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Proluna, as previsões com base em períodos de sete anos

05/06/2026 por Fernando Ruiz

Uma técnica simples, popularizada pelo astrólogo uruguaio Boris Cristoff, permite estabelecer uma linha de tempo e fazer previsões com base no princípio da correspondência entre anos de vida e subdivisões do zodíaco.
Casamento de Elizabeth II e Príncipe Philip.

O casamento da rainha Elizabeth II aconteceu num sextil de Proluna com Urano.

Os períodos setenários não são uma técnica recente, pois os antigos já a utilizavam. Como seu nome indica, a técnica apoia-se em divisões pelo número 7, existindo divisões similares por 6, por 12, por 5, etc. Diferentes autores criaram sua forma particular de interpretação e seu método. São chamadas também profecções e, dentre todas, as mais conhecidos são as de 5, as de 6, as de 12 e as de 7.

As divisões por 5 remontam à antiguidade e a tradição se refere a elas com a expressão “termos”. Os termos são, então, divisões dos signos zodiacais em cinco partes de 6 graus cada uma, chamadas Pachamsa na Índia, contendo o zodíaco completo 60 Pachamsas. Daí certamente derivam as divisões do número 6.

As divisões pelo número 6

Em 1981 conheci este método apresentado por Omar González (Argentina) no primeiro Congresso Argentino de Astrologia. [1]

O título de sua exposição era “Cúspides progredidas” e se apoiava na progressão das cúspides à razão de 6 graus por ano. Durante minha permanência na Espanha conheci o trabalho de Demétrio Santos sobre o C-60 , baseado igualmente na divisão por 6.

A divisão por 12

Também durante o período de residência na Espanha chegou a minhas mãos, através de um grupo de astrólogos de Valência, um material de Ernesto Cordeiro, o qual baseava seu trabalho no número 12, com divisões e subdivisões.

Segundo Tito Macia, a divisão por 12 era bem utilizada pelos antigos, tanto quanto a divisão por 6, e eram chamadas Dodecatemorias. Ainda segundo Tito, são o equivalente ao harmônico 12, ou seja, consistem em dividir cada um dos signos zodiacais em doze partes de dois graus e meio cada uma.

A divisão por 7

Por último, temos as divisões por 7. Tomei conhecimento deste sistema de Boris Cristoff, que o denomina Proluna, no ano de 1981.

Boris Cristoff

Boris Cristoff, astrólogo nascido na Bulgária em 1925 e naturalizado uruguaio, tem publicado em português a obra A Grande Catástrofe de 1983 (RJ, Ed. Record, 1979). Faleceu em 2017, aos 91 anos.

Este método é subestimado por alguns astrólogos profissionais de primeira linha, por verem como é utilizado por pessoas pouco preparadas. Por ser um método altamente efetivo, permite ao neófito acertos surpreendentes, com muito pouca preparação. Justamente aí reside o perigo, já que seu uso criou uma série de “astrólogos adivinhos” que conhecem muito pouco de Astrologia. O método de períodos setenários ou Proluna começa pelo grau do Ascendente, calculando-se a distância que existe daí até a cúspide da casa II. O resultado se divide por 7, que, somado à cúspide, corresponde a cada ano de vida.

A casa I corresponde aos primeiros 7 anos. O arco da cúspide da casa II até a casa III corresponde ao período de idade dos 7 aos 14 e assim, sucessivamente, até os 84 anos, quando o Ascendente progredido pela Proluna cumpre um ciclo completo e torna a começar.

Como utilizar na prática

Imaginemos, como exemplo, um mapa com Urano localizado a 12º de Leão na casa III, cuja cúspide se encontra em 0º de Leão, enquanto a cúspide da casa IV está em 28º de Leão. Temos assim uma diferença de 28 graus que se dividem por 7, resultando em períodos de 4 graus. Portanto temos que aos 14 anos Proluna faz uma mudança de signo e aos 17 anos chega à conjunção com Urano.

Desta maneira vamos calculando os aspectos e as mudanças de signo que determinam o comportamento e os acontecimentos da vida do indivíduo. Para utilizar este método é necessário que se calculem as cartas com casas Topocêntricas ou de Placidus.

Fundamentalmente utilizei os aspectos maiores, embora haja observado efeitos com os aspectos keplerianos. Faz 17 anos que adoto os períodos setenários em minhas consultas e servem até para retificar as horas de nascimento.

Preparo a carta natal, localizando os acontecimentos passados; em seguida faço a análise da carta; posteriormente calculo a Revolução Solar e as progressões, para finalizar com um panorama dos períodos setenários.

A base do método

A base deste método, como já foi dito, é o número 7, número mítico sobre o qual já se escreveram milhões de linhas. Mas vejamos: os signos do zodíaco distribuem-se por quatro elementos e cada um destes se manifesta de três maneiras diferentes, uma de ação, outra de retenção ou de acumulação e a terceira de liberação ou intercâmbio. Desta maneira chegamos à relação com o sete (4+3=7), simbolizando de alguma forma que vivemos em um mundo tridimensional em contato com os quatro elementos. Esta simbologia também está presente nas pirâmides do Egito, com sua base de quatro lados e em cada um deles um triângulo que se eleva.

Se remontarmos à Gênese, lemos que Deus criou o mundo em sete dias. No evangelho, quando os apóstolos perguntam a Jesus quantas vezes lhes é permitido perdoar, Jesus responde: setenta vezes sete. Sete eram os planetas sagrados que deram origem aos sete dias da semana e também o ciclo da Lua é constituído por quatro fases de sete dias.

Quando observamos as progressões secundárias vemos que aos sete anos a Lua forma a primeira quadratura com seu lugar natal. Momento extremamente importante, é um período de iniciação para várias religiões, já que o indivíduo adquire o uso da razão. Em seguida temos a oposição aos quatorze anos, que coincide com o despertar da sexualidade. Na segunda quadratura, aos vinte e um anos, considera-se que a pessoa é maior de idade, e aos vinte e oito anos se fecha o primeiro ciclo de maturidade. Este ciclo coincide com a revolução de Saturno, já que este demora ao redor de vinte e nove anos para realizá-la.

O retorno de Saturno a seu lugar natal marca a maturidade física. Esta idade coincide com grandes mudanças. É neste momento que fazemos um balanço e começamos novos caminhos. Às vezes coincide com etapas de desintegração e de crise que conduzem a pessoa a reorientar sua vida.

Rainha-mãeEm vinte e oito anos, simbolicamente, tanto a Proluna como Urano percorrem quatro signos ou quatro casas, transitando desta maneira pelos quatro elementos. O primeiro segmento deste percurso se associa com o nascimento (Áries ou o Ascendente), onde nos vemos impulsionados pela energia primitiva que nos estimula a nos manifestarmos espontaneamente. O segundo segmento do percurso (Touro ou casa II) conduz-nos à necessidade de estabelecer nosso próprio espaço e a assentar nossas bases e valores. O terceiro trecho (Gêmeos ou casa III) conecta-nos com o meio imediato: surge a necessidade de aprender e de nos comunicarmos. Por último, o quarto trecho (Câncer ou casa IV), onde a necessidade se volta para os valores emocionais e familiares, é a etapa em que a maioria das pessoas se casa ou começa a viver sozinha. E ao terminar esta etapa de quatro signos fazemos um grande redelineamento e começamos com um novo ciclo progressivo, a etapa do reconhecimento, dos filhos e das criações.

Exemplos com a família real inglesa

Como demonstração de como funcionam estes períodos setenários ofereço o exemplo da Rainha-Mãe da Inglaterra, Elizabeth Angela Marguerite, que foi Rainha consorte de Jorge VI de 1936 a 1952, mãe da Rainha Elizabeth II e avó do atual Rei Charles III. Ficou famosa pelo papel moral desempenhado para apoiar os britânicos na Segunda Guerra Mundial. Anos mais tarde foi considerada o membro mais popular da Família Real. Faleceu em 2002, em Londres, aos 101 anos.

A Rainha-Mãe nasceu em 4 de agosto de 1900 em Londres, às 11h31 GMT. O Ascendente cai em 24º43′ de Libra. Vejamos alguns acontecimentos conhecidos:

  • Durante a Primeira Guerra Mundial ela tinha 14 anos. Nesses momentos, sua residência, o castelo de Glamis, foi convertido em hospital e ela pessoalmente esteve atendendo aos feridos.
  • Na carta encontramos Proluna oposta a Netuno e a Marte e em conjunção com Saturno.
  • Aos 22 anos, é dama de honra nas bodas da filha do Rei Jorge. Casa-se em 26 de abril de 1923. Vemos aqui que Urano está em sextil e Vênus em quincunce – sendo este um quincunce harmônico, já que evoluirá para o trígono.
Rainha-mãe da Inglaterra

Rainha Mãe – 4.8.1900, 11h31 GMT – Londres.

Aos 26 anos nasce sua filha Elizabeth (atual rainha do Reino Unido). Aqui temos o trígono a Marte e Netuno pela Proluna e sextil a Saturno.

Aos 36 anos, em janeiro de 1936, morre o Rei Jorge V e Eduardo VIII assume o Trono. Em dezembro do mesmo ano Eduardo abdica e é proclamado rei o marido de Elizabeth, com o nome do Jorge VI. Aos 36 anos vemos uma quadratura a Vênus e um trígono a Mercúrio, ao Sol e a Urano-Júpiter, marcando a dor pela morte de seu sogro e ao mesmo tempo o inesperado (típico de Urano) e o máximo lucro (trígono ao Sol).

Aos 52 anos morre seu marido. Aqui a Proluna se situa nos 6º de Gêmeos e se encontra em oposição com Urano e em sextil com Mercúrio, sendo sua filha a nova rainha.

Outro exemplo pode ser o da Rainha Elizabeth II, que, embora tenha tido sua hora retificada pelo grupo topocêntrico [2], foi aqui estudada com a hora oficial dada pelo palácio.

Elizabeth II

Elizabeth II, dados oficiais – 21.4.1926, 1h40 – Londres, Reino Unido.

Os dados que tenho de Elizabeth II são: 21 de abril de 1926 à 1h40, em Londres, dando um Ascendente em 22º42′ de Capricórnio. [3]

  • Aos 10 anos perde seu avô, o Rei Jorge V, e um ano depois, com a abdicação de seu tio, é proclamada futura rainha. O período setenário se encontra em conjunção com Urano, para entrar em seguida em Áries e formar conjunção com Mercúrio, ativando o trígono com Saturno e com a Lua. Esta entrada em Áries e as conjunções que forma traçam uma grande mudança em sua vida.
  • Casa-se aos 21 anos, num sextil com Urano.
  • Aos 22 anos nasce o príncipe Charles e aos 24 anos, Anne. A Proluna se encontra entrando em Gêmeos e fazendo um sextil com Mercúrio; este planeta tende em geral a estar muito ativo nos nascimentos dos filhos.
  • Aos 27 anos morre seu pai e a coroam rainha da Inglaterra. Neste período é ativada a quadratura com Vênus e o sextil com a Lua.
  • Aos 34 anos nasce seu filho Andrew e vemos um sextil com o Sol e a entrada em Câncer.
  • Aos 38 anos viaja ao Canadá. Aqui encontramos uma conjunção com Plutão e um trígono com Vênus.
  • Nos 55 anos de Elizabeth II seu filho Charles se casa e vemos um trígono à conjunção de Marte com Júpiter.
  • Aos 56 anos, a Inglaterra entra em guerra com a Argentina. Nesses momentos há uma oposição ao Sol.
Proluna de Elizabeth II

Indicação aproximada das posições da Proluna sobre o mapa da Rainha Elizabeth II em momentos cruciais de sua vida, entre as casas 2 e 5.

Isto é uma pequena síntese da efetividade do método.

Podemos tomar outros exemplos de personagens famosos com iguais resultados. Espero que vocês tirem o mesmo proveito que tirei deste sistema.

Notas:

[1] Os astrólogos argentinos, uruguaios e espanhóis citados pelo autor são todos bem conhecidos em seus países de origem, com grande volume de artigos publicados.

[2] O autor se refere ao grupo de astrólogos que desenvolveu o sistema de casas Topocêntrico e testou-o em grande número de cartas, muitas das quais foram retificadas. (Nota do Tradutor)

[3] O mapa calculado com o programa SolarFire e inserido no artigo, com os mesmos dados utilizados pelo autor, aponta um Ascendente em 21º23′ de Capricórnio.

Tradução e notas: Fernando Fernandse

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Sobre Fernando Ruiz

Fernando Ruiz Guarin é um destacado astrólogo uruguaio, com atuação na área de previsões no resgate de técnicas tradicionais. Tornou-se conhecido no mundo hispânico como colaborador da revista eletrônica Gente de Astrología, publicada em Buenos Aires até 2016. Visite a página do autor. Email não disponível.

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