|
|
|||
Terra, um planeta mutilado A terceira grande mudança diz respeito à progressiva impessoalidade da vida urbana e das relações de produção. A euforia cientificista e tecnicizante é rapidamente percebida pelos mais "antenados", que começam a denunciá-la no cinema e na canção. Vejam-se estes exemplos, todos dos anos 60: Poetas, seresteiros, namorados, Hoje homens de aço esperam
da ciência, Próton, elétron, nêutron, São sintomas que podemos perceber aqui e ali e que, no conjunto, formam um painel que define a vida pós-grande alinhamento de 1962 como profundamente diferente daquela das décadas anteriores. As grandes tendências que aqui traçamos apontam para conteúdos do mental e impessoal signo de Aquário, inclusive no que este tem de pior: a excessiva cerebralização e tecnicidade, que fizeram com que a cabeça do planeta - a humanidade pensante - aprofundasse o processo de divórcio com o corpo - a natureza e o ambiente físico da Terra. Netuno, em quadratura com a concentração planetária de 1962 em Aquário, simboliza as contradições e alternativas deste processo: um aumento brutal no consumo de drogas, a contaminação das águas e da atmosfera, as grandes massas urbanas indiferenciadas, mas também a busca de um novo sentido de religiosidade, a onda de misticismo que varreu o Ocidente e a elaboração de utopias como o paz e amor dos hippies e a formação de redes ambientalistas em escala mundial.
É lógico que o alinhamento de 1962 não explica, por si só, todos esses fenômenos. Mas, como acontecimento astrológico raro e excepcional, não há como deixar de considerá-lo um detonador - ou ao menos um focalizador - de tantas mudanças significativas. Um grande alinhamento planetário funciona como o cavalo em que o apostador jogou todas as fichas, ou como o cesto em que o fazendeiro colocou todos os ovos. É uma aposta radical, uma questão que se coloca para a humanidade como um desafio imposto compulsoriamente, e com o qual é preciso lidar de alguma maneira. O desafio do alinhamento de 1962 parece ter sido o do uso consciente do conhecimento para superar barreiras físicas, étnicas e históricas em prol da criação de um planeta realmente equitativo. Aquário propõe a idéia da distribuição do conhecimento com vistas à humanização. A tecnologia gerada nos centros de excelência do mundo desenvolvido deveria ter fluído em todas as direções, permitindo o desembrutecimento das relações de trabalho, o resgate de populações inteiras mergulhadas nas trevas do atraso e da miséria e o surgimento de uma consciência planetária que transcendesse os limites da geografia política. Este projeto ficou no meio do caminho. Os avanços científicos aí estão, mas em essência o mundo não melhorou por causa deles. Um único dado é suficiente para entender os frutos finais do grande alinhamento de 1962: passados 38 anos, a venda de armamentos e o tráfico de drogas ainda são os dois maiores negócios da economia globalizada. O alinhamento de maio de 2000 e seus efeitos Localização de eventos
com uso de equivalentes geodésicos
© 1998-2002 Terra do Juremá Comunicação Ltda. |