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Previsões, histeria e milenarismo

14/12/2025 por Fernando Fernandse

Calma: o tarifaço de Trump não é o fim do mundo e nem está nas previsões de Nostradamus. Para prová-lo, resgatamos o que Constelar publicou às vésperas do grande eclipse de 1999: dezenas de eclipses depois, a superficialidade e o sensacionalismo continuam misturando astrólogos com videntes, com muita histeria e desinformação.

Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse, por Viktor Vasnetsov (1887).

Com a chegada do fim de ano, eis que as previsões catastrofistas aparecem mais uma vez. Às vésperas de 2026, as profecias em alta são as supostas previsões da mística búlgara Baba Vanga, a chamada vidente cega, falecida em 1996. Segundo algumas interpretações, a mística dos Bálcãs teria previsto nada menos que a chegada de naves espaciais à Terra no próximo ano.

Especulações deste tipo, repetem-se com irritante regularidade. Vamos recordar algumas? A proximidade do ano 2000, somada ao medo gerado pelo eclipse de agosto de 1999, desencadeou uma onda mística nem sempre bem fundamentada, que misturava profecias, previsões astrológicas e muita desinformação. Um caso típico de milenarismo.

Milenarismo é o conjunto de ideias místicas e, na maioria das vezes, catastrofistas que se apoderam da mentalidade popular às vésperas das passagens de milênio e de outras datas especiais (inclusive as viradas de ano). Foi assim pouco antes do ano 1000, quando a cristandade preparou-se para o fim do mundo, penitenciando-se nas igrejas e seguindo profetas desvairados. Foi assim novamente às vésperas do ano 2000. Como potencializador da histeria coletiva de crentes das mais variadas seitas (e do olímpico desprezo da comunidade científica), o eclipse total do dia 11 de agosto de 1999 surgiu como o marco desencadeador de grandes transformações planetárias.

O estilista que virou vidente

Em matéria de 1999, intitulada Rabanne larga a tesoura e anuncia o fim do mundo, o Jornal da Tarde de São Paulo (do grupo do Estado de S.Paulo) informou que o famoso estilista previa para a data do eclipse uma hecatombe que se abateria sobre Paris e o sudoeste da França. Tudo com base na interpretação de profecias de Nostradamus e de previsões da antiga astróloga do presidente Mitterrand, a também vidente Elisabeth Teissier. Informava o artigo:

Pelo que avança a dupla de videntes, 20 milhões de pessoas morrerão nas duas regiões sob a fúria do anticristo, que fará despencar lá do alto a nave espacial russa Mir ou a sonda americana Cassini, carregadas de plutônio e camufladas na escuridão provocada pelo eclipse total do sol naquele mesmo dia.

A desgraça final seria particularmente espetacular às margens do Sena, pois o vidente-estilista “vê” o rio sendo iluminado por milhares de tochas humanas vivas, que nele se precipitarão de seus paredões, pontes e dos edifícios próximos.

A ilustração disso está na rumorosa 70.ª quadra da 10.ª centúria das profecias de Nostradamus, na qual o mago anunciaria o apocalipse de Paris e adjacências, sob a forma da vinda do céu do “grande Rei do Terror”, em 1999. [Jornal da Tarde, São Paulo, caderno Variedades, 26.7.99.]

Paco Rabanne

O famoso estilista e perfumista Paco Rabanne foi uma das personalidades que “entraram na pilha” da histeria milenarista, em 1999. Paco faleceu aos 88 anos, em 2023, de causas naturais, que nenhuma relação tiveram com o suposto apocalipse.

Na verdade, a quadra em que se basearam as previsões de Rabanne é obscura o suficiente para permitir dezenas de interpretações. Não há nada nela que permita identificar referências ao eclipse ou à cidade de Paris. Os próprios especialistas em Nostradamus são os primeiros, aliás, a reconhecer que a ambiguidade das previsões do mestre, sempre escritas em linguagem “cifrada”, facilita o charlatanismo e alimenta a histeria de seitas que se transformam em verdadeiras indústrias de lucro fácil. De qualquer forma, 11% dos franceses, segundo a matéria, acreditaram no iminente apocalipse, para contrariedade dos cientistas.

O eclipse também foi o assunto de capa da edição da primeira semana de agosto de 1999 da revista IstoÉ, que fez um levantamento detalhado dos movimentos milenaristas que arrebatam multidões no Brasil e no exterior. Em tom sempre irônico, a longa matéria afirmava que, com a proximidade do eclipse e da virada do milênio, “essa turma de supersticiosos, catastrofistas, milenaristas e fundamentalistas acendeu o pisca-alerta”, e exemplifica com relatos sobre grupos de penitentes católicos no Ceará e com histórias de seitas que aguardavam a salvação trazida por extraterrenos. No meio desta salada, um curto parágrafo com as declarações de dois astrólogos brasileiros:

Embora a Terra registre uma média de dois eclipses solares ao ano (…), os astrólogos consideram o do dia 11 o mais tenso do milênio. Ele desenhará no espaço uma espécie de cruz cósmica, tendo a Terra ao centro; o Sol, a Lua e Urano no eixo vertical; Marte e Saturno alinhados no eixo horizontal. Para a astrologia, Urano, Marte e Saturno são planetas ligados a crises, mudanças e conflitos. “É como se os planetas tivessem guerreando. E será uma batalha feia”, avisa o diretor do centro astrológico carioca Astrotiming, Otávio Azevedo.

Bárbara Abramo, especialista em astrologia política, aponta um período de conflitos bem terrenos. “A imagem da cruz cósmica poderia ser resumida como se toda a sociedade, dividida em governo, povo e forças armadas, e uma quarta força, representada pelos recursos naturais, estivessem segurando um pé da mesma mesa e cada um puxasse para o seu lado”, afirma Bárbara. “No Brasil, os conflitos de terra e as questões sindicais vão estar mais acirradas. O governo vai ter seu poder questionado e vai avaliar se deve ou não colocar o Exército nas ruas”, previu a astróloga. Em tempo: ela falou isso antes da greve dos caminhoneiros.

A matéria, que tentava ser um grande painel da movimentação de grupos os mais heterogêneos em torno do eclipse e do fim do milênio, tratou a questão de forma superficial. Ao misturar a opinião de astrólogos com a de videntes e místicos, acabou dando a falsa impressão de que são todos representantes do mesmo modelo de mentalidade supersticiosa.

No caso de Barbara Abramo, a matéria pelo menos registrou o acerto de suas previsões sobre a possibilidade de uso de força militar. Contudo, omitia que a astróloga paulista não estava fazendo afirmações genéricas sobre o significado do eclipse, mas aplicando suas configurações aos diversos mapas que permitem uma avaliação da situação brasileira contemporânea, como as cartas da Independência e da Proclamação da República.

Alhos, bugalhos e calendários

Na verdade, para entender eclipses e a suposta crise do fim do milênio do ponto de vista astrológico, seria preciso antes desembaraçar estas questões de suas outras abordagens, especialmente aquelas que decorrem de cosmovisões místicas ou da simples histeria coletiva. Astrólogos não são profetas, e profetas nem sempre são astrólogos.

Pouco antes do ano 1000, profecias assustadoras davam conta de que com o final do milênio viria o Apocalipse, quando a humanidade, arrebatada, seria partilhada entre anjos e demônios infernais.

Astrologicamente, a virada do milênio não teve nenhuma importância em si, até porque é um fenômeno do calendário civil, que marca o tempo a partir de eventos significativos para alguns grupos humanos — mas não para todos. Quando a cristandade estava às vésperas do ano 2000, o mesmo não ocorria com muçulmanos, judeus ou budistas, que adotam calendários diversos, a partir de outros referenciais. Já os eclipses apresentam real interesse para a Astrologia, por serem considerados potencializadores e focalizadores de configurações planetárias.

Um terceiro conceito lembrado com frequência em previsões milenaristas é o de era de Aquário. O estudo das eras astrológicas está no âmbito da Astrologia coletiva, ou mundial, indicando tendências para longos períodos e envolvendo eventos de âmbito planetário. Segundo interpretações apressadas, o ano 2000 deveria marcar a transição da era de Peixes para a de Aquário. Esta possibilidade até poderia estar correta, já que existem muitas dúvidas quanto ao momento exato no qual a mudança de era acontece, mas nada tem a ver com a passagem do milênio no calendário civil.

As eras indicam macrotendências na história da humanidade. De todos os ciclos que interessam à Astrologia, são os mais extensos e de sentido mais geral e abrangente. Enquanto o eclipse é um gatilho que dispara eventos de caráter tópico e alcance imediato (por imediato, entendemos um período de seis meses, aproximadamente), uma mudança de era significa uma alteração de curso de maior envergadura, cujos efeitos estendem-se por séculos e só podem ser claramente compreendidos a partir de um adequado distanciamento histórico.

O novo ano não terá mudanças de era nem eclipses fora do perfil habitual. O mais importante acontecimento do ano é a conjunção de Saturno e Netuno em Áries, de que falaremos exaustivamente nas próximas semanas. Com bom senso e pés no chão. Feliz 2026!

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Sobre Fernando Fernandse

Jornalista, astrólogo, educador e profissional de RH. Editor de Constelar e diretor da Escola Astroletiva, pioneira na formação a distância em Astrologia. Foi Diretor Técnico do SINARJ - Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro. Nascido Fernando Fernandes, trocou as letras da última sílaba para não ser mais confundido com seus 87 homônimos. Veja a relação completa de artigos ou entre em contato com Fernando Fernandse.

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