Tibet: a região inóspita que faz a China balançar (Parte I)
De Dimitri em Abr 10, 2008 | EmRelações Internacionais | 5 feedbacks »
Um dos acontecimentos mais dramáticos dos últimos 30 dias ocorreu numa localidade relativamente remota, se estendeu e rapidamente ganhou o centro das discussões globais. Foi em Lhasa, no Tibet, onde monges protestavam no dia 10 de março contra a ocupação chinesa, em curso há quase 60 anos.

O 10 de março é considerado a “data nacional” tibetana porque, em 1959, houve um levante histórico contra a ocupação. Em 2008 –ano da olimpíada chinesa-, a data foi “comemorada” com protestos em diversas localidades do planeta, mas foi justamente em Lhasa, cidade controlada a mão-de-ferro por Pequim, onde os distúrbios se tornaram extremamente graves, gerando confrontos, mortes e destruição prolongados por dias.
Apesar da enorme censura exercida pela China, o mundo logo tomou conhecimento dos fatos e, numa espiral de críticas e indignações, fez ecoar seu repúdio à falta de respeito aos direitos humanos na potência oriental. Entenda esta história.
[Texto completo:]

Em primeiro lugar, vejamos o marco para o povo tibetano representado pelo levante de 1959. A data histórica apresenta um trígono entre Saturno em Capricórnio e Plutão em Virgem. Desta vez temos o inverso: Saturno em Virgem e Plutão em Capricórnio. No recente episódio, Plutão estava em conjunção muito estreita com a posição de Saturno em 1959, e vice-versa. Tem-se, então, um aspecto crucial para a compreensão da conjuntura atual dentro do processo histórico envolvendo o Tibet e a China.

O mapa da China possui uma conjunção entre Marte e Plutão no signo de Leão, na casa VII. Entre os significados passíveis de serem atribuídos, está o expansionismo chinês nas regiões circunvizinhas e a tensa relação com outros Estados e territórios fronteiriços, como Taiwan. O Tibet pode ser incluído dentro deste grupo de territórios e etnias, no qual constata-se uma série de litígios e invasões em função de uma política imperial imposta por Pequim.

A China, historicamente, sempre tratou o lamaísmo de forma estratégica, posto que através dele era possível controlar povos da Ásia Interior como os tibetanos e os mongóis. Na metade da década de 1770, com Plutão em Capricórnio, o Império Qing consumou a conquista da Mongólia, da Ásia Central e do Tibet. De lá para cá, apesar de um breve período de relativa independência entre 1912-50, o Tibet foi dominado por ingleses, russos e chineses.

Vejamos agora uma comparação entre o mapa da China e o da “data nacional” tibetana. Mercúrio em Áries e Saturno em Capricórnio de 1959 fecham uma Grande Cruz com o Sol e Urano da China. Esta configuração representa a força e os significados cultural e político do levante, tanto para Tibet como para China. Urano está em conjunção com Marte-Plutão, simbolizando uma [muitas vezes não-convencional] forma de resistência à dominação chinesa.

A quadratura entre o Sol em Libra e Urano em Câncer presente no mapa da China representa uma nova fase após os chineses darem a vitória a um regime revolucionário de natureza comunista [Sol-Netuno em Libra e na casa VIII], mas que logo se desgarrou da influência soviética em prol de um comunismo essencialmente chinês, ou melhor, maoísta [Urano em Câncer].
Urano, que é um dos regentes na carta natal da China contemporânea [Ascendente Aquário], tem como aspectos principais a quadratura com o Sol e quincúncios com Lua e Ascendente. As experimentações maoístas levaram o caos para a China através de políticas erráticas e convulsivas. A enorme população [Lua-Ascendente] sofreu imensamente com a fome e a miséria. Sem nenhum exagero, a Revolução Cultural (1966-76) levou o país a um estado de loucura e messianismo extremos [Sol-Mercúrio-Netuno-Nodo Sul].

Mas, em se tratando da quadratura entre Sol e Urano, vemos que a China possui um regime fortemente voltado para si mesmo e seus interesses. Pequim busca sempre “resolver as coisas à sua maneira”, de forma impositiva e arbitrária. Na seqüência da revolução de 1949, a China anexou o Tibet.
As outras duas pontas da Grande Cruz formada pela justaposição dos mapas da China e a revolta de 1959 originam-se neste último; trata-se da quadratura entre Mercúrio em Áries e Saturno em Capricórnio. Ela representa, isoladamente, a ânsia dos tibetanos em gritar a sua indignação contra a ocupação [Mercúrio em Áries] de um inimigo muito mais forte [Saturno em Capricórnio]. A Grande Cruz simboliza parcialmente a reação tibetana ao expansionismo chinês e as dificuldades do levante em conseguir vitórias concretas.
Sem levar em conta os eventuais Ascendente e MC para a revolta de 1959, os aspectos principais do Sol em Peixes são uma quadratura para Marte em Gêmeos e uma possível conjunção com a Lua. A quadratura Sol-Marte do levante sintetiza o episódio: a iniciativa desafiadora [Sol-Marte] de uma etnia oprimida e profundamente voltada para a religião e a espiritualidade [Peixes]. Inicitiva essa capaz de germinar idéias e propagar informação [Gêmeos]. O combate tibetano de meio século atrás é essencialmente espiritual e intelectualmente articulado.
Mercúrio, em Áries, tem a companhia de Vênus e o Nodo Sul. Percebemos, pois, que o levante tibetano ocorre quando a China passava por sua primeira inversão nodal. Por mais frágil e isolado que seja, a revolta de 1959 e sua conversão em data histórica coloca o Tibet com grande destaque nos destinos da China. O Norte Norte do levante faz conjunção exata com Mercúrio chinês e a Vênus tibetana está em oposição exata ao Nodo Norte da China. Temos, portanto, uma clássica oposição entre “eu” e o “outro”, através da ênfase na polaridade Áries-Libra.
As oposições entre Mercúrio, Vênus e os nodos em questão levam à tona uma experiência de “alteridade envolvendo a convivência” e, como sabemos, o Tibet permanece incorporado à China. Já a oposição entre Saturno em Capricórnio (1959) e Urano em Câncer (1949), dá pistas importantes. O Tibet, por sua forte tradição cultural [Saturno em Capricórnio] repleta de valores espirituais [Saturno em sextilha com Netuno], se contrapõe totalmente à natureza ateísta e totalitária da Revolução Chinesa [quadratura com o Sol e oposição com Urano chineses]. Note que Saturno e Urano são os regentes da China moderna e, a oposição entre ambos, caracteriza um aspecto ao qual a China é bastante sensível. Convém lembrar: Saturno e Urano já estiveram em oposição entre novembro e dezembro últimos e, entre os meses de setembro de 2008 e outubro de 2009, novamente estarão.

Outro ponto de destaque na comparação entre os mapas de 1949 e 1959 é a conjunção de Urano do levante para Marte-Plutão da China. Como vimos, parte do simbolismo de Marte-Plutão na casa VII está ligado às invasões e interferências chinesas nas regiões circunvizinhas. Mas, também, as fortes reações que elas causam. No caso tibetano, vemos que se trata de uma “reação diferente” [Urano], reação esta que não pode, evidentemente, ser dissociada das peculiaridades culturais da população envolvida, baseadas em princípios religiosos. Urano recebe trígonos de Mercúrio e Vênus em Áries, e esta via não-ortodoxa de resistência [Urano] viria a ser o canal de expressão da indignação e do desejo de recuperar a independência [Mercúrio e Vênus em Áries].
(CONTINUA)5 comentários
Muito oportuna a abordagem deste tema. Campion apresenta um mapa para a revolta tibetana e pode ser oportuno avaliar sua validade:
http://members.tripod.com/tra_nations/a_tibet.htm
Nesta carta o trânsito de Plutão aproximava-se de um grau da oposição com o M.C. no dia 10/03. Em 21/03 último a lunação ativou os ângulos desta carta juntamente com a oposição Marte/Plutão,formando uma grande cruz.
Outro fator que reparei pode estar associado ao ingresso de Plutão é a questão da perseguição e massacre de etnias, genocídio cultural,etc. No caso do holocausto dos judeus na Alemanha nazista, Plutão havia ingressado há dois meses em Leo antes da famosa "noite dos cristais". No massacre dos armênios,estava a zero graus de Cancer. Também em fins de 1516 estava no início de Capricórnio. Em fevereiro 1517 chegou o primeiro conquistador espanhol no México, abrindo caminho para a posterior vinda de Pizarro e o massacre do povo asteca. É para se analisar se procede essa relação através de pesquisas mais diligentes.
Um abraço,
Gerson
O horário sugerido por Campion é muito interessante e parece fazer todo sentido: se tomarmos a rebelião de 59 como tendo sido liderada por monges, é bem provável mesmo que tenha começado logo ao nascer do Sol.
Entre 06:30AM e 7:30 AM teríamos um Ascendente no final de Peixes [conjunção com a Lua] ou no meio de Áries [conjunção com Vênus]. Na média entre os dois horários tem-se Ascendente em conjunção com Mercúrio, que pelo post acima teria importância decisiva na rebelião e em sua perpetuação como data histórica.
De antemão pergunto a você se conhece um horário para o início das manifestações do último 10 de março, posto que será o mote da parte II desta análise. Desconfio que possa ter sido também pela manhã.
Um abraço!
Torço pelo breve fim desse conflito e pela liberdade dos tibetanos, claro.
Abs!
Luciane.
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