Em 1997, por ocasião de seu nonagésimo aniversário, realizam-se diversas mostras no Brasil. Inicia os estudos para o Caminho Niemeyer, em Niterói; o Museu de Arte Moderna de Brasília; a sede da empresa TECNET – Tecnologia e o Paço Municipal de Americana, em São Paulo; e o Centro de Convenções do Riocentro, no Rio de Janeiro.
Nos dez anos seguintes, o escritório de Niemeyer não parou. Diversos projetos chegavam constantemente do Brasil e do exterior, sendo notório que seus orçamentos custavam o preço normal do mercado, sem especulações exageradas. Não há como listá-los aqui, mas muitos são de grande importância nos campos cultural, político e social.
Em 04.10.2004 morre Annita Baldo, sua esposa por mais de 75 anos. Apesar da fama de mulherengo, que pode ser creditada à Quadratura T entre Sol, Saturno e Plutão nas casas I, VII e X e à conjunção entre Vênus e Urano em Capricórnio em oposição à Netuno, Niemeyer afirma que “nunca dormiu fora de casa, a não ser nos tempos da construção de Brasília”. Ao fazer 100 anos, o arquiteto tinha uma filha, cinco netos, 13 bisnetos e cinco trinetos.

Em 04.10.2004 falece Annita Baldo, sua esposa por mais de 75 anos. O horário utilizado é meio-dia.
Neste dia, a Lua em Gêmeos passou sobre Plutão natal, sendo que Plutão em trânsito aplicava conjunção ao Sol em Sagitário, na casa VII. No Meio do Céu (que também diz respeito a assuntos matrimoniais) estava Urano. Oscar Niemeyer perdia a mulher, companheira de tantos anos e que fora decisiva para que “tomasse jeito” na vida durante a juventude.
O casamento com a secretária
Em 2006, um mês depois de ter saído do hospital onde se submeteu a uma cirurgia no quadril, provocada por um tombo em casa, e um mês antes de completar 99 anos, Oscar Niemeyer “surpreendeu” (como ele gosta de dizer) mais uma vez. Na noite de 16 de novembro o arquiteto casou-se com sua secretária, Vera Lúcia Cabreira, de 60 anos, escondido da família. A união, oficializada às 22h30 em seu apartamento em Ipanema, contou com a presença de um juiz de paz, duas testemunhas e um pequeno grupo de amigos. A única filha de Niemeyer, a galerista Anna Maria, 75, era contra o casamento e por isso só soube da cerimônia pela imprensa, no dia seguinte. Em entrevista a Contigo!, a noiva explicou: “É chato ela não ter aceitado. A gente queria fazer as coisas direito, mas não pôde. Foi difícil esconder”.

Niemeyer, a nova esposa, sua única filha (mais velha que a esposa, por sinal) e mais dois membros de sua família
Apesar do mal-estar, Vera, viúva sem filhos, não escondia a felicidade. A oficialização, segundo amigos do noivo, foi feita para preservar o futuro dela. “Com 60 anos, é lógico que eu não imaginava que isso ainda fosse acontecer. Estou muito feliz. A cerimônia foi simples por causa dessas complicações (com a filha dele), mas foi linda”, ressaltou. Discreta, ela não quis posar para fotos e, a pedido do marido, não liberou imagens do casamento.
Vera trabalha há 15 anos com o arquiteto. Um mês antes do casamento ela mudou-se para a casa de Niemeyer. Como ele ainda não tinha recebido alta, a lua-de-mel que fariam teve de ser adiada. “Não vamos viajar agora, porque Oscar ainda está em fase de recuperação”.
Para um ancião independente financeiramente, é sempre polêmico casar-se com idade tão avançada. Mas Niemeyer não era homem que se dobrasse às convenções e preconceitos sociais, e isto fica evidente por seu mapa natal e trajetória de vida.

No dia 16.11.2006, às 22:30 [hora local], Oscar Niemeyer casa-se pela segunda vez, no Rio de Janeiro.
Saturno em Leão [junto da Parte da Fortuna] e o Meio do Céu do casamento fecham um Grande Trígono com o Sol natal e Plutão em Sagitário [casa VII], sugerindo o desejo de solidificar uma união. O Ascendente do casamento, próximo à conjunção entre Netuno e o Nodo Norte, parece apontar que Niemeyer estava mesmo apaixonado.

Niemeyer é eleito um dos maiores gênios vivos da atualidade.
No dia 29.10.2007, às vésperas de completar 100 anos, Oscar Niemeyer é eleito o 9º dos 100 maiores gênios vivos. Confesso que não imagino qual honraria o arquiteto mais importante do Brasil tenha ainda para receber.
Neste dia a Lua passou sobre Plutão natal, sendo que a conjunção aproximativa entre Júpiter e Plutão em Sagitário estava sobre o Sol natal. Um Grande Trígono entre Sol em Escorpião, Marte em Câncer e Urano/Nodo Norte em Peixes estava sobre as casas II, VI e X. Note que o eixo nodal estava sobre o Meio do Céu/Fundo do Céu. Marte aplicava conjunção a Netuno [corregente do Meio do Céu].
Niemeyer, o arquiteto centenário
Ao atingir um século de vida, a coisa mais importante para Oscar Niemeyer era a criação da Escola de Arquitetura e Humanidade (note que este último termo não está no plural), em Niterói, cujo programa teria conferências sobre Arquitetura, História, pensamento filosófico, literatura e artes, conflitos pela liberdade, além de um módulo de palestras livres sobre as diversas revoluções, guerras civis, golpes de estado, conflitos regionais e continentais, e temas específicos, como a Coluna Prestes, Israel e o Islã, ou reflexões sobre temas como “a evolução do profissional e do indivíduo, do egoísmo à solidariedade”.
Para Niemeyer, o que o dominava era “a certeza de que a vida é mais importante que a Arquitetura. A Arquitetura não é importante. O importante é o homem e a sua luta”. Com a mesma expressão de amargura que o acompanha na contemplação da condição humana, ele sentenciou: “Foram os operários quem fizeram Brasília. Hoje, estão todos fodidos”.
É sabido que um projeto de Niemeyer “dá muito retorno. Sempre valoriza e cria uma identidade imediata com o lugar. O exemplo é o uso de Niterói”, segundo uma de suas colaboradoras.

Projeto de monumento para Simon Bolívar, com um vetor apontado para os EUA.
O projeto de construção de um monumento para Simon Bolívar em Caracas, oferecido a Hugo Chávez, a quem admirava, não chegou a ganhar forma. A ideia de um vetor apontado para os Estados Unidos foi considerada “muito abstrata” pelo presidente venezuelano. Mas o projeto do Centro Administrativo de Minas Gerais, em Belo Horizonte, e o Caminho Niemeyer em Niterói (no qual estará a Escola de Arquitetura e Humanidade) tornaram-se realidade, assim como um centro cultural batizado com seu nome, na Espanha, e um parque em Recife, batizado de Dona Lindu (a mãe de Lula).
O Rio foi muito sacrificado. Eu tenho vergonha de ir à Barra. A sacanagem é que o poder imobiliário influenciou. Então os prédios são cheios de varandas; ninguém quase vai na varanda porque venta muito. Mas pra vender tinha de ter varanda. Então os prédios são horríveis, quadradões, uns contra os outros. É Miami. É subúrbio de Miami. Puseram até uma Estátua da Liberdade. Quer dizer, a gente chega na Barra e ainda vê essa ligação, essa pressão dos americanos contra a gente. Esse Bush é um bom filho-da-puta, não é? Disse que podia trocar metade da dívida brasileira pela Amazônia. E a gente escuta isso e ninguém protesta.
José Carlos Sussekind, engenheiro responsável pelo cálculo estrutural das obras de Niemeyer, disse em 2007 que “uma força o empurra para viver e apaga sua idade”. Ao que Niemeyer rebateu: “E daí? O homem não é nada. Está num planeta que não é dele. Pequenininho, no fim da Galáxia, longe de tudo. Não sabe de nada”.
Em suas palavras percebe-se a marca da Quadratura T entre Sol, Saturno e Plutão na sua visão de mundo:
Eu acho que tudo vai desaparecer. O tempo cósmico é muito curto. Me perguntaram outro dia: ‘o senhor não tem prazer em saber que mais tarde o sujeito vai passar e ver o trabalho que você fez?’. Ah, mais tarde o sujeito desapareceu também. É a evolução da Natureza, tudo nasce e acaba. O tempo que vai perdurar isso é relativo”.
Niemeyer representa uma brasilidade capaz e determinada, indignada com as desigualdades sociais e ansiosa por resolver os nossos problemas. É, sem dúvida, uma luz para o futuro, que terá de ser enfrentado com a máxima inteligência e garra possível.
NIEMEYER, A SÉRIE COMPLETA:
1 – Dos cabarés da Lapa à arquitetura moderna (1907-1927)
2 – Niemeyer, o boêmio que virou marido (1928)
3 – Niemeyer e Lúcio Costa: a descoberta do Modernismo (1934-1939)
4 – Pampulha, a revolução da arquitetura brasileira (1940-1943)
5 – Um comunista na terra do Tio Sam (1945-1947)
6 – Niemeyer e Le corbusier: do Copan ao Ibirapuera (1949-1955)
7 – Brasília, a utopia de Juscelino e Oscar Niemeyer (1956-1960)
8 – O regime militar e o exílio (1964-1976)
9 – Oscar Niemeyer, a vida começa aos setenta (1978-1993)
10 – A paixão aos 99 anos (1997-2007)