Amazônia Ameaçada
De Dimitri em Jan 28, 2008 | EmBrasil | 5 feedbacks »

Plutão e a Amazônia
O Ciclo da Borracha
O Território do Acre
O Progresso e a Decadência
O "Milagre" e a Amazônia
Contrariando as tendências de diminuição do desmatamento da Amazônia em anos recentes, os dois últimos meses de 2007 trouxeram recordes na destruição da Floresta. Antes dos dados terem sido divulgados e, focado no mapa do Brasil, percebi que a entrada de Plutão em Capricórnio representaria um grande risco para o que ficou convencionado chamar (erroneamente ou não) de “pulmão do planeta”. O alerta foi feito no evento “Presságios 2008”, organizado por Constelar.
[Texto completo:]
Plutão e a Amazônia
Em primeiro lugar, é importante destacar que os trânsitos de Plutão no mapa brasileiro têm relação direta com as florestas nacionais e, como não poderia deixar de ser, com a própria Amazônia.
No mapa do Brasil Plutão encontra-se na casa II, um setor decisivo no que tange recursos naturais e biodiversidade. No caso, Plutão indica a magnitude e a riqueza de nossas florestas que, entretanto, tendem a ser convertidas em “motor do desenvolvimento” e em alvo das ambições econômicas.
A independência do Brasil ocorre paralelamente à entrada de Plutão em Áries. A passagem anterior de Plutão pelo mesmo signo, na segunda metade do século XVI, teve envolvimento sincrônico com a intensificação do tráfico e do uso de mão-de-obra escrava [que, todavia, não podem ser descolados do trânsito anterior, Plutão em Peixes]. No processo de construção da nação brasileira, existiu uma correlação fundamental entre o uso do braço cativo e, por exemplo, a destruição da Mata Atlântica para a criação de lavouras de café, no que hoje se convencionou chamar de “agronegócio”.
Nas primeiras décadas do “Brasil Livre” o principal circuito econômico girava em torno do comércio com a África, onde o país dominava amplamente o cenário que ia do Golfo da Guiné até Madagáscar. Neste circuito, traficantes e latifundiários estabeleceram um complexo sistema de crédito onde os produtores empenhavam a safra na aquisição de escravos, enriquecendo sobretudo os traficantes, que adquiriam os cativos no comércio com reis africanos. Basicamente, esta foi a estrutura de relações econômicas e sociais que engendrou a devastação das florestas brasileiras em grande parte do Brasil oitocentista.
No século XIX a Amazônia brasileira ainda se encontrava totalmente isolada do resto do Brasil, mas desde os primeiros anos após a independência, os Estados Unidos pressionaram o Império no sentido de garantirem a livre navegação do Amazonas. Com uma política cada vez mais agressiva, os EUA forçaram o Brasil a garantir o controle da região através da criação da Companhia de Navegação do Amazonas, pelo Barão de Mauá, em meados da década de 1850. Nesta mesma época a província do Grão-Pará e Rio Negro é desmembrada, surgindo a província do Amazonas.
Nem a Coroa Portuguesa ou o Império Brasileiro conseguiram implementar políticas que trouxessem “progresso” à região. Isto, todavia, iria mudar com o ciclo da borracha, gerando grandes correntes migratórias que permitiram a colonização, a geração de riquezas, profundas transformações sociais e culturais e um surto de crescimento em cidades como Belém, Manaus e Porto Velho. É nesta época que o Brasil incorporou o chamado Território Federal do Acre, que era parte do território boliviano.
O Ciclo da Borracha

O ciclo da borracha viveu o seu auge entre os anos de 1879-1912. No início do boom econômico que marca uma ocupação mais efetiva da região, com suas óbvias conseqüências -ainda que incipientes- do ponto de vista ambiental, Plutão em Touro estava sobre o FC do Brasil, em trígono com Mercúrio [dispositor do Sol] na casa VIII e em quadratura com o eixo Ascendente-Descendente.

Mercúrio natal do Brasil está em oposição a Plutão na casa II e revela aspectos importantes da utilização dos recursos naturais brasileiros [casa II] com fins econômicos e especulativos, aí inclusa a força de trabalho dos africanos [casa VIII]. O trígono entre ambos, ocorrido no surto da borracha, indica o surgimento de uma vultuosa atividade econômica diretamente vinculada ao desenvolvimento do capitalismo internacional em nossa “última fronteira”. Plutão, no FC, representa justamente a abertura desta fronteira e a transformação de seu caráter “adormecido”. Afinal, a Amazônia é o interior do interior do Brasil.

Nos anos seguintes ao início da grande fase do ciclo da borracha Plutão aplicou sextilha a si mesmo, já em Gêmeos e, na virada 1880-90, conjunção à Lua e Júpiter do mapa do Brasil. É durante esta época que temos um pico migratório em direção à região amazônica, com cerca de 500.000 nordestinos lá chegando para cobiçarem as riquezas proporcionadas pela borracha, mas também muitos estrangeiros, de todas as partes do mundo. O fim da escravidão contribuiu para este fluxo migratório.

O Território do Acre
Como resultado da corrente migratória para região os brasileiros acabaram entrando e se estabelecendo em território boliviano, o que gerou problemas entre os dois países. Em 17.11.1903, com o Tratado de Petrópolis, o Brasil comprou o Território do Acre por 2 milhões de Libras Esterlinas mais o compromisso de construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e um par de cavalos brancos, cedidos ao presidente vizinho.

No dia em que o tratado foi assinado o Sol aplicava conjunção exata ao MC brasileiro, seguido de Mercúrio, cuja importância na ocupação e na exploração da Floresta é significativa. Urano, que nos anos anteriores cruzara o MC e aplicara oposição a Lua-Júpiter, fechava uma Quadratura T com Mercúrio natal e Plutão em Gêmeos. Esta última configuração resume simbolicamente o litígio engendrado pela expansão territorial [Urano em Sagitário na casa X] com fins especulativos [Mercúrio em Virgem na casa VIII] sobre a Floresta [Plutão]. Note que Netuno já se encontrava em Câncer, aplicando trígono para Marte na casa IX [expansão territorial]. A Lua, sobre Marte, ressalta este último aspecto.
Recapitulando, o surto de ocupação da floresta está intimamente ligado ao processo extrativista da borracha, que se torna uma das principais atividades econômicas brasileiras com o trígono Plutão-Mercúrio. Como conseqüência, Manaus passou a ser a segunda cidade brasileira a possuir energia elétrica e outras cidades da região se desenvolveram.

A partir de 1907 começa a ser construída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, também conhecida como “ferrovia do diabo” por ter levado a vida de seis mil trabalhadores. O último trecho da ferrovia foi inaugurado em 1912, já no fim do ciclo da borracha. Sendo considerada uma clara tentativa de integração da região ao mercado mundial da borracha, marca a quadratura de Plutão para Mercúrio do Brasil. Note que Mercúrio rege os transportes.
O Progresso e a Decadência

Nesta época Belém e Manaus eram consideradas cidades brasileiras das mais desenvolvidas e duas das mais prósperas no mundo. Tinham energia elétrica, sistema de água encanada e esgotos. Avenidas foram construídas sobre pântanos aterrados, bondes elétricos trafegavam em suas vias e uma série de edifícios suntuosos (como o Teatro Amazonas) foi construída. A região amazônica era responsável então por 40% das exportações brasileiras. A renda per capita de Manaus era duas vezes superior a da região produtora de café (SP, RJ e ES). Os seringalistas recebiam em Libra Esterlina e a moeda circulava amplamente nas duas cidades.

Mas a ferrovia chegou tarde. A Amazônia já perdia o monopólio da exportação da borracha para a Malásia, Ceilão e a África tropical, posto que os ingleses piratearam as sementes oriundas da região para estes territórios. Logo a borracha produzida nesses lugares superou a brasileira, e o custo mais barato suplantou a nossa produção, estagnando o desenvolvimento local.

Em 1910, auge da quadratura entre Plutão e Mercúrio do Brasil, a borracha alcançou no mercado internacional sua maior cotação, tendo o Brasil exportado o equivalente a 50% da produção mundial. Em 1911, as cifras começaram a baixar, devido ao baixo preço oferecido pelo sudeste asiático; em 1926, a produção brasileira equivalia a apenas 5% do mercado. O volume de borracha cultivada, que em 1910 era de 8 mil toneladas, subiu para 360 mil toneladas em 1920. Mas a oferta da borracha pelos asiáticos deu origem a falências no Brasil, depois de 1913. Embora o governo federal, já em 1912, tentasse uma operação de salvamento com o Plano de Defesa da Borracha, os resultados foram insatisfatórios. A fome atacou a região. Muitos dos migrantes voltaram para suas terras, deixando para trás um território que voltou à letargia de meio século antes. Plutão chegava a Câncer e aplicava quadratura a sua posição original.
O "Milagre" e a Amazônia
Com a chegada de Plutão à conjunção com Mercúrio do Brasil, durante o regime militar, o Estado brasileiro passa a desenvolver um planejamento mais efetivo para a região amazônica por vários motivos. Pequenos produtores expulsos de suas terras no Nordeste e no Sudeste devido à modernização da agricultura precisavam ser assentados na Amazônia para o alívio de tensões sociais. A ocupação da região também visava dificultar o estabelecimento de movimentos revolucionários e evitar uma possível “internacionalização”. Órgãos de desenvolvimento regional foram criados, assim como rodovias, hidrelétricas e núcleos de colonização dirigida.

Nesta época a região vive outro boom migratório, com a garimpagem de ouro e diamantes, exploração do minério de ferro e bauxita e o estabelecimento da Zona Franca de Manaus. Na esteira do chamado “milagre econômico”, diretamente relacionado à passagem de Plutão [e Urano] pelo dispositor do Sol brasileiro e de Netuno pelo MC. Durante o milagre, Saturno esteve na casa II e aplicou conjunção a Plutão.

Com a chegada de Plutão em Libra no início da década de 70 e a oposição para sua posição radical, intensifica-se o ciclo de exploração que conhecemos hoje. A conjução de Saturno a Lua-Júpiter e a oposição de Júpiter-Netuno em Sagitário indicam um período de intenso fluxo migratório pelo país. Nesta época é deflagrada a Guerrilha do Araguaia, um movimento de insurgência contra a ditadura militar em plena região amazônica.
Basicamente, de lá para cá, a destruição da Floresta ocorre da mesma forma. A exploração começa com a apropriação indevida de terras públicas devolutas [casa VIII] e quem chega primeiro são os madeireiros irregulares. Eles entram nas terras de propriedade pública, abrem estradas clandestinas e retiram as árvores de valor comercial. Um levantamento feito pelo Ministério do Meio Ambiente indica que 80% da madeira que sai da região é proveniente de exploração criminosa de terras públicas. Uma madeireira dessas explora a mesma área por alguns anos. Quando a madeira se esgota, ela segue adiante, invadindo outra área pública.
O segundo momento da ocupação irregular da floresta é feito por um fazendeiro. Geralmente, esse grande proprietário já estava associado ao madeireiro. O que o fazendeiro faz é atear fogo à floresta e, sobre as cinzas, plantar capim para criar gado. Enquanto isso, o fazendeiro manobra politicamente para forjar documentos de posse de terra. Quando não há mais sinal de floresta, o pecuarista pode vender a terra para um sojicultor e ocupar outra área.

Esse modelo de ocupação predatório e paralelo à lei deixa um saldo de pobreza. Um estudo feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) junto com o Banco Mundial indicou que, nos primeiros três anos de exploração predatória de madeira, um município típico da Amazônia consegue obter uma renda anual de US$ 100 milhões. Nesse período dourado e fugaz, a atividade gera cerca de 4.500 empregos diretos, atraindo gente de outras regiões. Mas a madeira disponível acaba em cinco anos, aproximadamente. Com isso, a renda do município cai para US$ 5 milhões. A atividade que resta, pecuária extensiva, emprega menos de 500 pessoas. Depois do ciclo destrutivo, o município fica com uma população de desempregados e sem recursos naturais.
Assim, percebe-se o simbolismo envolvendo a oposição entre Mercúrio e Plutão no mapa brasileiro na ocupação e na destruição [casa VIII] da floresta amazônica [casa II]. Apropriações ilegais, ganância predatória e comércio clandestino constituem o ciclo de destruição, e em alguns casos exploração de mão-de-obra escrava.

Com a nova quadratura de Plutão consigo mesmo, exacerbada pela conjunção com Júpiter nos meses de novembro e dezembro últimos, constatamos que a Amazônia está mais a perigo do que nunca. O drama do aquecimento global faz com que tanto no plano interno como externo haja uma enorme pressão para que o Brasil entre num novo momento em relação ao tratamento dado à Floresta. E que a cobiça econômica será cada vez maior.
5 comentários
entender melhor nossa história, a
minha própria história com aquele
plutão na 4ª casa, e de minha própria
família.
Em todos os lugares se vê a ascensão rápida e decadência.... Piracicaba e Ribeirão Preto no estado de São Paulo e a cana de açucar...a mecanização da cana do plantio à colheita inchou as cidades de desempregados sem renda... O corte da madeira de reflorestamento nas proximidades de Botucatu...litoral da Bahia...todo mecanizado, inchou estas cidades de pessoas desempregadas....O Brasil está vivendo uma séria crise social com a mecanização do agronegócio em inúmeros locais...
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Um espaço para discutir as grandes questões do Brasil e do mundo com as técnicas da Astrologia Coletiva. Quem pilota o blog é o astrólogo e antropólogo Dimitri Camiloto, do Rio de Janeiro.