![]() |
![]() |
Um
olhar brasileiro em Astrologia
Edição 12 :: Junho/1999 :: - [Arquivos de Constelar - Republicado: fevereiro/2007] |
|
|
Novidades em mapas do Brasil Um link direto para os vinte mapas mais recentes Em breve: uma nova versão de Mapas do Brasil. |
O outro e a separatividadeO Sonho do Planeta se mantém mecanicamente através da projeção de nossas expectativas, e daí que, astrologicamente, a casa oposta a qualquer questão, a casa onde se projetam as expectativas, onde está a sombra de uma determinada casa qualquer, passa a ser prevalente na realização do horóscopo da pessoa. Um bom exemplo é a intensidade com que nos projetamos, focalizamos nossas expectativas na casa VII, a casa do outro. Na verdade, do "outro que está em nós", mas que, no Sonho do Planeta, que precisa da separatividade para subsistir, é um "outro" que está sempre fora de nós, e com o qual temos que nos preocupar, e para o qual temos que sempre dar conta de nossos atos e tudo mais, isto desde a infância, desde a infantil necessidade (cobrada e condicionada) de dar conta de cada mínimo movimento ou sorriso ou lágrima a nossos pais e formadores. Isto apenas continua re-criando a ilusão de que a casa VII representa algo ou alguém que está fora de nós, está separado de nós, e precisa ser seduzido e conquistado e mantido para que nos sintamos um pouco inteiros. Na verdade, se fossemos por um segundo inteiros e plenos, nos rebelaríamos e acordaríamos deste eterno Sonhar. Ah, e não precisaríamos do outro como nos é proposto pelo Sonho do Planeta, pois o outro está dentro de nós mesmos, e só percebemos e reconhecemos nele o que está dentro de nós. Se estamos vivendo na dimensão de um sonho, o outro torna-se uma ilusão que, com a primeira brisa da consciência, o primeiro vislumbre de nossa verdade interior, se desfaz... E aí a casa VII passa a ser uma imensa fonte de problemas, talvez a mais significativa deste planeta, pois, nas condições impostas pelo Sonho do Planeta, o "outro" é sempre a referência da minha realidade, ou melhor, da minha ilusão de que existo.
Não é incômodo? Eu me sinto incomodado pensando isto. Que posso não precisar da pessoa que amo, que posso apenas compartilhar com ela minha plenitude natural, que infelizmente não me é permitida neste plano da existência por não ser conveniente às regras de manutenção e controle do Sonho do Planeta. Vamos portanto continuar descrevendo e analisando a casa VII (e todas as outras casas, evidentemente) como algo que temos que conquistar FORA de nós mesmos, como algo que pode ser descrito como uma experiência a ser vivida, e não como algo que já existe em nós, bastando ser acessada pela consciência. A Astrologia do Bem e do MalPara ensinar um cachorro precisamos punir e dar recompensas a ele. Treinamos nossos filhos, aos quais amamos tanto, da mesma forma que treinamos qualquer animal doméstico: com um sistema de castigos e recompensas. Dizem-nos: "Você é um bom menino" ou "Você é uma boa menina" quando fazemos o que mamãe e papai querem que a gente faça. Quando isso não acontece, somos "meninos maus" ou "meninas más". Para a Astrologia que praticamos dentro desta dimensão ilusória, ser bom ou mau é essencial. Daí que temos também "bons e maus aspectos", piores ou melhores configurações. Tanto na vida quanto na análise da vida, através do horóscopo ou do que for, usamos os mesmos modelos. Esta expressão dos modelos externos e sociais na metodologia particular da Astrologia tem a função de nos manter divididos e confusos, submersos na ilusão, atrelados ao Sonho do Planeta.
Enquanto isso, projetamos neste contexto biológico que não tem definições de "bem e mal", nossos conceitos pessoais, adquiridos exatamente no processo de domesticação da psique. É conseqüente que, na decodificação dos símbolos astrológicos, utilizemos estas referências condicionadas. É decorrente destes conceitos sustentados pela separatividade que, na tradução humana dos significados das configurações astrológicas, atribuamos aos símbolos conteúdos sustentados pelos conceitos de bem e mal, e, com este procedimento e uso da linguagem, vamos sustentando e sedimentando cada vez mais o sentimento de que somos seres separados uns dos outros e da natureza. Nas oportunidades em que fomos contra as regras, nos puniram; quando agimos de acordo com elas, ganhamos uma recompensa. (...) A recompensa é a atenção que conseguimos de nossos pais, ou de outras pessoas como irmãos, professores e amigos. Logo desenvolvemos necessidade de captar atenção de outras pessoas para conseguir a recompensa.
Este é o mecanismo que o Sonho do Planeta adota para nos forçar a construir critérios de Valor e de Realidade. A casa II do horóscopo corresponde ao universo dos valores pessoais, e, neste plano do Sonho, os valores são elaborados e mantidos por um mecanismo de punição e recompensa. Isto nos deixa constantemente inseguros e ameaçados, além de incapazes de perceber que já temos dentro de nós todos os valores de que precisamos. Mas é do mecanismo mantenedor do Sonho do Planeta que projetemos e busquemos a referência de nossos valores fora de nós, pois nos sentimos separados do outro e, por isso, o outro tem de reconhecer e endossar meu Valor, pois sem isto eu não tenho como ter consciência de mim mesmo. A conseqüência é que vivemos inseguros, tabulamos um estado permanente de fragilidade e dependência do julgamento e do critério dos outros para que tenhamos algum valor. Tal fragilidade é necessária à manutenção do Sonho do Planeta, pois uma pessoa que tenha conhecimento de seu valor pessoal e, conseqüentemente, que tenha convicção e aja com base nesta convicção, pode libertar-se do Sonho, e isto não convém... A casa II passa a ser projetada na casa VIII, a dos valores do outro, a II da VII, já que a VII é o outro separado de nós. Só assim este mecanismo de recompensa pode funcionar. Com medo de ser punidos e medo de não ganhar a recompensa, começamos a fingir ser o que não somos apenas para agradar aos outros, só para ser suficientemente bons para outras pessoas. Tentamos agradar a mamãe e papai, tentamos agradar aos professores na escola, tentamos agradar na igreja, e com isto começamos a representar. Fingimos ser o que não somos porque temos medo de ser rejeitados. O medo de sermos rejeitados torna-se o medo de não sermos suficientemente bons. A rica cultura mexicana, que contextualiza a obra de
Don Miguel Ruiz, O mecanismo de elaboração dos valores pessoais (casa II) através da recompensa e da punição é mais que uma relação meramente material. Tende a ser física, mas não necessariamente financeira. Afeto, compreensão e reconhecimento são também valores que adquirimos muitas vezes como recompensa por nosso "bom comportamento". Lembremos que os critérios da casa II passam a ser definidos pelo que a casa VIII nos apresenta, ou seja, nossos valores são delimitados pelos valores que re-conhecemos no outro e pelo que podemos obter dele, e com isto, negamos a capacidade de conquistar valores a partir de nosso íntimo, de nossa essência. Podemos considerar também o fato de a casa II ser
a V da X, a quinta casa a partir do Meio do Céu. Neste caso ela,
a casa II, representaria a "cristalização", a
materialização, a formatação dos princípios
que regem nossa presença no mundo social, nosso status,
e a expectativa que os outros tem de nós, tudo isto representado
pela casa X. |
|
Atalhos de Constelar | Voltar à capa desta edição |Valdenir Benedetti - O sonho do Planeta | Imposição
cultural, domesticação e o papel de Vênus | |
Cadastre
seu e-mail e receba em primeira mão os avisos de atualização
do site! |
|
2013, Terra do Juremá Comunicação Ltda. Direitos autorais protegidos. Reprodução proibida sem autorização dos autores. |