Oscar Niemeyer, 100 anos - Parte II
De Dimitri em Dez 13, 2007 | EmBrasil | 4 feedbacks »
7. BRASÍLIA

Como vimos, a chegada de JK ao poder faz com que Niemeyer também esteja, de certa forma, no comando. Às vésperas de completar 50 anos o arquiteto carioca estava frente à frente com a maior oportunidade de sua carreira, afinal ele tinha diante de si a chance de criar uma cidade inteira, que passaria a ser a própria capital do país onde nascera. Ainda que Niemeyer tenha recusado o convite para desenvolver o plano urbanístico –o que ficaria a cargo de seu parceiro Lúcio Costa-, ele aceita criar os principais edifícios e se torna representante da entidade responsável pela elaboração dos planos de construção da nova capital (Novacap).
[Texto completo:]

Em 1958 é nomeado arquiteto-chefe de Brasília, transferindo-se para a cidade. Quando isto ocorre, já se encontravam em andamento os projetos para os prédios públicos (83 no total) e logradouros da nova capital, como o Palácio da Alvorada (residência oficial do presidente da república), o Palácio do Planalto (sede do governo federal), o Congresso Nacional, o Palácio da Justiça, a Esplanada dos Ministérios, a Praça dos Três Poderes e o Itamaraty. As ofertas de "comissões por fora" eram constantes e ele sempre as recusou. Chegaram a oferecer um cartório para a sua filha, o que ele também repudiou.
Quando perguntado pelo Marechal Lott se o edifício do Exército seria "clássico", Niemeyer respondeu com uma pergunta, sorrindo: "O senhor, numa guerra, o que vai querer? Arma antiga ou moderna?".

Com a construção de Brasília, Oscar Niemeyer passa a ser, definitivamente, o mais destacado representante do modernismo na Arquitetura brasileira, tendo como marca registrada a leveza das formas curvas e os grandes espaços livres. Contudo, um empreendimento de tal magnitude na carreira de um arquiteto extrapola a simples análise dos trânsitos e progressões envolvendo a sua trajetória pessoal, e pede que comecemos a nos debruçar mais atentamente na relação do homem com seu próprio país. Naquela fase de sua vida, Niemeyer era um dos brasileiros mais importantes do mundo (o que continua a ser, indiscutivelmente) mas, além disso, o braço direito do presidente numa arrojada missão.

Então, num primeiro momento, iremos nos ater ao contexto astrológico envolvendo Niemeyer e a construção de Brasília, para em seguida compreender a aliança com Juscelino e a inserção que tiveram na vida nacional.

No mapa acima vemos os trânsitos dos planetas lentos para Oscar Niemeyer entre a posse de JK, em 31.01.1956 e a inauguração de Brasília, em 21.04.1960.
Primeiramente gostaria de chamar atenção para o fato de no momento da posse presidencial Saturno estar sobre a cúspide da cada VII, indicando o compromisso e a missão que tinha assumido com o antigo “parceiro”, que o convoca novamente [note que Saturno natal de Niemeyer está na Casa X]. Ao longo do período, Saturno faria conjunção a Mercúrio e Sol natais; obviamente foi uma época de muito esforço e trabalho. Júpiter inicia fase ascendente ao cruzar o FC, marcando mudança de residência [casa IV], plenitude criativa [casa V], grande volume de trabalho [casa VI] e expansão de suas próprias capacidades e da dinâmica de suas parcerias [conjunção a Mercúrio e Sol na casa VII; JK, Lúcio Costa e uma série de outros colaboradores].
Urano passa a transitar pela sua casa III, indicando uma fase de deslocamentos incessantes entre o Rio de Janeiro e Brasília [conjunção com Júpiter e quadratura com a Lua] e também uma inédita e singularíssima oportunidade profissional [Urano em conjunção com o co-regente do MC]. Netuno [o outro regente do MC] estava em trígono com o zênite natal durante todo o período, revelando a “oportunidade de ouro”. Finalmente Plutão [co-regente da casa VI] estava recebendo conjunção de Júpiter, ressaltando a fase especial na vida profissional e o grande trabalho que tinha pela frente. Quando Brasília é inaugurada, Plutão chega ao FC de Niemeyer: o brasileiro havia sido decisivo na transformação política, geográfica e econômica do próprio país onde nascera. Certamente, aqui, Oscar Niemeyer era também um outro que não aquele de antes.
Niemeyer e Kubitschek

Não é qualquer dia que um presidente e um arquiteto resolvem construir juntos uma nova capital para o seu país no meio do nada. É claro que aqui caberia uma análise mais aprofundada do próprio Lúcio Costa, mas isto terá de ficar para uma outra oportunidade. Com relação ao mapa de JK, utilizei os dados fornecidos pelo Astrotheme: 12.09.1902, 14:00h [hora local], Diamantina/MG.

O mapa composto de Niemeyer e Juscelino apresenta uma poderosa conjunção entre Sol, Mercúrio, Vênus e Júpiter em Escorpião, na casa VIII. Percebe-se que há uma ótima sintonia entre a natureza de ambos, com afinidades intelectuais e estéticas além, é claro, de um potencial muito fecundo para a associação. Um Grande Trígono no elemento Água com a Lua em Peixes na XII e Netuno em Câncer na IV cria uma formidável conexão de espíritos, inspirações e sensibilidades. O Ascendente do composto é Peixes; Júpiter e Netuno estão em ótima posição.
Urano, sobre o MC da parceria, dá a medida do interesse em transformarem a realidade e construírem o futuro com ousadia. Indica também indica a confiança na "modernidade" e a pressa em tocar o mega-projeto, pois o interesse de JK era inaugurar Brasília ainda em seu mandato [note que a "pressa" já estava presente na realização anterior, Pampulha].

A ênfase em Água torna a questão do relacionamento entre os dois uma tarefa muito mais complexa e quando transpomos o Grande Trígono da dupla visionária para o mapa do Brasil as coisas soam, de fato, grandiosas. Como o triângulo fica sobre as casas I [Lua], V [Netuno] e IX [Sol, Mercúrio, Vênus e Marte – em conjunção com Marte do Brasil], percebe-se a dimensão dos papéis que desempenharam na vida da nação.
Como disse, ambos foram capazes de criar uma radical transformação político-geográfica (e conseqüentemente, econômica) do Brasil. Mas eu gostaria de chamar atenção principalmente para os detalhes desta “interferência criativa”.

A Lua, na casa I, denota certamente uma considerável identificação popular. Eles tinham, de fato, este interesse no homem simples e acreditavam estar beneficiando a população. Do ponto de vista da integração nacional, o sucesso da empreitada é fato. Netuno na casa V, torna evidente o impacto da imaginação, das esperanças, dos sonhos e do senso estético de Oscar e JK. Ambos cercavam-se de artistas, sendo o próprio Niemeyer um dos maiores. O presidente era bossa-nova. De fato, quando ambos chegam ao poder o país estava envolto numa aura fantástica de otimismo. Que duraria, de fato, apenas o mandato de Juscelino.
Finalmente, o GT é fechado pelo stellium em Escorpião que, em conjunção com Marte na casa IX do país indica a grande pujança de suas ações e metas. A repercussão no exterior foi evidentemente enorme. O Brasil, por sua vez, se embrenhava no próprio interior do país, no caso à maneira das jornadas sagitarianas [casa IX] e com o poder de finalidade escorpiano.
Dois detalhes importantes são a conjunção de Marte da dupla ao FC do Brasil e a de Saturno de ambos ao Ascendente do país. Em quadratura, ambos refletem o lado negativo do impacto que geraram. De certa forma, houve uma migração desenfreada e um discutível ônus político. Gastou-se bastante dinheiro também e o sistema ferroviário foi totalmente desprezado. Brasília ter sido concebida sem metrô, por exemplo, demonstrava uma falta de visão absurda.
Assim, a construção de Brasília suscitou grandes discussões internacionais desde sua construção. Mesmo antes do projeto, os preceitos do urbanismo modernista já estavam sendo criticados por sua grande dependencia no automóvel (em detrimento do pedestre), sua monumentalidade, e sua falta de uma escala próxima do homem. Hoje, apenas uma pequena parte da população total vive na área planejada. O crescimento da cidade não foi previsto e a instalação da nova população se deu de forma espontânea nas cidades satélites, mas consideraria o saldo geral incrivelmente positivo.

Mais ainda: o ponto médio da Lua de JK e Niemeyer está em oposição ao Sol do Brasil na casa VII e, ao que parece, isso tem ligação direta com a tentativa de mudar a visão da população do Brasil como uma bando de caranguejos arranhando o litoral [casa VII]. Urano está em Sagitário, mas em conjunção com Urano-Netuno do país, além do Ascendente Peixes estar próximo a Plutão. Ambos explicam a revolução política e migratória [casa XI], além da gastança [casa II]. No caso, como Urano está no MC dos dois utopistas-realizadores, vê-se que o foco era de fato mudar completamente a realidade social e administrativa do Brasil, no sentido mais amplo possível.
8. MILITARES ENTRAM EM CENA

Como é sabido, após o governo de Juscelino Kubitschek o Brasil entrou numa grave crise política que resultou no Golpe de 64. Entre 1961-63, Oscar Niemeyer publicou “Minha Experiência em Brasília”, foi nomeado coordenador da Escola de Arquitetura da recém-criada Universidade de Brasília, viaja ao Líbano a trabalho e torna-se membro honorário do American Architect Institute (EUA). Recebeu ainda o Prêmio Lênin Internacional da Paz, na UnB, concedido pelo governo soviético.
Em 1964, numa viagem de seis meses a Israel, quando criou a Universidade de Haifa e mais uma série de projetos, além de outra universidade em Gana, Niemeyer é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Retorna ao país em novembro, quando é chamado pelo DOPS para depor e reafirma seu apoio à Cuba.
No ano seguinte, demite-se da UnB com mais 200 professores, em protesto contra a política universitária.

Na figura acima vemos o instante em que teve início o golpe militar no Brasil (01.04.1964, 2:00am [hora local], Juiz de Fora) sobre o mapa de Oscar Niemeyer. Urano estava em conjunção aplicativa com Plutão, na casa IV do arquiteto. Se Niemeyer fora capaz de transformar radicalmente a geografia e a política do país ao participar decisivamente na criação de Brasília, a nação seguia agora radicalizando o seu próprio processo de “metamorfose”, principalmente depois que Urano e Plutão dirigiram-se à conjunção com o Sol do Brasil, nos meses seguintes.
De certa forma, podemos concluir que a oposição Lua-Vênus do golpe, por cair no eixo Ascendente-Descendente de Niemeyer, revela que um comunista como ele era um dos principais visados. Afinal, o arquiteto recebera o Prêmio Lênin no ano anterior e era filiado ao PCB. A Grande Cruz de abril de 1964 é praticamente angular para Niemeyer, incidindo sobre Saturno transitando pelo seu MC. Este quadro explica o convite para depor logo após o retorno ao Brasil. À medida que Urano e Plutão intensificava a oposição a Marte e Saturno natais, os militares passam a criar condições cada vez mais desfavoráveis para que pudesse desenvolver o seu trabalho.
Note que o Ascendente do golpe cai sobre a sua casa IX, assim como a conjunção Mercúrio-Júpiter estava em trígono com o Sol natal em Sagitário. A saída para Nimemeyer seria, inevitavelmente, o exterior, através de países e instituições com os quais desenvolveria suas “novas parcerias” [Sagitário/Casa VII].

A situação fica ainda mais insustentável e, em 1967, o arquiteto que colaborou na tentativa de criar uma nova concepção de administração e governo no Brasil decide exilar-se em Paris. Passa a trabalhar em diversos países europeus e árabes, realizando os projetos da sede do Partido Comunista Francês, da Universidade de Constantine (Argélia) e a editora Mondadori (Milão).

A imagem acima mostra o deslocamento dos planetas lentos entre o golpe militar e o fim de 1967 para o mapa de Oscar Niemeyer. Ao final daquela “primeira fase” do novo regime, Júpiter chegava ao FC do criador de Brasília, intensificando e acelerando as mudanças profundas ocorridas em seu país natal durante os anos 1964-67 e que têm relação direta com a conjunção Urano-Plutão e o trânsito de Saturno em Peixes.
Este foi certamente foi um dos momentos mais decepcionantes e trágicos de Niemeyer, apesar de seu sucesso no exterior. Com o passar do tempo e a radicalização do regime, suas esperanças de mudança social e redenção do proletariado vão se frustrando cada vez mais. A revista Módulo tem a sede destruída, seus projetos começam a ser misteriosamente recusados e clientes a desaparecer. No entanto, é neste triste contexto que sua vida e sua carreira entrarão em nova fase.
Plutão, em 1967 (ano do exílio), formava quadratura exata com a oposição natal entre o Sol e ele mesmo, fechando uma Grande Cruz com Saturno de origem. Urano, no FC, aplicava quadratura a Mercúrio, fechando seus contatos profissionais em sua terra natal [Casa IV, e tome-se ainda Saturno natal afligido, na casa X]. Urano ainda estava em quadratura com o Sol natal [mudanças de rumo]. Saturno em Áries, na casa X, formava trígono com Mercúrio natal. Netuno [co-regente do MC], na casa VI, um trígono com Saturno natal. As oportunidades de trabalhar em sua revolução arquitetônica pessoal não iriam cessar, assim como a enxurrada de prêmios e homenagens.

A progressão lunar de Niemeyer ao final de 1967 fornece dados importantes. A Lua passou sobre sua conjunção entre Netuno e o Nodo Norte e, naturalmente, formou oposição com Vênus e o Nodo Sul natais. Vê-se que o exílio também está diretamente ligado a este setor do mapa de Niemeyer, com suas utopias revolucionárias [Netuno-Nodo Norte] interferindo nos destinos de sua vida [Vênus, regente do mapa]. Estas oposições em seu eixo nodal de nascimento sugerem, como disse anteriormente, as idiossincrasias na vida de um arquiteto militante inserido no meio “capitalista”.

Sol e Marte progredidos faziam aspectos positivos com o Sol natal, favorecendo o prosseguimento de sua carreira e o contato com o exterior [casas IX e XI]. Sol e Marte progredidos também estavam em harmonia com Plutão natal, remediando consideravelmente o trauma de Plutão em trânsito fechando a Grande Cruz entre o Sol, Plutão e Saturno. Mercúrio, exatamente sobre Marte, ramificava as oportunidades de trabalho e diversificava o leque de nações e instituições com os quais viria a trabalhar.
9.EUROPA, ÁFRICA, ORIENTE MÉDIO
No início da década de 70, já com mais de 60 anos, recebe uma homenagem do American Architect Institute mas, em protesto contra a guerra do Vietnã, desliga-se da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos. Abre finalmente um escritório em Paris em 1972 e acompanha uma exposição sobre sua obra na Europa no ano seguinte.

No início daquele ano Júpiter [co-regente do MC] aplicava nova conjunção ao Sol natal, indicando a perspectiva de montar uma estrutura que permitisse atuar no exterior mais facilmente, formalizando de vez o fato de estar radicado no fora do Brasil. Uma oposição entre Saturno e Netuno muito próxima ao eixo Ascendente-Descendente indica a triste situação do exilado, cerceado no direito de trabalhar livremente em seu país [Satuno na casa I, em quadratura com Marte natal] e de estar em contato com seus amigos no Brasil [Netuno na casa VII]. Por outro lado, Netuno [co-regente do MC] estava em conjunção com Mercúrio, garantindo inspiração em alta e um mercado cada vez mais favorável no exterior.
Ao final de 1972, Urano na casa V aplicava aspectos positivos à oposição natal entre Sol e Plutão, estimulando sua produção criativa e, talvez, atenuando a decepção com os acontecimentos no Brasil, que na época se encontrava no auge da repressão. Júpiter e o Nodo Norte, em Caprícórnio, passavam sobre sua conjunção Vênus-Urano, ampliando seus horizontes profissionais e a fé no trabalho, bem como as parcerias profissionais.
Em 1976, morria Juscelino Kubitschek. Com isto, ia-se para sempre o parceiro de duas das mais importantes páginas de sua vida, Pampulha e Brasília.

Note que Mercúrio, Vênus e Marte estavam em posição análoga a Júpiter, Urano e Plutão no drama da perseguição e do exílio em 1967, envolvendo diretamente sua Quadratura T natal. Saturno aplicava quadratura à sua Lua em Touro, que também recebia uma oposição de Urano. A vida de um de seus amigos mais queridos chegava ao fim, alguém que era intimimamente ligado à sua trajetória pessoal de sucesso e com quem desenvolveu as mais ambiciosas esperanças. Urano, porém, estava em trígono com o MC e Júpiter sobre o Ascendente. A vida, claro, continuava, e oportunidades para seguir em frente em sua carreira não faltavam.
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