Brasil: um sindicalista no poder (Parte I)
De Dimitri em Abr 3, 2008 | EmBrasil | 5 feedbacks »
"A ação trabalhista poderá ser a meia-estação entre o capitalismo e o socialismo". Getúlio Vargas, 09.09.1950
"Não sou mais do que o representante, o porta-voz das massas trabalhadoras". Idem, 18.11.1951

O Brasil está nas mãos de um sindicalista há cinco anos, pela primeira vez. Apesar de Lula não fazer parte da corrente trabalhista e representar uma alternativa a esse modelo surgida durante o regime militar, podemos fazer um paralelo entre a chegada de Getúlio Vargas ao poder e o atual momento da gestão do presidente-operário.
[Texto completo:]
A ERA VARGAS

Netuno havia ingressado em Virgem em 1928, a Bolsa de NY de teve seu crash no ano anterior e, em 1930, Plutão era descoberto e tínhamos uma “revolução” no Brasil. O país, que possui Sol em Virgem e não pode ser discutido sem que entrem em questão temas como a organização da força de trabalho e a produção de riquezas, teria, ao longo da Era Vargas (1930-45 e 1951-54), um período de enormes mudanças no plano sindical. Lula não é getulista, mas para entendermos boa parte das forças e do sentido pelos quais o governo se orienta, devemos voltar aos tempos do “pai dos pobres”. Afinal, há um sindicalista no planalto com índices de popularidade na casa dos 60%.
O Crash de 1929 ocorreu com Saturno no último grau de Sagitário e o ingresso em Capricórnio marcou o ano de 1930 pela necessidade de novos arranjos políticos e econômicos no Brasil e no mundo. O trígono entre Saturno e Netuno, presente no mapa da Revolução de 30, indica este esforço. A Era Vargas fecha um ciclo de presidentes maçons e pouquíssmos políticos da República Velha sobreviveram à Revolução de 30. Desde então, nunca mais um paulista chegou à presidência do Brasil.
Como sabemos, a subida de Getúlio Vargas ao poder seria decisiva para os rumos do trabalho no Brasil. Os trígonos de Netuno para a conjunção Urano-Netuno em Capricórnio, a passagem de Saturno pela mesma conjunção, o trígono de Saturno para o Sol em Virgem e os trígonos de Saturno e Netuno para Saturno em Touro revelam um momento especialíssimo no jogo entre capital e trabalho no país que foi a maior nação escravocrata da Era Moderna.

Tendo chegado ao Palácio do Catete pela luta armada e representando uma nova tomada do governo pelos militares, vemos no dia do triunfo da Revolução uma conjunção entre Sol e Mercúrio próxima a Marte do país.
Marte em Leão, na casa VI, contribui decisivamente para esse “esforço” e através das quadraturas com os planetas em Escorpião indica o viés autoritário que viria a seguir. Mas não se iludam: o trígono entre Marte e Vênus em Sagitário [casa X] dá pistas da grande popularidade de Vargas. A oposição quase exata entre Vênus e a conjunção Lua-Júpiter vai no mesmo caminho. Por sua vez, a estreita conjunção entre Vênus e Lilith sugere aspectos importantes deste carisma, que servem de norte para a análise das origens do populismo tupiniquim.

A Legislação Trabalhista criada nos anos 30 e 40

Getúlio, que começava seus discursos com o bordão "trabalhadores do Brasil" criou o ministério do Trabalho em 26.11.1931, sua primeira grande medida no setor. Netuno está um pouco mais próximo do Sol e o Brasil já vivia, de fato, a inspiração trabalhista sobre o poder e a política. Com os trígonos de Netuno para Urano-Netuno na casa XI ainda no Céu, o Brasil dava início a um processo mais intenso de institucionalização do mundo do trabalho. A formação da cidadania brasileira está intimamente ligada a esta lógica. Saturno aplicava trígonos para o Sol em Virgem e para Mercúrio [dispositor do Sol e domiciliado].

Netuno estreitava o trígono com Saturno e Vargas “ensinava” ao povo sua doutrina do trabalho. É importante observar que se trata de um momento de modernização do Brasil. Sol, Mercúrio, Vênus e Marte encontravam-se na casa X, assinalando uma iniciativa decisiva para o projeto de poder então em curso. Os trígonos com Júpiter, que se preparava para ingressar em Virgem, atestam que aquela iniciativa iria se prolongar pelo futuro.

Criada sob a pressão dos desdobramentos da Revolução Constitucionalista de 32, a Constituição de 1934 foi a de menor vigência na história do Brasil. Todavia, ela avançava no campo da regulamentação do trabalho, ao prever a criação da Justiça do Trabalho, a determinação da jornada de trabalho de 8 horas, o repouso semanal obrigatório, férias remuneradas, proibição do trabalho infantil, indenização para trabalhadores demitidos sem justa causa, assistência médica e dentária e remuneração para as grávidas. Outras novidades foram a proibição da diferença de salário para um mesmo trabalho, ou por diferença de idade ou sexo, nacionalidade e estado civil. Foi prevista ainda uma lei específica para a regulamentação do trabalho agrícola e a redução do prazo de usucapião a um terço dos 30 anos então em vigência.

A conjunção de Netuno ao Sol do Brasil tornava-se cada vez mais estreita e, na promulgação da Carta, tinha a Lua a seu lado, aplicando também conjunção a Mercúrio. Lua e Netuno estavam em trígono com Saturno. Urano acabara de ingressar em Touro e estabelecia trígonos com Urano-Netuno. O Brasil seguia na estruturação das relações de trabalho e modernizava as leis do país com a segunda Constituição da República. De antemão, podemos constatar a importância dos trânsitos de planetas lentos pelos signos de Terra nas décadas de 30 e 40 para compreender a evolução do trabalhismo no Brasil.
O Estado Novo

Três anos depois, em 10.11.1937, Vargas aproveitava a instabilidade política criada pelo movimento integralista para derrubar a Constituição de 34 e impor uma nova Carta. Nascia o Estado Novo, que iria seguir o processo de estruturação das relações de trabalho no Brasil pelo viés autoritário.

Em primeiro lugar, vemos que Getúlio praticamente repetiu D. Pedro I ao sacar a Constituição de 1934 e outorgar uma nova Carta. No mapa do Brasil, um dos aspectos que mais evidenciam a atitude do primeiro imperador do Brasil e a quadratura entre Urano-Netuno e Plutão [co-regente do MC]. No dia da promulgação da Constituição do Estado Novo, Saturno, ainda em Peixes, aplicava uma estreita conjunção a Plutão natal. O país passava ainda por seu primeiro trígono de Plutão. Instaurava-se, então, uma ditadura.
Percebemos outra vez a importância de trânsitos pelo elemento Terra no desenvolvimento do projeto de poder trabalhista e nas regulamentações em si: Netuno ainda estava em conjunção ao Sol e se aproximava de Mercúrio. Marte e Júpiter estavam em Capricórnio, com o primeiro estabelecendo trígonos para Netuno em Virgem e Mercúrio natal e o segundo fazendo os mesmo aspectos, mas também em trígono com o Sol em Virgem. Urano, em conjunção com Saturno na casa III, era outro planeta em trígono com o Sol.
A Constituição de 37 instituía a unicidade sindical e os órgãos de previdência social. As organizações sindicais setorizadas passaram a ter um caráter paraestatal, havendo ainda a proibição das greves e a criação do imposto sindical.

Seguindo o que já estava previsto desde a Constituição de 1934, a Justiça do Trabalho é criada em 1º de maio de 1939. Note que esta é uma época em que o Primeiro de Maio é comemorado de forma efusiva pelo governo, que estabelece a data como momento de promulgação de medidas, propaganda do governo e cooptação da classe trabalhadora. O 1º de Maio sempre traz o Sol em conjunção com Saturno em Touro e formando trígonos com o Sol em Virgem e Urano-Netuno. A data servia, sobretudo, para fortalecer a imagem do governo e reforçar o elo com a população.
Urano em Touro estabelecia trígono com Netuno em Virgem e a força do Trabalhismo se intensifica. Também havia trígono de Urano para o Sol. O Estado brasileiro havia mudado realmente. Marte, em Capricórnio, fecha um Grande Trígono com Urano e Netuno e aplica trígonos para o Sol e Mercúrio. Urano também está em trígono com Mercúrio. O Nodo Norte passava pela casa IX, um importante setor em assuntos ligados à Justiça.

Finalmente, em 1º de maio de 1943, Vargas cria através de Decreto-Lei a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em vigor até hoje. Toda a legislação trabalhista existente no Brasil era então unificada. A CLT foi assinada em pleno estádio de São Januário, que estava lotado para uma grande comemoração. Esta é a última grande cartada trabalhista do Estado Novo.

Novamente um Primeiro de Maio, outra vez trígonos do Sol para o Sol natal e Urano-Netuno. O trânsito de Netuno em Virgem chegava ao fim, tendo nos anos anteriores estabelecido conjunção a Mercúrio. O Estado Novo aproximava-se de seu ocaso. Isto nos permite concluir que a chegada de Getúlio Vargas ao poder e o final de sua primeira passagem pelo governo têm relação direta com este trânsito. É quando vem à baila um modelo muito nítido de regulamentação do trabalho, numa estrutura que se mantém até hoje, em muitos aspectos. A passagem de Urano pelo signo de Touro também foi crucial para a hegemonia do Trabalhismo. Observamos que paralelamente a Urano e Netuno em signos de Terra, trânsitos específicos no mesmo elemento pontuam o avanço da regulamentação das leis trabalhistas.

Ao fim do Estado Novo Urano já tinha formado conjunção com Lua-Júpiter em Gêmeos. Se a conjunção entre Urano-Netuno em Gêmeos [e a conjunção com Lua-Júpiter] está ligada à importância da Lei Áurea e a Proclamação da República para a população, o trânsito de Urano representa a coroação das mudanças empreendidas pelo trabalhismo varguista. Não à toa Getúlio Vargas -mesmo tendo sido ditador- é considerado um dos maiores presidentes da história do Brasil. Tanto que retornaria ao Catete pelas mãos do povo e o voto direto.
Os anos 1951-54

Getúlio Vargas voltou à presidência em 1951, menos de seis anos após deixar o governo. O jingle de sua campanha diz tudo: “Bota o retrato do velho outra vez/Bota no mesmo lugar/O sorriso do velhinho/Faz a gente trabalhar!”

Todavia, a situação geopolítica mundial era outra; se nos anos de depressão e guerra mundial os EUA não exerceram maiores pressões políticas sobre o país, a situação naquele momento era bem diferente.
O trânsito de Netuno em Libra, iniciado durante a guerra, dera aos anos 50 a lógica bipolar da Guerra Fria e mesmo não sendo um comunista, o poder de mobilização que Getúlio tinha sobre os trabalhadores causava arrepios nos setores mais conservadores. Por outro lado, a segunda passagem de Vargas pela presidência ocorreu dentro de um sistema político aberto e sem o apoio da maioria no Congresso. Sua doutrina trabalhista e de desenvolvimento econômico de cunho nacionalista encontraria forte resistência no parlamento e nas forças armadas.

Seu governo foi marcado por denúncias de corrupção perpetradas por jornalistas de língua ferina como Carlos Lacerda e bastante tumultuado. O próprio Vargas admitiu estar “sentado em um mar de lama”. Terminou pondo fim à vida em um suicídio.

O segundo momento de Getúlio Vargas na presidência não foi contemplado por trânsitos de planetas médios e lentos em signos de Terra, a não ser uma passagem de Júpiter por Touro entre 1952-53. É quando nascem a Petrobrás, o BNDES e a CACEX do Banco do Brasil. O polêmico reajuste de 100% do salário-mínimo provocou um protesto público feito pelos militares, marcando a queda no apoio das forças armadas e tendo como conseqüência a demissão do ministro do trabalho, João Goulart. Os trabalhistas, por sua vez, acusaram Getúlio de trair o movimento ao demitir Jango, que já era a grande liderança do segmento.
O governo Vargas vivia um paradoxo: o êxito da política de estabilização econômica do ministro da fazenda, Oswaldo Aranha, dependia da manutenção do salário mínimo em níveis não inflacionários, mas a pressão dos trabalhadores pelo aumento dos salários era enorme. Para piorar o quadro, corriam boatos de que Getúlio, Jango e Perón pretendiam implantar uma república sindicalista no país.

Em primeiro lugar, é importante observar que Getúlio Vargas toma posse com Plutão em conjunção exata a Vênus do mapa de 1822. No mapa da independência a conjunção entre Vênus e o Nodo Sul em Leão está diretamente relacionada às “elites” e ao modo arraigado com que elas buscam manter privilégios oriundos desde os tempos de colônia. A chegada de Plutão para a conjunção com Vênus-Nodo Sul marca um momento de movimentações conspiratórias perpetradas por segmentos específicos do país, que viriam tomar o poder quando Plutão em Virgem aplica conjunção ao Sol, em 1964. Na posse de Vargas o Sol em Aquário está em oposição a Plutão, símbolo de um antagonismo de forças.
Ao contrário da Constituição do Estado Novo (que suplantou uma anterior, à semelhança de D. Pedro I), que trazia Saturno em conjunção com Plutão natal, o que se verifica na posse de Getúlio é uma oposição de Saturno a esta coordenada. O ameaçado agora era ele. Urano, em Câncer, fechava uma Quadradura T com Saturno e Plutão natal. Mais que isto: havia uma Grande Cruz, posto que Urano estava em oposição a Urano-Netuno.
Ora, a oposição entre Urano e Urano-Netuno pontua um mandato imerso em grave crise institucional e reforça as tendências golpistas. O Congresso, por sua vez, não lhe era favorável. Marte, Júpiter e o Nodo Norte estão em oposição ao Sol em Virgem e coroam uma presidência com forte oposição, que iria inclusive levar o presidente [Sol] ao suicídio.
O único planeta no mapa da posse a dar respaldo à linha trabalhista de governo é Mercúrio, em trígonos para o Sol e Mercúrio do mapa do Brasil. Mas, em síntese, Vargas volta ao poder numa conjuntura amplamente desfavorável.
Entre as polêmicas envolvendo seu governo estão as leis sobre a restrição de remessas de lucros das empresas para o exterior, sobre os crimes contra a economia popular e sobre o monopólio estatal da exploração e produção do petróleo. Temas que iam contra interesses específicos das elites brasileiras.

As pressões que Getúlio sofreu dentro das circunstâncias envolvendo a sua presidência apontam um quadro totalmente diferente do que existia durante sua primeira passagem pelo governo, nos anos 30 e 40. Para evitar a morte política, suicidou-se. O mito se tornaria ainda maior, e o Trabalhismo ganharia nova dimensão.

O suicídio de Vargas acusa um momento dramático da vida política brasileira. Plutão [co-regente do MC] chegava a cúspide da casa VII. Obviamente que o significado deste trânsito é muito mais amplo, porém, no caso do suicídio, o povo entendeu a senha do presidente: não fora ele quem tirara sua própria vida, e sim os outros.

Note que Saturno estava em conjunção exata com Marte, também regente do MC. Getúlio estava, de fato, com as mãos amarradas. O presidente conseguiu o que queira, e sua morte provocou grandiosa comoção nacional [Lua, Júpiter e Urano na casa V].

Ao morrer, vemos novamente planetas em signos de Terra, tão caros a Getúlio e o Trabalhismo. Sol e Mercúrio, em Virgem, aplicavam trígonos para Saturno, Urano-Netuno e Marte em Capricórnio. Marte, por sua vez, estava em conjunção com Urano-Netuno e trígono com Saturno. Não, o Trabalhismo não iria morrer ali. Muito pelo contrário.
5 comentários
Tenho um especial interesse em entender o movimento sindical a partir da Astrologia. Se puder, gostaria que me desse umas "dicas".
Por exemplo, já li que os sindicatos estariam ligados à casa VI do mapa de um país, mas em outra ocasião li que seria a casa XI.
Porém, se usarmos o método de casas compostas, seria a XI a partir da VI (uma associação de classe trabalhadora)? Nesse caso seria a IV!!! (Ligado às tradições e propriedade... que confusão!).
Quanto à correspondência planetária, me parece que poderia se tratar de Júpiter, por ser aquele que desafiou o patrão (Saturno).
Você acha que algum dia a classe trabalhadora chegará às vias de derrubar o poder (Saturno), assim como na mitologia?
E como fica a situação de Urano (a revolução), que é pai de Saturno (o poder social, a autoridade, o patrão), mas queria matá-lo e foi castrado por seu próprio filho (e Freud adora essa parte!).
O que acha de tudo isso?
Parabéns pelo texto, está ótimo e irei relê-lo outras vezes para uma análise mais aprofundada.
Abraços!
Abraços!
Enquanto os sindicalistas reproduzirem o modelo "paterno" saturnino, apenas em busca de poder e ascensão social (Alô Lula!), eles serão de fato apenas uma extensão deste poder. A lição é pensar e agir pelo social (Júpiter).
Seria legal vermos a posição Natal e trânsitos de Júpiter e Saturno do presidente do Brasil, cuja ascensão social já foi alcançada, mas à base de alianças, hum... questionáveis.
Mais abraços.
A casa mais apropriada para a análise dos movimentos sindicais é a XI, sem dúvida. Note que no mapa da 1822 ela é regida por Júpiter. Já a casa VI diz respeito à força de trabalho de um país, a mão-de-obra de maneira geral. É regida pelo Sol, que está em Virgem! O dispositor do Sol é Mercúrio, domiciliado em Virgem. Voltando ao que disse no texto, não há como pensar o Brasil sem analisarmos profundamente a questão de como o trabalho foi estruturado à medida em que se forjava a sociedade nacional.
Entendo que Saturno e Urano são mais apropriados para uma correspondência planetária com os movimentos sindicais, posto que genericamente regem a casa XI. São entidades coletivas de reivindicações e lutas sociais [Urano], mas ao mesmo tempo se estabelecem como representantes formais dentro da dimensão política e jurídica [Saturno]. Já a Justiça do Trabalho é, sem dúvida, uma instituição jupteriana.
Infelizmente o mapa de Lula é uma grande incógnita, e para mim é mais seguro pensar o seu governo descartando-o. Prefiro, quando é o caso, utilizar os mapas dos dois mandatos, ok? E não acho que os sindicatos visem, hoje, derrubar o poder. Especialmente no Brasil, a tendência é de cada vez mais serem cooptados e, seus líderes, enriquecerem.
abraço.
obs: revista manchete e cruzeiro documentou tudo.
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