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São Paulo de bandeirantes, jesuítas, índios e esmeraldas

26/04/2026 por Fernando Fernandse

Um rápido perfil dos bandeirantes que, a partir de São Paulo, abriram caminho para a anexação territorial de metade do Brasil e enfrentaram os riscos da floresta, as tribos nativas, a oposição dos padres jesuítas e a concorrência de aventureiros de toda parte.
Bandeirantes paulistas

Mural mostrando marcha de índios apresados por bandeirantes. Nos séculos XVII e XVIII as longas marchas a pé ou utilizando tropas de burros foram recursos vitais para a ocupação do interior, iniciada pelos bandeirantes.

Bem que os homens trazidos por Martim Afonso de Souza tentaram, mas a estreita faixa litorânea da capitania de São Vicente não apresentava, ao contrário do litoral nordestino, solos e condições climáticas propícios à produção açucareira. Além disso, Pernambuco estava muito mais próximo da Europa, do que resultava um custo menor para o transporte das mercadorias de exportação.

A vida nas terras da atual baixada santista não apresentava grandes perspectivas. Era preciso subir a muralha da serra do Mar. Lá no alto, a partir do colégio jesuítico fundado por Nóbrega e Anchieta, desenvolve-se a vila de Piratininga de homens rústicos, que tomavam à força as mulheres nativas. Com elas geraram um povo de mamelucos [*] que reunia a ambição aventureira do português à familiaridade com a natureza das tribos autóctones.

[*] Mameluco ou mamaluco — Mestiço, filho de índio com branco. No período colonial, os paulistas são frequentemente chamados de mamelucos ou mamalucos.

A economia era de subsistência. Não havia recursos para comprar os negros chegados da África, um luxo muito dispendioso para os bolsos locais. Apesar da ferrenha oposição dos jesuítas, a solução era apresar os índios e utilizá-los como força de trabalho na lavoura e na pecuária. E montaram-se expedições que precisavam avançar cada vez mais para o interior da selva, na medida em esgotavam-se as reservas de braços indígenas nas regiões mais próximas da vila. Ao contrário das expedições oficiais da coroa portuguesa — as entradas — estas eram financiadas e organizadas por particulares: são as bandeiras.

O planalto paulista funcionou durante todo o século XVII como um foco gerador de bandeiras que se espalharam em todas as direções. Este caráter centrífugo e expansor do núcleo paulista permite associá-lo de imediato com o princípio masculino presente nos signos de Fogo e Ar, especialmente Áries e Sagitário.

Em 1597 ocorre a conjunção Urano-Plutão em Áries. É sob este aspecto que o bandeirismo abandona o caráter defensivo que tivera até então (pequenas incursões nos arredores para combate e captura das tribos que ameaçavam a vila) e torna-se ofensivo, voltando-se cada vez mais para as vastas extensões do sertão. Durante todo o século XVII, enquanto ainda não se descobriam os grandes veios de ouro, o grande objetivo das bandeiras é o apresamento dos índios necessários ao trabalho na lavoura. Como afirma Sérgio Buarque de Holanda:

Possuir escravos índios constituía índice de abastança e de poder que seriam proporcionais ao número de “peças” possuídas. O regime servil era o único então compreendido pela mentalidade dos colonos.

De nada valiam as ordens promulgadas pela Coroa, garantindo a liberdade dos nativos (…). Seria permitida pelo rei a “guerra justa”, tornando-se legal somente a escravização do gentio [*] que assaltasse portugueses e índios pacificados. A guerra justa, seria fácil provocá-la! Simples pretexto que se tornou letra morta entre os sertanistas de São Paulo. Assim, foram burladas todas as disposições da Coroa.

[HOLANDA, Sérgio Buarque de (org.). História Geral da Civilização Brasileira, Tomo I. SP, Difel, 1960.]

[*] Gentio: povos não cristãos, índios.

A botada dos padres fora e o rei que recusou a coroa

Amador Bueno

Amador Bueno, conforme retratado em livro de Aureliano Leite.

Contra a escravização pura e simples, levantavam-se os jesuítas, defensores intransigentes da integração social e econômica do indígena através da catequese. Os conflitos entre jesuítas e colonos vão num crescendo por quase noventa anos, até culminarem em 1641 com a “botada dos padres fora”. Foi a expulsão dos jesuítas do território paulista, seguida por uma precoce tentativa de proclamação do Reino de São Paulo.

O projeto só não foi levado adiante porque o “rei” escolhido pelo povo, Amador Bueno da Ribeira, recusa terminantemente a indicação. Assim, São Paulo livrou-se de seus próprios fundadores. O episódio corresponde ao trânsito de Saturno pelos últimos graus de Aquário, em conjunção com o futuro Ascendente do Brasil (carta do Grito do Ipiranga) e já ativando também o Plutão da carta de São Paulo.

Nos dois anos anteriores, quando as rivalidades foram-se acentuando, Saturno transitara sobre Sol, Mercúrio e, finalmente, Marte da carta radical de São Paulo. Ao mesmo tempo, Urano fazia a transição de Libra para Escorpião, ativando a Lua radical de 1554. O trânsito de Saturno é importante porque mostra uma ação restritiva (Saturno, o limite ou o impedimento) sobre um Marte que rege ou está no Ascendente da cidade.

Como a vila surgiu a partir de um colégio jesuítico, Marte simboliza exatamente este grupo fundador, ou seja, a comunidade (Marte em Aquário) dos padres da Companhia de Jesus. A ativação da Lua por Urano indica, por outro lado, o efeito liberador que a expulsão dos padres provocaria: a partir daquele momento, os colonos estariam mais à vontade para seguir sua inclinação natural em favor da ação apresadora através de meios violentos.

A grande consequência seria a expansão cada vez maior das fronteiras brasileiras, fruto da marcha dos bandeirantes para a exploração do sertão remoto. É a época de expedições de uma audácia inimaginável, como a de Raposo Tavares, entre 1648 e 1652, que se internou pelo Paraguai, chegou às encostas dos Andes, em pleno território espanhol, e acabou saindo na região amazônica. A lembrança dos bandeirantes deste período resiste até hoje no nome das estradas que saem de São Paulo no rumo do interior, como a Raposo Tavares, a Anhanguera e a Fernão Dias.

A corrida do ouro e a guerra da cobiça

Apenas em 1693 e 1694 são descobertos os grandes veios de ouro do interior da atual Minas Gerais, em Sabará (a lendária serra de Sabarabaçu, ou Sabarabuçu), em Caeté, no Rio das Mortes e em outras localidades. O ato real de 18 de março de 1694 garante aos descobridores a posse das minas, apenas com a obrigação de pagar à Fazenda Real a quinta parte do ouro descoberto.

Este momento, que representa a culminação dos esforços de mais de um século, é significativamente representado por um trânsito de Júpiter em oposição à Vênus natal de São Paulo. Plutão, significador de recursos subterrâneos ou ocultos, transita formando trígono à Lua natal paulistana.

Cena da Guerra dos Emboadas, século XVIII

Cena da Guerra dos Emboabas, autor desconhecido, século XVIII.

Contudo, logo os bandeirantes teriam problemas. Cumprindo a vocação Marte-Áries de abrir caminho para que outros aproveitem as novas possibilidades, os paulistas não terão muito tempo para aproveitar as riquezas recém-descobertas. Logo a notícia do achamento das minas espalha-se por toda parte, provocando um enorme afluxo de portugueses e de gente do Rio de Janeiro e da Bahia. Minas Gerais transforma-se num campo de batalha na chamada Guerra dos Emboabas, na primeira década do século XVIII.

A guerra, cujo resultado é adverso para os bandeirantes paulistas, corresponde à passagem de Netuno pelos últimos graus de Áries, provavelmente na casa 1 de São Paulo. Alguns anos mais tarde, a criação da capitania de Minas Gerais, com território desmembrado de São Paulo, é antecedida de pouco pelo primeiro retorno de Netuno a sua posição natal na carta de fundação da vila de Piratininga, em 1554.

A oficina de florestas e os deuses da chuva

As conquistas dos bandeirantes passam para as cobiçosas mãos da Coroa. E os rudes sertanistas, que já haviam por esta época dobrado o território do país, retomam seu destino de andarilhos, de desafiadores da selva, de abridores de caminhos que outros irão aproveitar. Em vez de Minas, agora embrenham-se por Goiás, por Mato Grosso…

E a energia inquieta de Marte, a capacidade investigativa da Lua em Escorpião, a força irradiadora do Sol em Aquário, todos os componentes que fizeram dos paulistas uma raça de pioneiros juntam-se outra vez para empurrá-los para mais adiante: novos locais remotos em que nenhum homem branco jamais havia pisado.

Combate durante Guerra dos Emboabas

Outra cena da Guerra dos Emboabas mostrando uma incursão bandeirante em cidade da região de mineração.

É neste contexto que se revela plenamente o sentido da única quadratura a afetar o Sol na carta de fundação de São Paulo: é o ângulo Sol-Netuno, indicador de natureza visionária e quimérica, disposta a sintonizar com o sonho e agir em consonância com ele. E a figura mais netuniana de todas quantas varreram os sertões brasileiros naqueles dois séculos é a de Fernão Dias Pais, o caçador de esmeraldas, que atravessou rios e montanhas atrás das pedras verdes, perseguindo quimeras e miragens, sem jamais tê-las encontrado.

O velho caçador de esmeraldas sintetiza um componente importante da alma paulista e expressa a missão contraditória dessa terra de gente rústica, difícil e violenta. Deuses da névoa e da chuva que, ao perseguir farrapos de esperança pela imensidão do interior, acabaram transformando os sertões numa grande oficina em que se construiu o Brasil que conhecemos.

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Sobre Fernando Fernandse

Jornalista, astrólogo, educador e profissional de RH. Editor de Constelar e diretor da Escola Astroletiva, pioneira na formação a distância em Astrologia. Foi Diretor Técnico do SINARJ - Sindicato dos Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro. Nascido Fernando Fernandes, trocou as letras da última sílaba para não ser mais confundido com seus 87 homônimos. Veja a relação completa de artigos ou entre em contato com Fernando Fernandse.

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