Brasil: um sindicalista no poder (Parte II)
De Dimitri em Abr 5, 2008 | EmBrasil | 2 feedbacks »

Em tempos de ênfase planetária no elemento Terra, há um sindicalista na Presidência da República. Perceba a lógica histórica por detrás dos trânsitos envolvidos, diagnosticando os últimos desdobramentos do governo Lula e as tendências para o final de seu segundo mandato.
[Texto completo:]

Depois da morte de Getúlio Vargas, João Goulart tornou-se o principal herdeiro do Trabalhismo. No ano seguinte ao suicídio, elegeu-se vice-presidente com mais votos que o próprio Juscelino Kubitschek. Na eleição seguinte, em 1960, novamente assumiria o posto de vice, mesmo tendo feito parte da chapa que rivalizava com Jânio Quadros. Como sabemos, Jânio renunciou à presidência em 25.08.1961 e para Jango substituí-lo foi necessária uma operação muito delicada. Afinal, a resistência dos militares a seu nome era retumbante.

No retorno do Trabalhismo ao poder, vemos novamente uma ênfase no elemento Terra. Plutão, em Virgem, aproximava-se do Sol de 1822. Uma conjunção Júpiter-Saturno em Capricórnio aplicava trígonos para Mercúrio em Virgem [o de Saturno, exato]. Jango toma posse num Sete de Setembro, e seu governo marca um dos momentos mais importantes da história do Brasil.

A conjunção de Plutão ao Sol do Brasil representa a radicalização das forças políticas na direção de uma revolução, fosse ela de esquerda ou de direita. Jango, em seu governo, deu uma forte guinada para a esquerda. Convém lembrarmos que o processo revolucionário cubano incendiava a América Latina. Neste momento, guardadas as devidas proporções, Trabalhismo e Comunismo começam a se confundir.
Netuno, agora em Escorpião, insuflava espíritos revolucionários, dando um tom ainda mais dramático à Guerra Fria. Urano -que se preparava para entrar em Virgem e estabelecer a conjunção com Plutão sobre o Sol do Brasil- estava em Leão, caracterizando um período de estreiteza ideológica. Vemos ainda conjunções de Lua e Vênus com Vênus-Nodo Sul. As elites estavam de sobreaviso.

Lula e o novo sindicalismo

O Golpe Militar evidentemente foi o grande golpe sofrido pelo Trabalhismo e o movimento sindical que compunha suas bases. A capacidade do regime de exceção em desarticular a poderosa máquina criada por Getúlio Vargas (e que, de certo modo, escapou ao próprio criador) foi realmente efetiva. Jango morreu –ou foi assassinado?- em 1976, e Leonel Brizola tornou-se sua principal liderança.

No entanto, o próprio sindicalismo teria de passar por uma transformação. Os tempos haviam, de fato, mudado. E isto começa bem antes da morte de João Goulart.
Creio que não seja preciso explicar aqui o porquê de Lula e sua trajetória serem o grande emblema desta transformação. Partamos logo para sua inserção no movimento sindical.

O metalúrgico Luiz Inácio da Silva filiou-se ao sindicato de sua categoria em 1968. No ano seguinte, era eleito para a diretoria da agremiação em São Bernardo do Campo. Naquela época (1967-68) o movimento sindical aproveitou-se da crise política perpetrada pela oposição institucionalizada da Frente Ampla e o movimento estudantil para tentar reorganizar suas bases. O auge desta nova mobilização ocorre nas greves de Contagem e Osasco. A decretação do AI-5, todavia, pôs fim a esta retomada das lutas operárias. Lula começa a despontar no sindicalismo em um momento severamente crítico.

O regime de exceção naturalmente impingia ao movimento sindical uma série de mudanças. O país havia se urbanizado e industrializado; a região do ABC paulista era agora o centro do sindicalismo brasileiro. O Trabalhismo, que tinha suas raízes no Rio Grande do Sul, estava desarticulado. A conjunção entre Urano e Plutão sobre Mercúrio de 1822 aponta para esta transição no movimento sindical.

Lula foi eleito presidente do sindicato dos metalúrgicos em 1975, representando mais de 100.000 trabalhadores. Reelegeu-se em 1978. Naquela época, foi uma das lideranças sindicais que restauraram a prática de greves públicas de larga escala, que haviam cessado à época do AI-5. Em maio de 1978 teve início o movimento grevista no ABC e, no ano seguinte, as greves se espalharam por todo o Brasil com grandes piquetes e gigantescas assembléias plebiscitárias.
Em março de 79, 170 mil metalúrgicos pararam o ABC paulista no momento em que o general Figueiredo tomava posse. A repressão policial ao movimento grevista e a quase inexistência de políticos que representassem os interesses dos trabalhadores no Congresso Nacional fez com que Lula pensasse pela primeira vez em criar um Partido dos Trabalhadores.

O renascimento sindical, o governo Figueiredo e a grande greve no ABC ocorrem paralelamente ao ingresso de Saturno em Virgem. Os eventos de março de 1979 são pontuados por um trígono exato de Saturno para sua posição de origem, com trígonos para Urano-Netuno e conjunção ao Sol. O Nodo Norte também estava em Virgem, em conjunção para o Sol. Constata-se assim, mais uma vez, a importância do trânsito de planetas lentos pelos signos de elemento Terra para a compreensão dos movimentos sindicais no Brasil. Urano, no MC, é o símbolo da aceleração do processo de abertura política, na qual as greves do ABC teriam papel inquestionável. A volta ao pluripartidarismo era questão de tempo.
Em 1980 estourou uma nova greve entre os metalúrgicos do ABC, que durou 41 dias e terminou com a intervenção do sindicato, prisão de sua diretoria e o seu enquadramento na lei de segurança nacional. Foram 31 dias de prisão. O governo militar, apesar da repressão, não conseguiu quebrar a combatividade do movimento sindical, que renascia. Naquele mesmo ano era fundado o Partido dos Trabalhadores, que seria uma das principais agremiações políticas de sustentação ao movimento sindical. A ditadura militar fez questão de que o PTB não caísse nas mãos de Leonel Brizola, e o partido se descaracterizou completamente. O PDT, fundado por Brizola, viria a ser o herdeiro de Trabalhismo.

A fundação do PT está diretamente relacionada ao ressurgimento do movimento sindical que, por sua vez, tem analogia com a ênfase de então em signos de elemento Terra. Saturno estava sobre Mercúrio do Brasil, representando a institucionalização partidária de um poderoso segmento do novo sindicalismo. Marte e Júpiter também estavam em Virgem, com ambos aplicando conjunção ao Sol e trígono para Saturno. Júpiter formava trígonos com Urano-Netuno. O Ascendente do PT, em Touro, cai exatamente sobre Saturno e cria trígonos com o Sol e Urano-Netuno. Nascia o partido que levaria para Brasília o primeiro sindicalista a chegar à presidência.

É importante ressaltar que nesta época Lula e o movimento sindical do ABC defendiam o fim da Era Vargas no campo do trabalho, classificando a CLT de "AI-5 dos trabalhadores" e ponderando que, se Getúlio fora o "pai dos pobres", também lhe cabia a alcunha de "mãe dos ricos". A unicidade sindical (apenas um sindicato por categoria em cada município) e o atrelamento dos sindicatos ao Estado eram severamente criticados e a negociação direta entre patrões e empregados, sem a intermediação do Estado, defendida.
Um sindicalista no poder

Se a fundação do PT tem como referência Urano no MC do Brasil e ênfase no elemento Terra, a posse do primeiro sindicalista a chegar à presidência da República marca a chegada de Urano [co-regente do Ascendente] ao Ascendente e novamente importantes coordenadas em signos de Terra.

Em primeiro lugar, o Ascendente da posse de Lula em 2003 é Touro, no mesmo grau do Ascendente da fundação do Partido dos Trabalhadores. Atualmente os presidentes do Brasil vêm tomando posse com o Sol em Capricórnio [1º de janeiro], com conjunções para Urano-Netuno e trígonos para o Sol e Saturno do país. Naquela ocasião, Mercúrio estava em trígono com sua posição de origem.

Com Lula, o Brasil passou a ter no Palácio do Planalto um ex-operário cuja trajetória sindical levou à fundação de um partido “dos trabalhadores” e à política. O sindicalismo chegava ao poder depois de mais de uma década de políticas neoliberais inspiradas no Consenso de Washington.
O novo presidente assumiu diante de uma crise econômica gerada pelas expectativas negativas do mercado quanto a um eventual governo socialista que fizesse o país “regredir” no campo da ortodoxia e da “modernização” do Estado. Sem mexer na política econômica de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, Lula começou, entretanto, a ocupar e criar novos postos de trabalho no governo com funcionários oriundos da militância do PT, numa linha nitidamente corporativista.

Aos poucos, entrava em cena uma “república sindicalista” criada por meio de decisões que ampliaram o espaço de atuação e revitalizaram as finanças do sistema sindical brasileiro. A popularidade de Lula e o acanhamento da oposição levaram o presidente-operário a um segundo mandato, iniciado no ano passado.

Dentro da nova data de posse dos presidentes nacionais, em 1º de janeiro, Lula assume seu segundo mandato com o Sol em Capricórnio em trígonos para Sol e Saturno, além de conjunções com Urano-Netuno. Qualquer análise astrológica dos mandatos presidenciais iniciados desde o governo Fernando Henrique deve levar em conta este importante detalhe. Entre os governos de Ernesto Geisel e Collor de Mello, os presidentes começavam seus mandatos com o Sol em Peixes [15 de março], com oposição a Mercúrio em Virgem do mapa do Brasil. Itamar Franco, que substituiu Collor após o impeachment, tomou posse num 29 de dezembro, também com Sol em trígono para sua posição de origem, para Saturno e conjunções com Urano-Netuno. Coincidência ou não, desde então os governos entraram numa rota de maior ortodoxia econômica.

No mapa do segundo mandato de Lula, temos uma conjunção Sol-Mercúrio em conjunção com Urano-Netuno e trígonos para Sol e Saturno do Brasil. O Ascendente era novamente Touro, agora em conjunção com o FC brasileiro. É nesta fase de seu governo que Lula irá alcançar os maiores índices de aprovação junto ao povo. Este Ascendente e Vênus em Capricórnio fecham um Grande Trígono com Mercúrio natal do Brasil, em Virgem. Seria também nesta fase de seu governo a consolidação de sua república sindical.

Entre as medidas que levaram a esta consolidação temos, por exemplo, a autorização dada pelo governo aos sindicatos de criarem cooperativas de créditos que poderão funcionar como bancos. Com isto eles têm permissão para concederem empréstimos com descontos na folha de pagamento, o famoso crédito consignado.
Os sindicatos também possuem agora o direito de criarem planos de previdência complementar e, quando a lei for regulamentada, dificilmente sofrerão concorrência nesta área.
Com a Lei 11.648/2008, instituída em 31 de março último, é recriado o papel do Estado como indutor da organização sindical, criando por lei as centrais sindicais, que antes não existiam legalmente. O reconhecimento das centrais tem como objetivo a captação anual de recursos originados do imposto sindical compulsório, que corresponde a um dia de trabalho de cada trabalhador.

Críticos da legalização das centrais acusam o governo de não estar preocupado com a representação em si, mas pura e simplesmente com o fornecimento de recursos para elas. Mais que isto, a título de se evitar “perseguições políticas”, as contas dos sindicatos não podem ser fiscalizadas pelo TCU, e este veto foi decisão exclusiva do presidente. O motivo seria a garantia de apoio político dos sindicatos a Lula entre o fim de seu mandato e 2014, quando poderá novamente se candidatar à presidência. Só que há um elemento ilegal na lei, posto que a Constituição exige que todo dinheiro público possa e deva, sim, ser fiscalizado. Lula disse: “Já imaginaram a cada eleição os sindicatos sendo alvo de fiscalização?”. O ministro do trabalho, Carlos Lupi, comemorou: “Vão ter que nos aturar por muito tempo!”.
A nova lei que rege os sindicatos, considerada por muitos um retrocesso institucional, é sancionada com Plutão sobre Urano-Netuno e trígonos precisos de Saturno para os três planetas. Plutão em Capricórnio e Saturno em Virgem fecham um Grande Trígono com Saturno natal do Brasil. Júpiter, também em Capricórnio, aplica trígonos para Sol e Mercúrio do Brasil. Os sindicatos conseguem uma série de benefícios como a legalização das centrais, poder de crédito e previdência, manutenção do imposto sindical e isenção de fiscalização financeira. Vê-se, novamente, uma ênfase de planetas médios e lentos em signos do elemento Terra. Plutão e Júpiter em Capricórnio, especialmente, são trânsitos que ressaltam o poder e a força de entidades corporativas. Saturno em Virgem favorece, genericamente, a regulamentação do trabalho.

Um detalhe muito importante é a conjunção entre Netuno e o Nodo Norte no Ascendente do Brasil: ela representa o caráter nebuloso das motivações da lei e de seu resultado, que na prática visa esconder dos órgãos públicos e da população as contas dos sindicatos. Enquanto isso, o “peleguismo” que Lula tanto criticara nos anos de sindicalismo grassa: O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil Pesada (SP) chega ao trabalho todos os dias num automóvel Mercedes. Vários telefones em imóveis luxuosos estão em seu nome, mas o sindicalista diz que “é tudo dos filhos”.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Carga Própria (SP), que representa parte dos caminhoneiros, tem alto padrão de vida e construiu uma casa na Serra da Cantareira, reduto de endinheirados na capital paulista. E o presidente do sindicato da construção civil (SP) anda num Corolla blindado com motorista.
O ex-motorista de ônibus e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte Terrestre ganha pelo menos R$ 25.000,00 por mês e viaja com freqüência na classe executiva para Paris, Londres, Roma e Tóquio, acompanhado da mulher e da secretária. Ele mesmo admite que é tudo com recursos da sua entidade e está sendo investigado por desvio de verbas, cuja principal fonte de receita é a contribuição compulsória de um dia de salário de motoristas de ônibus, caminhões e trens. Sua mulher foi empregada por ele e tem salários de R$ 5.000,00.
O deputado Augusto Carvalho (PPS/DF), que é contra a manutenção da contribuição obrigatória e a não fiscalização dos sindicatos pelos órgãos públicos advertiu: “vão jogar fora a chave da caixa preta”.2 comentários
Nem um panfleto do PSDB consegue um simplismo tão razo.
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