O menino Sean e o estilo Capricórnio de resolver conflitos
De Fernando Fernandes em Dez 25, 2009 | EmAnálises | 4 feedbacks »
Depois de uma longa batalha judicial, o menino Sean Goldman, filho da brasileira Bruna Bianchi e do modelo americano David Goldman, foi entregue ao pai biológico e levado para os Estados Unidos, onde começará nova vida. Quem tem razão no caso Sean, o pai biológico ou a família materna? Que solução seria mais justa e mais benéfica para o menino? Essas são as questões cancerianas que deixaram de ter importância desde a entrada de Plutão em Capricórnio.

[Texto completo:]
Durante meses o assunto esteve presente nos noticiários brasileiros e americanos. Bruna, a mãe, falecera no parto da segunda filha, anos depois de retornar ao Brasil e casar-se pela segunda vez com conhecido advogado. A partir daí, a batalha pelo controle de Sean ganhou contornos cada vez mais dramáticos. O pai biológico iniciou uma bem-sucedida campanha para mobilizar a imprensa americana, que, ávida por histórias com forte apelo emocional, assumiu sua defesa. O caso recebeu tratamento de sequestro. A justiça brasileira foi vista sob a ótica dos piores preconceitos que americanos costumam ter para com "repúblicas-banana". A rede de TV NBC passou a bancar as despesas do pai biológico, em troca de exclusividade no acompanhamento do caso. A vida dos envolvidos transformou-se num reality show. Políticos americanos - incluindo Hillary Clinton - assumiram posição abertamente favorável às pretensões do pai.
Desde que Plutão entrou em Capricórnio, a família e especialmente seus integrantes mais vulneráveis - as crianças - estão sob o risco cada vez mais forte da ingerência do Estado em suas escolhas. Câncer rege o mundo íntimo das relações consanguíneas, enquanto Capricórnio simboliza as estruturas de poder e o aparato governamental. Com Plutão no signo da autoridade, a mão pesada e o controle impessoal de Plutão submetem cada vez mais a família aos ditames mais amplos da administração pública e das relações internacionais.
Desde outubro de 2009 Plutão recebe a quadratura de Saturno em Libra, sendo Saturno o próprio regente de Capricórnio. É um aspecto que costuma coincidir com períodos de aumento do nacionalismo e da xenofobia - a desconfiança injustificada contra tudo que é estrangeiro - já que o aspecto simboliza uma atitude de rigidez do Estado (Saturno) diante de forças ameaçadoras (Plutão). Foi sob um aspecto tenso Saturno-Plutão que argentinos e ingleses engalfinharam-se em 1982 na Guerra das Malvinas, um conflito absurdo por um arquípelago perdido no meio do Atlântico Sul. Foi sob outro aspecto Saturno-Plutão que fanáticos islâmicos derrubaram as torres gêmeas novaiorquinas, num ataque suicida, e deram o pretexto para que George W. Bush iniciasse um novo ciclo de guerras asiáticas.
Os ânimos estão novamente à flor da pele. O drama familiar do menino Sean virou pretexto para uma queda de braço entre Brasil e Estados Unidos, que os americanos venceram por terem mais poder de fogo. Em caso de recusa de entrega de Sean, o Brasil poderia sofrer severas retaliações comerciais, já ameaçadas por parlamentares ianques. O caso encontra ressonância em outras situações que deverão dar a tônica durante muitos anos. Em essência, é a diminuição do poder dos pais (Câncer) frente ao poder maior do Estado (Capricórnio).
O mapa da partida do menino Sean Goldman, após sua entrega ao pai biológico, permite alguns prognósticos sobre os desdobramentos da novela:

A carta mostra Urano, regente da 12, no Ascendente, indicando a viagem aérea inesperada e forçada. Os dois regentes do Ascendente pisciano encontram-se na casa 12, o que reitera a idéia de que Sean é refém de um conflito entre adultos, não tendo qualquer autonomia diante da nova situação. A Lua no início de Áries, na casa 1, mostra o quadro absolutamente novo que ali se inicia. A Lua fará em seguida aspectos tensos com Sol-Plutão na 10 (quadratura) e com Saturno na 7 (oposição), indicando a submissão a uma situação compulsória e as dificuldades que a criança terá na adaptação à realidade americana. Como a viagem se deu com Marte retrógrado, e como Marte é regente da casa 9 (justiça), o caso - que até o momento fez mais vítimas do que vencedores - ainda pode ter reviravoltas no futuro. Quando Saturno e Plutão desfizerem o aspecto tenso, talvez a questão possa ser reconsiderada por aquilo que realmente é: um simples e sofrido drama familiar, e não a batalha final entre a potência hegemônica e os bárbaros do sul.
4 comentários
tem a família brasileira o direito de impedir o garoto de morar com o pai em seu país de origem, a terra do Tio Sam? I dont think so.
A mãe faleceu e o pai luta desde então ficar com o filho. Se a mãe faleceu e o pai é um bom caráter, então o filho deverá ficar com ele.
Toda a família paterna sofreu muito com a distância do neto querido.
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Astrologia é linguagem. E os acontecimentos são textos a serem interpretados.