
O ex-prefeito, governador e deputado federal por São Paulo, Paulo Maluf, em foto de 2014.
Paulo Maluf já fez um pouco de tudo. Foi prefeito do município de São Paulo por duas vezes (1969-1971 e 1993-96), governador do estado de São Paulo entre 1979 e 1982, duas vezes candidato a presidente da República (1985 e 1989) e deputado federal por quatro mandatos, o último encerrado em 2018, quando foi cassado por unanimidade pela Mesa Diretora da Câmara. Uma longa carreira de mais de meio século, interrompida apenas por ter sido condenado à prisão por corrupção e pela doença que o mantém em casa, aos 94 anos.
A obstinação é evidente no mapa deste virginiano (quatro planetas em Virgem) com Ascendente no ambicioso signo de Capricórnio e Lua no persistente signo de Touro. É um tipo triplo-Terra, o que o torna previsível, estável e difícil de arredar.
Saturno está conjunto ao Ascendente e envolvido num aspecto raro, a Grande Quadratura ou Quadratura Cósmica, unindo quatro planetas num jogo de quatro quadraturas e duas oposições. Estes planetas, diga-se de passagem, são todos angulares e definem-se como aquilo que os astrólogos clássicos chamavam de maléficos.
A presença de maléficos não expressa nenhum juízo de valor sobre a personalidade ou o caráter deste político, até porque cartas astrológicas não informam absolutamente nada sobre valores morais, que são um componente extra-astrológico. Mostram-no, todavia, como um homem sempre a enfrentar grandes desafios e adversidades e sempre com grande disposição para superá-los.

Paulo Maluf – 3 de setembro de 1931, 14h (-3:00) – São Paulo, SP — 046w37, 23s32.
Saturno no Ascendente define Maluf como um administrador nato; Marte na casa 10, como um homem público combativo e polêmico; Plutão em oposição ao Ascendente é o toque de obstinação e de capacidade de recuperação das piores crises (inclusive de saúde). Urano, que completa a configuração, revela a faceta ousada de Maluf e a rapidez fulminante com que faz movimentos no “jogo de xadrez” da política.
Maluf, o político que inventou um novo verbo
Maluf é um homem sério, meticuloso e detalhista (ênfase em Virgem) e gosta de ser visto como um empreendedor responsável e capaz de levar suas realizações até o fim (Saturno recebendo aspectos de Plutão e Marte). A predominância de signos de Terra leva-o a identificar-se com as realizações palpáveis, ou seja, com obras de engenharia — pontes, viadutos, túneis e conjuntos residenciais.
Por outro lado, os esquemas e negociatas em que se envolveu acabaram por cunhar um novo verbo, muito popular nas décadas de oitenta e noventa: malufar, sempre no sentido de encobrir, disfarçar e fraudar. São conceitos que podem ser associados ao Netuno de casa 8, conjunto a Vênus (regente do Ascendente) e ao próprio Sol.
Outras características evidentes na carta são a rigidez e o alto nível de estresse (Saturno e Plutão angulares, stellium em Virgem, Lua em Touro). Os aspectos fluentes da Lua com Saturno e Plutão, assim como a conjunção do Sol com Vênus, dão a Maluf um grande suporte em termos de popularidade, que sempre se traduziu sob a forma de milhões de votos.
A Lua bem situada e bem aspectada é comum no mapa de figuras públicas que o povo reconhece como “um dos seus”. Em outras palavras, personalidades que inspiram segurança porque recordam algo familiar, próximo e reconhecível. A conjunção Sol-Vênus em Virgem confere talento para apresentar planos de governo e prestações de contas de forma simpática e agradável, mas ao mesmo tempo detalhadas o suficiente para impressionar o eleitor.
Verifica-se, portanto, que, apesar de todas as pressões, Paulo Maluf teve recursos suficientes para manter-se no poder por longos anos e para manter o controle sobre uma parcela da população que identifica nele a figura do administrador confiável.
Ao longo da vida política e empresarial, quanto mais atacado, mais Maluf tirava da cartola recursos pessoais para safar-se dos petardos. Como um gato, Maluf parece ter sete vidas, e o longevo Saturno em aspecto com o regenerador Plutão respondem por esta característica.


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