Tibet: a região inóspita que faz a China balançar (Parte III)
De Dimitri em Abr 21, 2008 | EmRelações Internacionais | 1 Feedback »

Em tempos de Júpiter e Plutão em Capricórnio, nada mais natural e até mesmo inevitável os Jogos Olímpicos de Pequim se transformarem num evento cercado de questões políticas e econômicas. A mobilização internacional em torno da causa tibetana vem sendo um tormento para o Comitê de Organização dos Jogos e o governo chinês.
[Texto completo:]

A passagem da tocha olímpica pelos cinco continentes é uma tradição que prepara o “clima” para os Jogos. Ainda que a cerimônia da tocha na Acrópole, em Atenas, não seja propriamente o início das Olimpíadas, ela representa a reta final da preparação para os Jogos.
As autoridades gregas adiaram para o princípio da tarde de hoje a chegada da chama Olímpica à Acrópole, em Atenas, enquanto em Pequim foram reforçadas as medidas de segurança para receber a tocha, na segunda-feira. O Comité Olímpico Grego adiou para as 15h00 locais a chegada da tocha olímpica à Acrópole, após um pequeno percurso pela capital grega, para evitar incidentes com apoiantes da causa tibetana (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1324112).
Primeiramente, analisemos o mapa da chegada da chama olímpica à Acrópole. A cerimônia foi adiada em algumas horas pela ameaça de protestos, seja de grupos e ONGs em prol da causa tibetana ou da seita Falungong, seja através do Repórteres Sem Fronteiras, que acusa a China de atrapalhar o trabalho da imprensa.
O Sol está exaltado em Áries, o Ascendente é Leão e a Lua está junto a Júpiter em Capricórnio [exílio e queda]. Note que o Sol é o regente da carta.

às 15:00h do dia 30.03.2008, em Atenas
A Quadratura T entre o Sol, seu dispositor em queda [Marte em Câncer], a Lua e Júpiter, sintetiza as tensões envolvendo a cerimônia grega e a trajetória da chama olímpica pelos cinco continentes. Se de um lado o adiamento da cerimônia indica o pretexto para que tudo ocorresse de acordo com a magnitude do espetáculo [Sol em Áries trígono Ascendente Leão], a Quadratura T revela o confronto entre o Comitê Organizador [Sol em Áries] e a população mundial, que por sinal está se lixando para a “fraternidade” do “espírito olímpico” [Lua-Júpiter em Capricórnio]. Marte deflagra o confronto em si.
Por outro lado, temos um Grande Trígono entre Saturno, Plutão e o MC. Já vimos que o trígono entre Saturno e Plutão em signos de Terra está ligado às revoltas tibetanas de 1959 e 2008. O trígono de ambos para o MC insinua que o percurso da tocha pelos continentes pode, sim, servir à causa do Tibet.

Vejamos agora uma comparação entre os mapas do último 10 de março e o da cerimônia grega. Mercúrio e Vênus estão muito próximos a conjunção Sol-Urano dos protestos tibetanos, assim como a Lua está em conjunção a Júpiter. Como vimos anteriormente, as sextilhas envolvendo Sol, Júpiter e Urano são aspectos muito importantes para a adoção da causa tibetana pelos outros povos do mundo. A cerimônia grega teve o poder de propagar ainda mais a causa, e conseqüentemente o périplo da tocha de servir a ela.

No início de sua viagem de 137.000 km, ocorreram protestos em Londres, Paris, San Francisco e Buenos Aires, sendo que em Paris a chama foi apagada e nos EUA o trajeto foi mudado na última hora, para despistar os manifestantes hostis. Antes, na Acrópole, a polícia teve de conter pessoas que gritavam “libertem o Tibet” desfraldando a bandeira tibetana. Também lá, membros da seita Falungong foram impedidos de entrar nas imediações da cerimônia. Dois mil policiais foram convocados para fazer a segurança da tocha em Atenas. Em virtude dos protestos da ONG Repórteres Sem Fronteiras, o Comitê Olímpico Helênico (COH) não permitiu a entrada da imprensa, e a cerimônia teve apenas a cobertura oficial.

Observem a comparação entre o mapa da China e o mapa da cerimônia grega. A Quadratura T entre Sol, Marte, Lua e Júpiter atinge de forma contundente os interesses de Pequim.

O Sol está em oposição ao stellium chinês em Libra, revelando que a trajetória da chama que ali se iniciava cria embaraços para o governo e o Comitê Organizador. Lua, Marte e Júpiter formam quadraturas com Mercúrio, Netuno e o Nodo Norte, sendo que Marte também está em quadratura com o Sol chinês, envolvido numa conjunção com Urano.
O Ascendente do evento grego está em conjunção exata com Marte chinês na casa VII, uma posição que está associada às tensas relações da China com suas regiões circunvizinhas. O MC do evento cai muito próximo ao FC chinês, atingindo um ponto sensível da carta chinesa. O Grande Trígono formado por Saturno, Plutão e o MC dão visibilidade à causa tibetana.
A viagem da tocha, que também passará pelo Tibet, ainda vai dar muito o que falar.

O dia 10 de abril foi especialmente difícil para Pequim e o Comitê Organizador. Numa inesperada condenação pública à violência no Tibet e à falta de liberdade de imprensa na China, o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), em discurso na capital chinesa, reconheceu que as manifestações populares contra os Jogos Olímpicos representam uma crise. As críticas estenderam-se ainda ao apoio diplomático e material aos governos do Sudão e de Mianmar. O presidente do COI lembrou à China de seu compromisso moral no tocante ao respeito pelos direitos humanos como condição para a China sediar a Olimpíada.

No mesmo dia, o secretário-geral da ONU, Ban KI-moon, anunciou que provavelmente não poderá comparecer à cerimônia de abertura dos Jogos por “problemas de agenda”. Ainda naquele 10 de abril conturbado, o Parlamento Europeu decidiu exortar os 27 líderes dos países da União Européia a tomarem uma decisão conjunta sobre o comparecimento à abertura dos Jogos, sugerindo um boicote caso Pequim não dialogue com o Dalai Lama. O presidente da Polônia já assegurou que não irá à cerimônia.

O 10 de abril foi mesmo de lascar. O serviço de inteligência chinês disse ter frustrado planos terroristas de um grupo da região do Turquistão Oriental –da minoria étnica Uigur, de orientação muçulmana- que pretendia atacar hotéis freqüentados por estrangeiros em Pequim e Xangai, além de prédios públicos e instalações militares. O seqüestro de atletas, jornalistas e turistas também estaria nos planos.

Onze dias depois da cerimônia em Atenas, a Quadratura T entre Sol, Marte e Júpiter ainda estava no Céu. Na carta em questão a quadratura entre Sol e Júpiter é exata e Mercúrio acompanha o Sol, tomando parte na configuração. A intensificação da tensão entre Júpiter e o Sol revela o problema político relacionado às Olimpíadas tornando-se “maior”. A presença de Mercúrio na Quadratura T [aspecto exato com Marte] dá ênfase às declarações de peso. Vênus em Áries e a quadratura com Plutão em Capricórnio indicam posicionamentos distintos onde há conflito.

Observe agora o trígono entre Marte em Câncer e Urano em Peixes, ativando a sextilha entre Júpiter e Urano. O trígono Marte-Urano é um aspecto ligado a mobilizações políticas e sociais de muita contundência e objetividade. Como mencionei anteriormente, Júpiter sextil Urano é um aspecto marcante nos protestos tibetanos de 2008. Temos, portanto, Marte “servindo” à causa da região anexada pela China.

Quando fazemos uma comparação entre os mapas do dia 10 de abril e o da China, novamente temos dados importantes. As posições do Sol, Mercúrio e Vênus fazem oposições para o stellium chinês em Libra. Mercúrio está em oposição exata a Mercúrio-Netuno da China e as declarações daquele dia foram de fato impactantes. Vênus [dispositor do Sol chinês] está em exílio e em oposição ao Sol de 1949.

Júpiter, por sua vez, está em seu sexto retorno; época em que a China vem consolidando a posição de super-potência e prestes a realizar o maior evento esportivo do mundo, com chances reais de liderar o quadro de medalhas. A Quadratura T envolvendo Sol, Mercúrio, Marte e Júpiter tensiona o retorno, ameaçando o sucesso dos Jogos. Marte está em quadratura com Sol, Mercúrio e Netuno da China. Os próprios chineses vêm realizando protestos contra a imprensa ocidental dentro e fora do país, e ainda na internet. Queira-se ou não, a politização da Olimpíada é inevitável.
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