Oscar Niemeyer, 100 anos - Parte I
De Dimitri em Dez 13, 2007 | EmBrasil | 1 Feedback »

Recentemente eleito um dos nove maiores gênios vivos da Humanidade, Oscar Niemeyer, que completa 100 anos no dia 15 de dezembro de 2007, é sem dúvida uma das personalidades brasileiras mais importantes de todos os tempos. Conheça um pouco mais sobre este sagitariano, que é um dos maiores ícones da Arquitetura Modernista.
[Texto completo:]
Com Niemeyer, Política & Sociedade inicia em grande estilo uma seção mensal dedicada a aniversariantes de cada trânsito solar. Celebrando (embora nem sempre) quem nasceu aqui ou no exterior, analisaremos Mapas Natais, Trânsitos, Retornos Solares e Progressões tendo em vista desvendar personagens cativantes e suas trajetórias singulares.

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho veio ao mundo no dia 15.12.1907, às 16:53hs, no Rio de Janeiro. Nasceu na Rua Passos Manuel, em Laranjeiras, um logradouro que mais tarde receberia o seu nome de família, “Ribeiro de Almeida”, em homenagem ao avô que fora ministro do Supremo Tribunal Federal. O avô ministro sempre foi para ele um exemplo de honestidade e acabou decidindo largar o STF e viver de forma mais modesta. Ao morrer deixou para a família apenas a casa que construiu, não chegando a enriquecer. Contudo, sua casa era freqüentada por pessoas ilustres, como o ex-presidente Epitácio Pessoa. Vemos que Oscar Niemeyer nasceu no seio de uma família da elite carioca.
O arquiteto conta que sua consciência social começou aos sete anos [provavelmente com uma conjunção de Saturno a Plutão natal; seu mapa está logo abaixo], quando viu sua avó ordenar que a empregada negra tirasse um pano da cabeça porque "preto não usa isso".
A obra de Niemeyer é considerada uma das principais referências da Arquitetura Modernista. No início de sua formação ele sentia-se insatisfeito com o que via nas ruas, desejoso de uma transformação radical que cambiasse estilo e função.
“Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. Na época, todos procuravam as grandes constutoras. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão”.

Niemeyer sempre foi um inconformado. Ele possui o Sol em Sagitário em oposição a Plutão e em quadratura com Saturno, fechando uma Quadratura T angular com orbes muito estreitas. Esta configuração de aspectos denota uma personalidade extremamente crítica e contra o status quo, seja na Arquitetura ou na Política, por exemplo. Uma pessoa de fibra, obstinada e fazendo valer sua visão de mundo.
O centenário arquiteto era lutador de Jiu-Jisu e chegou a criar da fama de brigão, integrando aliás o Clube dos Cafajestes. Em seus escritórios sempre ocorreram festas de caráter mais "animado". Luiz Carlos Prestes criou um comitê metropolitano do PCB num deles.
"Todos nós temos dentro de nós um ser oculto que nos leva de um lado pro outro. Eu digo sempre que o meu é esse: ele gosta das coisas, gosta de mulher, gosta de se divertir, gosta de chorar, se preocupa com a vida. É um sujeito complicado, não é?"
Um desafeto histório de Niemeyer foi o paisagista Burle Marx. Durante as obras do complexo da Pampulha, em que trabalharam juntos, Marx reclamou de não ter sido pago pelo jardim projetado para a casa de Juscelino Kubitschek e o arquiteto ficou do lado do então prefeito de Belo Horizonte, acusando ainda o paisagista de ter plantado uma árvore em frente à casa, tapando a visão. Depois disto, as críticas mútuas foram ácidas. Em outra ocasião, ele e amigos fizeram um "cerco" à casa de Burle Marx para agredir um colega que lá se encontrava.
Quando já tinha 80 anos, estava saido de um restaurante depois de jantar e um sujeito gritava ofensas ao "socialismo moreno". "Atravessei o salão e o agredi. Separaram. Levara um soco e o sangue me corria pelo rosto". O homem é mesmo do barulho.

Ao longo de sua carreira, Niemeyer fez “alguns monumentos públicos, todos de protesto”, como o Memorial da América Latina em São Paulo ou o Memorial 9 de Novembro, em Volta Redonda, numa homenagem a três operários grevistas da CSN mortos durante conflito com tropas do Exército. Este último, aliás, foi parcialmente destruído por um atentado à bomba, no dia seguinte à inauguração. Niemeyer reinaugurou depois o monumento, mas fez questão de que as marcas da brutalidade permanecessem. O arquiteto pediu ainda que se colocasse a seguinte frase em uma placa: "Um monumento àqueles que lutam pela Justiça e pela Igualdade".
Com Lúcio Costa criou Brasília, depois tomada por militares que, naquela época, sabotaram tanto seu trabalho que o obrigaram a exilar-se por conta própria. É comunista convicto até os dias de hoje.
"Mas durante a ditadura, tudo foi diferente. Meu escritório foi saqueado e o da revista Módulo, que dirigia, semidestruído. Meus projetos pouco a pouco começaram a ser recusados. ‘Lugar de arquiteto comunista é em Moscou’, desabafou um dia à imprensa o Ministro da Aeronáutica".
Em suas entrevistas, palavrões são disparados a todo instante. Para ele, não há sentido para a vida: “no fim é tudo assim, nasceu, morreu e fudeu-se. Acho o otimismo uma coisa ridícula, uma coisa que não leva a nada. Nós não queremos o niilismo, mas queremos uma vida dentro do que existe, não é? É duro, mas existe realismo”. Quando perguntado hoje sobre o que lhe dá prazer, diz “o importante é a mulher, o resto é brincadeira”.

Falando em mulher, temos um bom mote para falar de seu Ascendente e de sua Lua, que se acham em Touro.
Oscar Niemeyer buscou, ao longo de sua carreira, inspiração “nas curvas da mulher brasileira” para dar beleza, sinuosidade e leveza às suas obras. A Lua, exaltada, está na casa XII, uma posição que costuma denotar extrema sensibilidade estética. Vênus [regente do mapa] encontra-se em Capricórnio e na casa VIII, caracterizando um indivíduo interessado em aplicar a inspiração artística no mundo concreto (no caso a Arquitetura, com suas leis e fórmulas estruturais), visando romper definitivamente com conceitos anteriores. Lua e Vênus estão em trígono, criando o canal efetivo para viabilizar a materialização de sua inspiração e sensibilidade.
"Os amigos e o próprio Niemeyer não escondem que a paixão do arquiteto pelas mulheres -'o complemento físico e espiritual do homem'- o levou a casos extra-conjugais. 'Não era fácil se afastar dessa atração irresistível'. Aventuras 'pelos caminhos do sexo' começaram na adolescência, nos cabarés. No escritório, ele e os amigos se divertiam, 'as mulheres compareciam'. Em uma festa em Paris, um amigo disse: 'No jardim, ninguém pode ir nu'. 'Mas foi na sala, nos quartos, no interior da casa, que a festa se realizou. Uma festa humana e cordial que só os surrealistas de Paris poderiam ter concebido'" (O Dia, 10.12.2007).
O fato é que seu primeiro escritório se localizava na rua Conde de Lages, entre os bairros da Glória e da Lapa, justamente onde havia as casas de tolerância onde a família o levou para se iniciar no mundo do sexo. A Fundação Niemeyer, que vai se mudar para Niterói em breve, fica lá.

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo. O Universo curvo de Einstein”.
“O mais importante, em todos os sentidos, é a liberdade”, revela o sagitariano Niemeyer como sendo seu lema. Para ele, o momento em que nasce a Arquitetura “é a forma nova, diferente, que deve criar surpresa... tem que haver fantasia, uma solução diferente”. Urano tem aqui um papel decisivo. Recebe um trígono da Lua e uma conjunção de Vênus, afinal Niemeyer é, sobretudo, modernista. É espantoso como, aos 100 anos idade, as obras que continue a fazer sejam tão atuais e arrojadas. Para muitos a sua grande obra-de-arte, o MAC de Niterói foi concebido há pouquíssimo tempo (outros preferem o Palácio da Alvorada). Sua Lua aplica ainda sextilhas para Netuno [mais um aspecto que ressalta os elementos artísticos], para Marte em Peixes [além de autoconfiança e assertividade, este é outro canal de concretização estética] e para o MC [reconhecimento público e, mais uma vez, uma via de realização das inspirações].
"De um traço nasce a Arquitetura. E quando ele é bonito e cria surpresa, ela pode atingir, sendo bem conduzida, o nível superior de uma obra de arte."
Uma quadratura entre Lua e Júpiter traduz o boêmio de sempre que, se “entrou na linha” após casar, sempre fez questão de se divertir bastante, com seus escritórios nunca primando pela "ordem" e sempre abertos para reuniões com os amigos.
Vênus em oposição com Netuno não desmente suas decepções com Brasília e a Barra da Tijuca, onde políticos e empreiteiros desvirtuaram os projetos originais em favor da especulação imobiliária. Em sua obra, há uma grande dose de utopia.
1. 1928, PONTO DE INFLEXÃO

No início da juventude Niemeyer foi um típico boêmio carioca, tão despreocupado com seu futuro que só terminou o ensino secundário através de um supletivo em 1928, ano em que completou 21 anos. Este parece ser um momento de virada em sua vida: casa-se com Annita Baldo, filha de imigrantes italianos, e só então passa a “tomar jeito”, ciente das responsabilidades que então tinha diante de si, decidindo trabalhar e ingressar na universidade. É quando entra na a oficina tipográfica do pai (de onde viria a ser demitido por passar o tempo inteiro desenhando) e começa os estudos na Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil.
Não consegui ter acesso às datas da formatura colegial e do casamento, mas a Fundação Oscar Niemeyer aponta que tais eventos ocorreram ano de 1928. Ora, como o período letivo termina sempre ao final de cada ano, supõe-se que ele tenha concluído os estudos secundários em dezembro, perto ou pouco depois de completar 21 anos.

Na figura acima, temos os trânsitos de planetas médios e lentos, entre 01.01.1928 e 01.01.1929, sobre o mapa de Oscar Niemeyer. Comecemos por Plutão, que no início daquele ano estava em oposição exata a Vênus [regente da carta em si e da casa XII], retornando logo em seguida à conjunção exata com Netuno [co-regente do MC], para finalmente voltar a seu movimento direto. Posto que Plutão tem grande relevância para Niemeyer, pois está angular e na Quadratura T natal com Sol e Saturno, percebemos a oposição ao regente do mapa [seis anos após ter iniciado oposição a Urano] revelando o clímax de uma tensão que permeou sua adolescência já que, se o fato pertencer a uma família com boa posição social servia de subsídio para se concentrar apenas nos prazeres pessoais e na própria liberdade, a boa vida que levava estava impedindo-lhe de amadurecer e ambicionar maiores vôos.
De modo que a conjunção de Plutão a Netuno natal deve ser entendida como a tomada de consciência sobre a necessidade de estabelecer um conjunto de circunstâncias que viabilizasse uma base para a profissionalização e a vida futura. Além de transformar a despreocupação em relação à capacidade de começar a prover a si mesmo o sustento [Vênus e Urano na casa VIII em oposição a Netuno na casa II], Plutão representou a mudança que vem através do amor e da dedicação a alguém, levando-o a se casar e a perseguir metas profissionais. No mapa natal de Niemeyer, Netuno está conjunto ao Nodo Norte, indicando que o padrão de vida hedonista [Vênus-Nodo Sul-Urano na casa VIII] tendia a ser desprivilegiado em prol de uma atividade que visasse a sobrevivência através da inspiração [Netuno-Nodo Norte na casa II]. Ao longo desta época, Plutão formava trígonos com Marte e Saturno na casa X. Como Netuno é co-regente da casa X e Plutão o é da casa VII, vemos uma fase crucial [Nodo Norte] criando uma sinergia entre carreira e casamento. Niemeyer segue sua intensa vida produtiva até hoje e Annita foi sua esposa até vir a falecer em 2004.

Ainda sobre esta importante fase de sua juventude tendo como ponto de inflexão o ano de 1928, vemos acima o deslocamento de Saturno, que em janeiro daquele ano já havia deixado Mercúrio [consciência da importância em concluir logo a escola secundária] para, ao final do período, chegar ao Sol natal, ativando a Quadratura T. O trânsito envolve a casa VII [matrimônio] e reforça a idéia de crise e necessidade de superação [oposição a Plutão e quadratura com Marte e Saturno natais]. A passagem de Saturno sobre o Sol também indica o compromisso em trabalhar, inicialmente, na tipografia do pai.
A figura que segue continua a fundamentar a análise deste verdadeiro “rito de passagem” que foi 1928. Em janeiro, uma conjunção entre Júpiter e Urano na casa X [o primeiro é co-regente da mesma e do próprio Sol] estava em quadratura com o Sol natal, reforçando a idéia de crise em relação ao futuro. É importante ressaltar que a casa X também diz respeito a matrimônios e uniões oficiais.

Os trânsitos de Júpiter em Áries costumam ser mais rápidos que a média e, naquele ano, ele chegou até sua Lua natal em Touro entre agosto e outubro. Ao passar pela casa XI, Júpiter ampliava a consciência sobre a importância de sua própria inserção social sendo que, ao tocar a Lua, corroborava a necessidade de mais abudância e segurança, o que irá perseguir através do casamento e da busca de uma carreira. Júpiter ainda aplicou trígono a Netuno em Virgem [ambos regentes do MC e da casa X], contribuindo decisivamente para uma atitude mais positiva em relação ao futuro. Todavia, este último aproximava-se do FC e começava então uma oposição ao MC; estava claro que o sucesso que viria depois teria de ser conquistado com incrível afinco, dado o atraso que vivia em função de sua displicência escolar. Urano, que em 1929 ingressaria em sua casa XI, aponta que sua "inserção social" [iniciada, enfim, por Júpiter] teria necessariamente um compromisso com a originalidade e, de certa forma, a própria modernidade. É quando matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes.
Finalmente, coroando nossa argumentação sobre este importante ano de 1928, vemos que o Eixo Nodal cruzou suas casas I e VII, fechando o período exatamente sobre o eixo Ascendente-Descendente. Niemeyer casara-se, e a partir de então seguiria sua singular e longeva trajetória na Arquitetura Moderna.

O Retorno Solar de Oscar Niemeyer para dezembro de 1928 é importante porque marca justamente esta “passagem” a que me referi. A breve análise que aqui farei dirá respeito apenas à carta em si, sem preocupações maiores com a transposição para a carta radical porque os trânsitos dos planetas lentos ao final de dezembro já foram mostrados. Nela, observamos Mercúrio e Saturno envolvidos numa estreita conjunção com o Sol na casa VI, apontando para o fato de que, no ano seguinte, sua preocupação com os estudos, o trabalho e a organização da sua vida, de modo geral, continuaria muito presente. Júpiter e Netuno [regentes do MC natal] estão em um trígono com o Sol [casas II, VI e X], representando uma conjuntura favorável para quem corria atrás do tempo perdido. Ainda que os trígonos de Júpiter e Netuno ao Sol sejam de orbes longas [Mercúrio e Saturno nem chegam a tomar parte], nota-se o estreito trígono entre os regentes de seu MC. O Ascendente do Retorno [Marte acompanha] cai exatamente sobre a cúspide da casa II, favorecendo a ênfase transformadora que Plutão aplicava àquele setor.

A Progressão Secundária tirada para aquele mesmo aniversário também é reveladora: o Sol progredido acabara de deixar para trás uma conjunção com Urano, e indica a busca pela reinvenção de si mesmo, iniciada provavelmente, antes mesmo de 1928. As oposições com Netuno e Nodo Norte natais, exatas, retratam novamente os temas discutidos mais acima, como a idéia de "crise" e falta de dinheiro. A partir dali, o Sol estaria em conjunção com Vênus radical [regente da carta de nascimento], sugerindo o início de um encontro consigo mesmo e de seu casamento, pontos de partida para seu desenvolvimento pessoal e profissional. A questão do casamento ganha ainda mais ênfase com a conjunção exata entre Lua e Vênus [este, o regente da carta de origem, lembre-se]. A oposição de ambos os astros a Júpiter aponta para o contexto fundamental de sua vida, naquele momento: se a consumação do matrimônio rompia a fase de bon vivant com as responsabilidades que ele passava a assumir junto à mulher que acompanharia sua monumental trajetória dali por diante, foi justamente o casamento o elemento que catalisou o início desta trajetória. Por fim, constatamos que em 1928 Marte e o MC progredidos estavam conjuntos, corroborando as diretrizes pessoais, matrimoniais e profissionais que Oscar Niemeyer incorporou desde então.
2. NO ESCRITÓRIO DE LÚCIO COSTA E CARLOS LEÃO

Entre os anos 1934-36 temos outra fase importante da vida de Oscar Niemeyer, que poderíamos chamar de sua “fase estagiária” na Arquitetura. Entre 1929 (entrada na universidade) e 1934 (formatura) não há nada de mais significativo mencionado em sua biografia, talvez porque sua transformação pessoal continuasse “em processo”. Nesta época, Saturno, domiciliado, passava por sua casa VIII indicando as lições da vida compartilhada e de sua própria metamorfose pessoal [lembre-se que Niemeyer tem Sol em oposição a Plutão], prosseguindo com suas importantes experiências acerca dos temas das casas II-VIII. Júpiter estava na casa XII, simbolizando a introjeção de um novo "estado de espírito" e certo entusiasmo, que redundaram no engrandecimento de sua própria experiência como indivíduo.
Ainda no segundo semestre de 1929, Júpiter chega enfim ao Ascendente e, provavelmente, seu progresso acadêmico começava a aparecer de forma mais evidente. Contudo, o homem não virou santo: quando estava na Escola de Belas-Artes, acordava toda manhã com o telefonema de um garçom do restaurante Lamas, onde adorava jogar palitinho. Matava aula para jogar futebol. Apesar disso, Saturno ingressa na casa IX de seu mapa natal em meados de 1932 e permanece neste setor até a sua formatura, período dedicado à sua formação acadêmica.

Em 1934 Niemeyer sai da Universidade do Brasil como Engenheiro Arquiteto e entra para o escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. Apesar de ter escolhido trabalhar de graça no novo emprego, foi a decisão acertada porque ele teve a oportunidade de adquirir enorme experiência, conhecer pessoas de inestimável valor para a sua formação e engajar-se em projetos importantíssimos.
No início de 1934, Saturno e o Nodo Norte estavam em conjunção, marcando o final de sua formação superior, numa profissão em que viria a ser realmente um dos maiores expoentes de todos os tempos. Urano, em trígono com o Sol natal durante todo o ano, indicava que finalmente ele conseguira a revolução que havia proposto à sua própria vida.
Durante 1934, Júpiter migrara da casa V [desenvolvimento de uma vocação e formação pessoal] para a casa VI, revelando a ótima oportunidade de trabalho que passaria a ter no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, no ano seguinte. Ainda no final de 1934, Saturno na casa IX aplicava sextil ao Sol natal e a Urano em trânsito [este em trígono com o Sol de Niemeyer]. Júpiter estava em trígono com Netuno e o Nodo Norte natais [condições favoráveis para a vida profissional] e em sextilha com Netuno em Virgem [ambos regentes do MC]. Oscar, então, já era um arquiteto com ótimas oportunidades diante de si e todo um futuro pela frente, pronto para trabalhar no melhor escritório carioca que existia, tendo em vista seu apreço pela Arquitetura moderna.

Entre 1935-36, a sua vida profissional dá um grande salto. Em 1936, participa da equipe que elabora, junto com Le Corbusier, o projeto do Ministério da Educação e Saúde.
“Recém-formado pela Escola Nacional de Belas-Artes, Oscar Niemeyer procurou trabalho no escritório de Lúcio Costa com o intuito de preencher as lacunas de sua formação acadêmica. Naquele momento, Lúcio, um atento observador da arquitetura colonial e de nossas tradições construtivas, já flertava com o movimento moderno, que tentava ganhar fôlego na Europa. Estava selado um encontro definitivo na vida de Oscar. O trabalho deu-lhe a oportunidade de ciceronear o arauto do modernismo, o franco-suíço Le Corbusier. Ele desembarcou no Rio de Janeiro, em 1936, com a expectativa de realizar finalmente sua primeira obra monumental: a sede do Ministério da Educação e Saúde Pública. Veio a convite de Lúcio Costa, funcionário público destacado pelo ministro Gustavo Capanema para projetar o prédio, que se transformaria em um ícone da modernidade, talvez a obra arquitetônica mais publicada no século XX” (Lívia Pedreira, “O Inventor de um Novo Mundo”).
O projeto do Ministério da Educação e Saúde (Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão, Lúcio Costa, e Ernani Vasconcellos segundo risco original de Le Corbusier), para Niemeyer, “mostrou para o povo e os governantes o que era a Arquiteutra contemporânea. A razão dos pilotis, do brise-soleil, da fachada de vidro, tudo isso”.

No início, o grupo de arquitetos brasileiros sabia que queria algo moderno para o prédio do MEC, mas não sabia como fazê-lo. Daí a insistência de Lúcio Costa para que Le Corbusier viesse para o Rio de Janeiro. Segundo o arquiteto Ítalo Campofiorito, “ele fica aqui por 15 ou 20 dias, muito pouco. Mas mudou a Arquitetura brasileira, criou o prédio mais importante do mundo, e o Oscar virou um gênio, o que não era, tanto que o Lúcio não sabia”. Niemeyer diz que “Le Corbusier chegou com aquela desenvoltura de chefe e tal, viu o projeto que o Lúcio tinha feito, preferiu fazer um outro, apresentou uma solução e o Lúcio aceitou. Nessa ocasião o Lúcio me chamou para trabalhar com ele para ajudar no desenho”.
Conta a história Campofiorito: “O Corbusier mudou o projeto e fez baixo, longo, com o gabinete do ministro olhando para o Pão-de-Açúcar. Mas não era possível porque a pressa do [ministro] Capanema era tão grande e ele exigiu que o Corbusier abandonasse o que queria porque o terreno ao lado era da prefeitura e o original era do ministério. Na véspera de embarcar [Le Corbusier] fez um croqui do prédio no terreno atual. Fez com má vontade e ainda disse na carta que assim não ia ficar bom, que assim ia ficar prejudicado o projeto. E vai embora. A equipe coordenada pelo Lúcio trabalha um ano e pouco e nesse meio-tempo acontece a história do papel”. Niemeyer conclui:
“Eu achava que o primeiro [projeto] era melhor. E um dia, não sei porque, eu fiz um croqui utilizando o primeiro. Peguei o primeiro projeto, atravessei o terreno, fiz a rua passar por baixo, abri e o Leão gostou. Quando o Lúcio chegou, o Leão disse: ‘Olha, o Oscar fez um projeto aí que tá bom’. Ele pediu para ver, e eu, como não tinha a menor preocupação, nem pensava em influir, tinha jogado pela janela e ele mandou buscar. Aí foi a primeira coisa, assim, que me impressionou no Lúcio, de correção, de generosidade. Ele viu, achou bom, e disse: ‘Vamos fazer esse’”.
Uma de suas principais intervenções no projeto original consiste na sugestão para que os pilotis tivessem dez metros de altura em vez de três. Estava criado, assim, o mito da monumentalidade da Arquitetura brasileira.

Saturno cruza o MC nos seus primeiros tempos no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, chegando a ficar entre Marte e Saturno natais na casa X ao final de 1936, depois do projeto do prédio do MEC (Edifício Gustavo Capanema) ter sido concebido. Júpiter transitou da casa VI à VIII, passando pela VII. Ali conheceu e começou a trabalhar com aquele que viria a ser seu parceiro maior, durante a construção de Brasília (Lúcio Costa). Quando entrou para o escritório, Netuno [regente do MC], aplicava trígonos para Vênus e o Nodo Sul na casa VIII, indicando não apenas a importância das parcerias profissionais que começou a fazer a partir dali (vide o grupo que concebeu o Capanema), mas também os recursos técnicos e a experiência de que dispunha estando naquele meio [casa VIII]. Ao final de 1936, Urano chegava à Lua natal, conferindo maior autonomia, independência e liberdade para suas criações estéticas e a imaginação arquitetônica [casa XII]. Ambos recebiam trígono de Júpiter, o outro regente do MC [e do próprio Sol].

A Progressão Lunar de Oscar Niemeyer para dezembro de 1936 traz os Ascendente progredido sobre Plutão [23º Gêmeos]. No ano anterior, portanto, o Descendente progredido estava sobre o Sol natal [22º Sagitário], pontuando o seu ingresso no escritório de Lúcio Costa, aquele que viria a ser seu grande parceiro. Como veremos mais à frente, o próprio Le Corbusier também será “parceiro” de Niemeyer, e a sextilha de Vênus progredida [casa IX] ao Sol natal, indica este primeiro contato além de, claro, reforçar a ênfase do Descendente progredido em conjunção com o Sol. A conjunção do Ascendente a Plutão, no caso, apontava para a transformação de si mesmo, já que sua participação -decisiva- no projeto do prédio do MEC o colocou vinculado para sempre a este que é considerado o marco paradigmático da Arquitetura moderna.
Mercúrio chegava para uma conjunção com o Sol progredido, indicando que Niemeyer estava aprendendo, e muito, com a experiência de seus colegas [casa VIII]. Por fim, a Lua cruzava o Ascendente natal, dando a idéia do início de uma “nova fase” em sua vida.

Seu primeiro projeto individual foi a residência Henrique Xavier (1936), e não chegou a sair do papel. Em 1937 constrói a Obra do Berço às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, que veio ao mundo causando polêmica. Encomendado por uma parenta e diretora da instituição, “marcou um pouco a minha posição na Arquitetura”:
“Eu fiz uma proteção de brise-soleil com umas caixas em que as verticais eram inclinadas. Eu fui viajar e quando voltei o prédio estava pronto, mas eles acharam que era engano, que a fachada não deveria ser normal, e o sol entrava no prédio. Eu me lembro que fiz o projeto de graça e ainda paguei a fachada nova com aqueles elementos verticais. É um fato sem importância, mas mostra que eu era um idealista, que eu queria fazer Arquitetura, que eu me sentia responsável pelo que fazia com relação à Arquitetura brasileira”.

Podemos dizer que por volta desta época a arquitetura de Oscar Niemeyer era essencialmente européia e fundada no racionalismo francês de Le Corbusier. Em 1939, viaja para elaborar com Lúcio Costa o pavilhão brasileiro da Feira de Nova Iorque, desenhado no ano anterior.

Entre 1938-40 vemos Júpiter cruzar as casas IX e X de Niemeyer; o arquiteto aprofunda-se filosófica e academicamente e tem a oportunidade de trabalhar no exterior. A parceria com Lúcio Costa se firma e ele passa a ser reconhecido como uma das maiores promessas da Arquitetura de seu tempo. É nomeado cidadão de honra de Nova Iorque pelo governador La Guardia. Saturno em Áries, contudo, aplica quadraturas com a conjunção Vênus-Urano, limitando e restringindo suas formulações arquitetônicas ao modernismo estritamente europeu, excessivamente funcional e retilíneo. Ao final do período Saturno está em trígono com o Sol natal e Niemeyer assume a função de arquiteto-chefe do grupo encarregado da construção do edifício do MEC, que vinha sendo elaborado há três anos.

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