dois grandes reis: um Roi deffraieur e o Roi d’Angolmois. O primeiro, vindo do céu, irá ressuscitar o segundo. Na época de Nostradamus, o rei era detentor de poder geral, absoluto. Isso de certa forma concorda com a ação terrorista do dia 11 de setembro, que gerou medo em toda população da Terra. Se deffraieur for traduzido por destruidor, conforme admitido por estudiosos das Centúrias, é possível que as primeiras linhas da Quadra X-72 tenham o seguinte sentido:
No sétimo mês após o fim do milênio,
Virá do céu um grande poder destruidor,
Ressuscitando as grandes questões de “Angolmois”.
Quem é o rei de Algolmois?
Mas, o que é Angolmois? Dividindo essa palavra em duas partes, angol e mois, a primeira é um anagrama de Golan, ou Golã, e a segunda é o inverso de Siom ou Sion — lembrando que Sion é o nome judaico de Jerusalém e que Golã é o nome das colinas que Israel tomou da Síria. Dessa forma, com Angolmois, Nostradamus poderia estar se referindo a essa região que divide a Síria de Israel, ou a árabes e a judeus, ou a muçulmanos e a israelenses, ou ainda a oriente e a ocidente. Mais angol, como anagrama de anglo, permite associações com países de origem britânica. Outra associação de Angolmois seria com mês (ou período) de Algol (mois = mês) – época em que muitas pessoas perderiam a cabeça, conforme significado dessa trágica estrela — no sentido próprio ou figurado, com comportamentos trágicos impensados.
Falta considerar a última linha da Quadra X-72, “avant que Mars regner par bonheur”, que pode ter o sentido de antes que a violência generalizada se acalme.
A linguagem de Nostradamus era cifrada e as quadras não apresentam previsões em ordem cronológica. Mercúrio em Capricórnio no mapa do Nostradamus ajuda a compreender seu estilo seco e de poucas palavras.
Erika Cheetham(*) admite que a quadra 74, da mesma centúria X, se correlaciona com sua vizinha, a X-72 – tornando seus prognósticos mais catastróficos.
Quadra X-74
An revolu du grand nombre septiesme
Apparoistra au temps Jeux d’Hecatombe,
Non esloigné du grand eage milliesme
Que les entre sortiront de leus tombe.
Tradução de Erika Cheetham:
No ano do grande sétimo número completado,
aparecerão nesta ocasião os jogos de hecatombe,
não longe da idade do grande milênio,
quando os mortos sairão de suas tumbas.
Aqui também podem ser feitas outras associações, principalmente com a palavra hecatombe. O Dicionário Aurélio define hecatombe, em seu primeiro significado:
1. Outrora, sacrifício de cem bois.
Mas touros e bois se vinculam a dinheiro e a riqueza, pois Touro é o signo natural da casa II, e o animal touro é o símbolo da Bolsa de Nova York. Nessa ocasião, fantasmas do passado, supostamente suplantados e enterrados, podem ressurgir, em doloroso acerto de contas.
No dia 11 de agosto de 1999 ocorreu eclipse total do Sol, formando uma cruz cósmica. Esse eclipse teve sua linha central iniciando na costa norte-americana, perto de Nova York, passou pela Europa Central, cortou o Oriente Médio, passou bem próximo do Afeganistão e terminou no Paquistão e parte da Índia. Essa extraordinária configuração na época foi associada à quadra X-72. Hoje se constata que o eclipse começou no lugar onde houve os atentados de 11 de setembro de 2001 e terminou na região onde parece que esses atentados tiveram origem.
(*) As quadras transcritas foram retiradas do livro As Profecias de Nostradamus, de Erika Cheetham, publicado originalmente em inglês em 1973, e em português em pela Nova Fronteira, Rio de Janeiro.

