Muhammad Ali-Haj (2ª Parte)
De Dimitri em Jan 20, 2008 | EmRelações Internacionais | 1 Feedback »
7. Ali X EUA
8. A Reconcialiação e o Retorno
9. Lutando em Família
10. Novamente Campeão do Mundo
11. Ali, Astro do Cinema
12. Aposentadoria
13. O Mal de Parkinson

[Texto completo:]
7. Ali X EUA
1967 não seria menos conturbado. Num período inferior a dois anos, Muhammad Ali já havia colocado o título dos pesos-pesados em disputa nove vezes, o que indica uma agenda puxada para um campeão. Ali lutava nos EUA, Canadá, Inglaterra e Alemanha vencendo os oponentes e unificando categorias.

Não há como separar o auge do impacto de Muhammad Ali no convulsivo cenário dos anos 60 da conjunção-síntese dos eventos da época: Urano-Plutão em Virgem.

A título de simplificação, poderíamos dizer que a conjunção entre Urano e Plutão no signo de Virgem representou uma transformação e um confronto radical de hábitos, ordens as mais diversas e sistemas. Muhammad Ali, possuidor de um Grande Trígono entre Sol-Saturno-Urano-Netuno em signos de Terra emerge como uma das lideranças precoces de sua geração justamente quando a conjunção se formava no Céu.
Entre os anos de 1964-68, quando Urano e Plutão estiveram juntos, Ali se torna campeão mundial, derrota todos os desafiantes, unifica títulos, converte-se ao Islã e muda seu nome, ganha muita fama e dinheiro, é reconvocado para as forças armadas negando-se em seguida a lutar no Vietnã. Em 1967 especificamente, é proibido de lutar e tem o título cassado (por negar-se a ingressar no exército no ano anterior), além de casar-se novamente.

A conjunção Urano-Plutão mexeu em dois temas cruciais da sociedade norte-americana: o problema da cidadania dos negros envolvendo o que ficou conhecido como a “campanha pelos direitos civis” e a perda do orgulho em servir ao exército por parte de seus jovens, contrários à Guerra do Vietnã. Muhammad Ali esteve no centro desta conturbada fase da vida norte-americana.

No retorno solar de 1967 vemos Mercúrio [dispositor das casas II e XI] em conjunção exata ao Sol natal. Ali estava rico e havia conquistado uma sólida e vitoriosa carreira [casa II] e enorme projeção social, com conseqüências políticas diretas [casa XI]. Ambos tinham um trígono com a conjunção Urano-Plutão na casa II, reiterando o enriquecimento e uma identidade voltada para as mudanças sociais de seu tempo. Ali falava, e muito [Sol-Mercúrio]. Reclamava, acusava, combatia, liderava e demonstrava ter uma desenvoltura muito grande com o marketing e a autopromoção, além de uma teimosia e convicção impressionantes. Depois de Martin Luther King, Jr e Malcolm X, foi a maior liderança do movimento negro norte-americano de seu tempo. OAscendente do retorno solar cai sobre o Nodo Norte natal

Naquela época, Netuno aplicava sextilha para o Sol, caracterizando sua sintonia religiosa e étnica baseada em fundamentos de uma mesma origem em comum. Saturno, da casa VIII, fazia o mesmo, tornando Ali “convicto” de sua “transformação” e alicerçando a opção que inspirava sua vida através de um trígono com o próprio Netuno. Uma oposição de Júpiter em Câncer à conjunção Sol-Mercúrio revela um ritmo de vida intenso e acelerado. Mas o mesmo Júpiter, na casa XII, fecha um Grande Trígono com Netuno na IV e Saturno na VIII. Temos aqui um forte indicativo de convicção espiritual e emocional com as escolhas que fizera.

Porém, uma Quadratura T formada pela Lua em Áries, Marte em Libra [exilado] e Sol-Mercúrio simboliza a cassação do direito de lutar e dos seus títulos. Envolvendo as casas III, VI e IX, ela implica diretamente no direito de trabalhar [Sol na casa VI]. Por outro lado, o MC do retorno solar está sobre Júpiter natal e, numa outra ótica, a cassação era fruto justamente de sua opção pela independência e em defesa de suas convicções. Vênus estava em trígono com Júpiter natal e MC da revolução solar e Muhammad Ali viria a se casar novamente. Desta vez um casamento mais longo e quatro filhos.
No dia 28.04.1967 em Houston (Texas), Muhammad Ali compareceu a uma audiência no exército tendo em vista sua negativa em ingressar às tropas que lutavam no Vietnã. Após ser chamado pelo nome de “Cassius Clay” três vezes, Ali continuava a se recusar a dar um passo à frente, na apresentação. Um oficial advertiu-o de que estava cometendo uma falta passível de cinco anos de cadeia e multa de dez mil dólares. Em seguida, Ali novamente não se mexeu quando seu nome de origem foi pronunciado. No mesmo dia, a Comissão Atlética de Nova Iorque suspendeu sua licença para lutar. Outras associações estaduais seguiram a mesma decisão. Depois de ser cassado como boxeador federado, Ali fez duas lutas de exibição, ainda em 1967.

Em 1967, intensificava-se a oposição de Netuno em Escorpião na casa IV à conjunção Saturno-Urano na X. A conversão religiosa de Ali, ligada a suas raízes étnicas e que forjou uma nova identidade [Netuno na casa IV], entrava em choque com suas “responsabilidades civis” [casa X] ao negar-se a atender pelo nome de registro e a ingressar nas forças armadas. Sua carreira profissional também era atingida.

Dois meses depois do episódio acima, um júri declarou Ali culpado numa rápida sessão. Ele ganhou a sentença máxima. Depois de uma corte de apelação revogar a prisão, o caso foi para a Suprema Corte. Neste período, crescia a oposição popular à guerra e o apoio ao pugilista. Ali então montou um restaurante chamado “Champburguer” e passou a dar conferências em universidades pelo país. Joe Frazier, que ganhou o título dos pesos-pesados durante o impedimento de Ali, ajudava o colega de profissão dando assistência financeira.
Como vimos, a Quadratura T do retorno solar de 1967 entre Sol, Mercúrio, Lua e Marte envolve as casa III, VI e IX. Ali ficava proibido de lutar não apenas em seu país, mas também no exterior (a Associação Mundial de Boxe seguiu a determinação norte-americana) e corria sério risco de ir para a cadeia se a Suprema Corte o condenasse no julgamento ainda por ser marcado. A longa espera era um tormento.

Na ocasião, Ali estava convicto de que estava no seu direito de não lutar na guerra em virtude de sua doutrina religiosa, o que seria um direito garantido em lei pela Constituição norte-americana. Durante três anos e meio Muhammad Ali não pôde lutar, adquirindo respeito e ódio da sociedade norte-americana.
Na vida privada, desta vez a noiva era Belinda Boyd que já era muçulmana. Ali fez com que ela mudasse o nome para Khalilah Ali após o casamento, mas a família e os velhos amigos continuaram a chamá-la pelo nome original. Seus filhos receberam os nomes de Maryum (1968), Jamillah e Liban (1970) e Muhammad Ali Jr. (1972). Os dois casaram-se em 17.08.1967 e Belinda tinha apenas 17 anos.

Ali adquire o matrimônio com o Sol outra vez sobre o Ascendente, mas desta vez acompanhado de Júpiter e Mercúrio. Belinda une-se a ele e passa a seguir a religião islâmica de modo ainda mais rigoroso, por influência de seu marido. Saturno [co-dispositor da casa VII] estava na casa IX e em trígono com Mercúrio-Júpiter, indicando a importância da questão religiosa para a consumação do casamento. Marte, na casa IV, estava em conjunção ao FC e Netuno e os três recebiam quadraturas do stellium em Leão. Assim, estava fechada uma Grande Cruz com Saturno-Urano e os planetas em Aquário, nas casas VI e VII. Esta configuração sugere um certo radicalismo religioso permeando o lar e a família do novo casal, além do impasse envolvendo a suspensão do direito de trabalhar. Induz a pensar ainda que, naquele momento, Muhammad Ali se sentia como um guerreiro aprisionado e cheio de cólera, posto que tinha sido impedido de continuar a sua gloriosa carreira [Marte em conjunção com Netuno e o FC]. Júpiter [dispositor das casas V e VIII] estava muito próximo ao Ascendente e, junto a Mercúrio, condiz com a prole numerosa de Muhammad e Khalilah.
Vênus em Virgem aplicava trígono exato ao MC, assinalando a intenção de se casar. Uma quadatura também exata com Júpiter natal sugeria [junto com os outros aspectos, especialmente o modo tenso como Marte-Netuno se apresenta] a possibilidade de que viesse a ter casos extraconjugais. A Lua, sobre o Sol natal na noite do casamento, dá a dimensão de um “novo começo”. Vênus, em conjunção com Plutão e o Nodo Norte natal, passa a mesma idéia, principalmente em se tratando de um casamento [Lua e Vênus]. Marte natal, por sua vez, recebia a conjunção do Nodo Norte, abrindo caminho para uma nova experiência como marido e homem.
8. A Reconciliação e o Retorno

No final de 1970 Ali estava perto de completar 29 anos (não competia desde os 25) e a Suprema Corte enfim aceita, pressionada pela opinião pública, a justificativa de que Muhammad Ali poderia abster-se de lutar na guerra por suas convicções religiosas, e o absolve. Sem entrar nos ringues nos anos de 1968-69, ele chegou a dar 4 exibições em 1970. O grande retorno, quando venceu Jerry Quarry por nocaute no terceiro assalto, ocorreu em Atlanta, em 26.10.1970.
A cidade de Atlanta fica no estado da Geórgia, tradicionalmente conhecido pelo racismo e como símbolo da resistência ao movimento pelos direitos civis. Como lá não havia uma federação estadual de boxe Ali podia lutar, o que nos estados com federações não era permitido. De qualquer modo, com a absolvição da Suprema Corte o fim do veto das federações e demais associações de boxe era questão de tempo.
Muhammad Ali aproveitou-se do fato de Jerry Quarry ser branco -ele era chamado de “a última esperança branca” no boxe- e investiu pesado no marketing da luta tendo em vista dar uma conotação de confronto racial. Colocando mais polêmica no evento, a luta seria na Geórgia, tornando-se também uma espécie de ato político. A casa onde Ali estava hospedado chegou a ser alvo de tiros. Ali voltava aos ringues mais provocador e abusado do que nunca.

Na noite da luta, Lua e Plutão aplicavam conjunção com Netuno e estabeleciam um trígono com o Sol natal. Ali renascia para o boxe. O pugilista passava por seu primeiro retorno de Saturno, naturalmente ocupando a casa X e envolvendo sua conjunção Saturno-Urano natal [Saturno é dispositor do Sol na casa VI [trabalho] e da casa VII [confrontos e adversários]. A passagem do Nodo Norte pela casa VII sinaliza a liberação (praticamente garantida, depois da absolvição na Suprema Corte) para voltar a enfrentar adversários e competir. Uma conjunção Marte-Urano [liberdade para um atleta] em que o último formava trígonos com Lua, Mercúrio e Júpiter reitera o momento favorável. Sol, em conjunção exata com Mercúrio [dispositor das casas II e XI], indica o prenúncio de nova fase em sua vida material [II] e o fim do litígio envolvendo as associações profissionais de boxe [XI]. Uma conjunção entre Júpiter e o FC natal e uma outra entre Vênus e Netuno na casa IV representavam a vitória final da opção étnica/religiosa de Muhammad Ali. Vênus-Netuno posiciona-se harmonicamente diante do Grande Trígono de Elemento Terra nas casas II, VI e X.
Nos dias que antecederam a luta Marte aplicou conjunção a Plutão e a Netuno natal de Ali, revelando as tensões e o atentado sofrido em Atlanta. Restava ainda, entretanto, o OK da Associação Mundial de Boxe, que viria no ano seguinte.
Finalmente no dia 08.03.1971 Ali pôde desafiar o campeão que lhe ajudara financeiramente, Joe Frazier, e disputar novamente o título mundial, que lhe havia sido tomado.
A promoção envolvendo o combate -afinal, Ali estava de volta e invicto há dez anos e Joe Frazier também nunca havia perdido- foi a maior até então, sendo chamada da "a luta do século". Cada lutador embolsou US$ 5 milhões (uma soma inédita), mas o ônus final foi de Ali, que sofreu ali a primeira derrota de sua carreira.
Frazier, que ajudara Ali durante a interrupção das lutas fazendo comerciais com ele e mantendo-o no meio profissional do boxe, recebera na época elogios do ex-campeão, dizendo que seriam amigos até a velhice. Mas quando a luta foi marcada, tudo mudou. Ali manteve o velho estilo de provocações desancando Frazier, que não tinha um décimo da desenvoltura do rebelde pugilista. O relacionamento entre ambos rapidamente se deteriorou.

Ali apelidou Frazier de "Uncle Tom" (um ajetivo altamente pejorativo entre a comunidade negra) e disse que se qualquer negro apoiasse seu rival seria um traidor da raça, posto que Frazier tinha vários brancos em seu staff. Ora, quem traiu foi Ali [traições cabem muito bem para um tipo como ele, vide a Quadratura T entre as casas VI, IX e XII].

Frazier, irado, treinou como nunca. Numa luta brutal, Frazier ganhou por pontos após quinze assaltos, uma decisão unânime dos jurados. Ia por terra uma invencibilidade de 31 lutas em quase 11 anos. Ali admite que na preparação da luta foi arrogante e displicente e “perdeu por se preocupar em falar mais do que treinar”.
Vejamos agora os trânsitos da luta. A bolsa altíssima e inédita que Ali faturou está intimamente relacionada à passagem de Plutão sobre Netuno, na casa II, ativando o Grande Trígono natal. Mas, além do dinheiro, Ali levou apenas uma grande lição e a primeira derrota nas costas.

A Lua estava no final da casa XII na noite do combate, aproximando-se do Ascendente. O ego de Ali estava em alta. Esta luta, a que teve o trânsito do Nodo Norte mais próximo da cúspide da casa VII e de Vênus, teve o oponente como vencedor, o primeiro boxeador a derrotá-lo. É interessante observar este evento específico de sua carreira tendo em vista a antiga amizade entre os dois, que azedou, e a língua solta e provocadora de Ali, simbolizada pelo stellium em Aquário. Uma das grandes lições de sua vida, sem dúvida. A invencibilidade é, para o boxeador, algo compárável simbolicamente à própria virgindade. Saturno, na casa X, estava seriamente afligido pela Lua, o Eixo Nodal e em tensão com o stellium em Aquário. Marte, em quadratura com Plutão e Netuno natal estava na casa V, indicando arrogância e Vênus na casa VI em quadratura com Marte natal insinua uma preparação física aquém do necessário.

Em 1971, já liberado pelos tribunais desportivos, Ali vence Jimmy Ellis em 26 de julho e torna-se campeão da Federação Americana de Boxe. No dia em que volta a ser o campeão nacional, o Sol estava em conjunção com Plutão e a Parte da Fortuna, ressaltando sua agressividade e a fome de competir e vencer. Plutão em Virgem, por sua vez, seguia fazendo conjunção a Netuno natal, tendo a companhia da Lua. Lembre-se que no retorno de Ali ao boxe, na Geórgia, também havia Lua-Plutão sobre Netuno. Em suma: outra ativação importante de seu Grande Trígono.

Júpiter, na casa IV, aplicava oposição exata a Urano natal, sendo um aspecto importante numa luta de boxe posto que é capaz de liberar uma tremenda fonte de energia. Um circuito poderoso de aspectos harmônicos envolvia esta oposição, conectando-a com o Sol natal, Lua-Plutão e Netuno, além de Vênus em Câncer.
Mercúrio na casa I, num trígono com Marte natal, sugere preparo físico, agilidade, rapidez e boa variação de golpes. Marte, sobre a cúspide da casa VII e Vênus, dá a exata dimensão da importância da luta. Ali venceu por nocaute no décimo assalto.
Marte, em conjunção exata com Vênus e a cúspide da casa VII, sinalizava o importante combate. Lua e Plutão estavam sobre Netuno natal [a luta certamente lhe rendeu um bom dinheiro] e o Nodo Norte estava sobre a conjunção Lua-Mercúrio. Ali, enfim, reencontrava aos poucos o caminho das grandes vitórias.
9. Lutando em Família

Na noite de 1º de julho de 1972 Muhammad Ali viveu um episódio inusitado, quando fez uma exibição contra o próprio irmão, Rudy Clay, que é dois anos mais velho. O início da década de setenta marca, como já vimos, a conjunção de Plutão a Netuno natal na casa II, quando Ali passa a fazer um sem número de exibições, ganhando muito dinheiro. Na verdade, o showbizz esportivo havia se desenvolvido bastante desde o início de sua carreira e o pugilista desfrutava de sua popularidade para encher o caixa.

A exibição de Ali contra seu irmão marca o final da conjunção exata entre Plutão e Netuno natal e, por conseqüência, do trânsito de Plutão por um signo de Terra [Virgem] e dos momentos mais marcantes da passagem do planeta pelo Grande Trígono natal do boxeador. É importante ressaltar que o Nodo Norte aplicava conjunção ao Sol natal, formando trígonos com Plutão em Virgem e Netuno na casa II e este é um momento importante para a compreensão da trajetória de Ali no período.

Nas olimpíadas de Munique, naquele mesmo ano, atletas negros subiram ao pódio com luvas pretas e punhos cerrados em protesto. O grupo Panteras Negras dominava a cena da luta pelos direitos civis. Por outro lado, Muhammad Ali está cada vez mais envolvido com o showbizz e os grandes negócios esportivos. Milionário e uma referência no movimento de resistência negro ele era, no entanto, cada vez mais parte do próprio sistema. De qualquer modo, o envolvimento de Plutão e do Nodo Norte no Grande Trígono natal de Ali revela transformações envolvendo os rumos e os significados pessoais atribuídos a sua própria vida.
Outro Grande Trígono aparecia no Céu de Ali: Urano em Libra e uma conjunção Vênus-Saturno em Gêmeos [Vênus é dispositor da casa III]harmonizavam-se com o stellium em Aquário. É interessante observar que Vênus-Saturno em Gêmeos envolve a "luta" com seu irmão. Obviamente que este era um "combate" em que todos ganhavam. Contudo, Vênus-Saturno está em quadratura com o Eixo Nodal e a Lua em Peixes.
O Sol estava em Câncer [família] em oposição a Júpiter em Capricórnio [negócios], também simbolizando a "briga entre irmãos" em prol do faturamento a ser embolsado. Urano na casa III [irmãos] recebia quadratura do Sol. Finalmente, Mercúrio-Marte em Leão, outra combinação que alude a "conflitos" entre irmãos, estava sobre Plutão e Parte da Fortuna na casa XII, sendo a conjunção de Mercúrio, exata.

Ao longo de 1972-73 Muhammad Ali ainda faria muitas outras exibições, além de combates “oficiais”. Ele foi capaz de suportar 12 assaltos com o maxilar quebrado numa luta com Ken Norton, em 31.03.1973. Esta luta abre uma fase da carreira de Ali na qual Urano aplica quadratura ao Sol natal. Com mais de 30 anos, o boxeador enfrentava rivais cada vez mais jovens [Urano, co-dispositor da casa VII] em combates onde a tática principal era assimilar o maior número possível de golpes para fazê-los se cansarem e, nos últimos rounds, reverter o quadro. As seqüelas de “boxeador tardio” viriam mais tarde, na década de 1980. Não importa: Muhammad Ali queria recuperar o título cassado em 1967 a qualquer custo.

A maré não era das melhores. Ali torcera o tornozelo tentando "revolucionar" o jogo de golfe tentando acertar o buraco com a bola em movimento, o que prejudicou seriamente a sua preparação. Ali acabou levando um soco no queixo quando estava com a boca aberta, no segundo assalto. Resultado: quebrou o maxilar e dois dentes da parte de trás de sua arcada. Mesmo resistindo até o final, perdeu por pontos e, pior, para um lutador inexpressivo tecnicamente e desconhecido, mas com um soco muito potente. Imediatamente após o combate, Muhammad Ali foi pra mesa de operações, numa cirurgia que levou 90 minutos. Para muitos, a carreira de Muhammad Ali havia chegado ao fim.

Saturno [dispositor do Sol] fazia uma estreita quadratura com o Eixo Nodal de nascimento, cujo Nodo Sul recebia a companhia da Lua e de Mercúrio. Um sério acidente envolvendo a parte óssea e sua carreira entrava numa encruzilhada. Uma conjunção entre Marte Júpiter, na casa VI, fechava uma Quadratura T com Marte, Plutão e Parte da Fortuna natais, indicando os acidentes que ocorreram antes e durante a luta, além da intervenção cirúrgica. Com Marte em Aquário, a Quadratura T era exata. Já vimos que a quadratura que Urano começava a formar com o Sol natal indicava uma fase em que as lutas castigariam cada vez mais a saúde do pugilista. Das dez lutas entre as derrotas para Frazier e Norton, todas foram contra lutadores inexpressivos. Ali estava cada vez mais desacreditado.
10. Novamente Campeão do Mundo

Tido então como um atleta ultrapassado e com seqüelas inegáveis do combate anterior, Ali teria sua revanche contra Ken Norton pouco mais de seis meses depois, vencendo por pontos após doze assaltos. Ganhou outro confronto em outubro de 1973 e, no ano seguinte, faria a revanche contra Joe Frazier, que já não detinha mais o título de campeão mundial dos pesos-pesados.
Se três anos antes tinham faturado US$ 5 milhões, desta vez levariam apenas US$ 850 mil. Apesar de Frazier ter vencido Ali no combate anterior, seu rim ficou muito avariado e ele teve de ficar três semanas no hospital. Além disso, os socos de Ali trouxeram problemas permanentes em sua retina ocular. Ali, por sua vez, estava recuperado da fratura no maxilar mas sabia já não ser o mesmo de antes da interrupção de sua carreira.
Numa entrevista coletiva ao vivo, o também capricorniano Frazier alfinetou Ali sobre o fato de ter ido para o hospital com o maxilar e os dentes quebrados. Ali respondeu que teria ficado no hospital por apenas "dez minutos" enquanto que ele mesmo havia mandado o rival para o mesmo lugar por três semanas, chamando-o de "ignorante".
Ali venceu Frazier por pontos após doze rounds, usando a tática de assimilar os golpes do adversário para cansá-lo e, em seguida, disparar golpes cheios de técnica e chegar à vitória. Muito consciente, sabia exatamente que fazer para batê-lo no ringue. O veterando pugilista vencia outro da nova geração e exorcizava o fantasma de sua primeira derrota, assim como fizera com Ken Norton. Além disso, tornava-se apto para desafiar o então campeão mundial, George Foreman.

Esta importante vitória, crucial para a guinada final rumo ao título, teve Marte sobre o MC de Ali. Mas a configuração de maior destaque é um Grande Trígono formado por Mercúrio e Júpiter em Aquário, Saturno em Gêmeos e Urano em Libra. Veja que Saturno e Urano, planetas cruciais para Ali, estavam em trígono. Júpiter aparece em conjunção exata a Vênus e a cúspide da casa VI. Tem a companhia de Mercúrio. Caso clássico de sucesso envolvendo as interações Vênus-Júpiter envolvendo os ângulos, revela ainda uma habilidade cada vez maior de Muhammad Ali se fazer valer da experiência e da lua tática contra os adversários a sua maior maior arma, ao invés de se colocar como o "demolidor" antes, já que o peso da idade era inegável: o pugilista tinha 32 anos e competia num esporte onde a longevidade atlética é exceção. Ali precisava usar cada vez mais a inteligência, planejar as lutas em função dos adversários e vencê-los mais pelo cansaço e pela malandragem do que pela força de seus golpes. A técnica tornava-se cada vez mais indispensável.
Este Grande Trígono entre as casas III, VI e XI demonstra ainda que Muhammad Ali vivia uma fase de amadurecimento e equilíbrio, lidava com os meios de comunicação e sua inserção social com maior sabedoria e habilidade. Netuno, que poucos anos antes entrara em Sagitário, favorecendo novas percepções da espiritualidade e da religião, aplicava oposição a Júpiter natal na casa X. É certo que sua visão do Islã começava a mudar.
Dois aspectos devem ser levados ainda em conta. Saturno em Gêmeos formava uma quadratura exata com Netuno na casa II. A luta em si foi um acontecimento mundial, sucesso de marketing e promoção [Grande Trígono nas casas III, VII, e XI], mas a bolsa fora rídicula comparada com anterior, de valor muito mais alto. Urano aplicava quadratura exata ao Sol de Ali, que corria contra o tempo para recuperar o cinturão dos pesos-pesados e expunha perigosamente sua integridade física.

Muhammad Ali só voltaria a recuperar o título mundial em 1974, num dos episódios mais interessantes de sua vida. Já com 32 anos, ele realizou naquele apenas dois confrontos oficiais e nenhuma exibição: uma luta contra Joe Frazier (que não era mais o detentor do título) e outra contra George Foreman, esta valendo o campeonato do mundo, no Zaire.
A luta contra Foreman (aquele do grill) ocorreu em 30.10.1974 em Kinshasa. Chamada de “Rumble in the Jungle”, ela teve como empresário Don King, que no futuro viria a ser o manager do Mike Tyson. King, que de militante da causa negra não tinha nada, possuía uma ampla visão comercial e se aproveitou da montanha de dinheiro oferecida pelo ditador Mobuto para promover a primeira decisão de título dos pesos pesados na África.

Este combate rendeu um grande documentário cinematográfico intitulado “Quando Éramos Reis”, cultuado tanto por cinéfilos como por amantes do boxe. Além da luta ter sido no Zaire e marcado a reconquista do título mundial por Muhammad Ali, o episódio envolveu várias semanas de preparação no país (Foreman contundiu-se e o combate teve de ser adiado por algumas semanas) e mobilizou a imprensa do mundo inteiro. Com o massivo apoio da população local a Ali por sua projeção étnico-religiosa, onde quer que o pugilista passasse ouvia brados de “Ali, bumaye” (Ali, mate-o). Durante a contusão Foreman quase desistiu, quando tudo estava pronto e o mundo tinha os olhos voltados para o Zaire. Uma verdadeira novela, que teve final feliz para Muhammad Ali.
George Foreman [também capricorniano e sete anos mais novo] era imenso e dono de um dos socos mais potentes da história do boxe até então. Até a luta Foreman encontrava-se invicto e com um currículo invejável, que incluía a medalha de ouro olímpica no México (1968). Era apontado como franco favorito.

Muhammad Ali, todavia, fez uso de seu tradicional falatório para promover-se e minar psicologicamente Foreman, que ainda contava com a antipatia dos então zairenses. Com a contusão de Foreman no supercílio, o que atrasou a luta em um mês e quase resultou no seu cancelamento, Ali acusava Foreman de estar com medo e de querer fugir. Foreman permanecia recluso, apenas treinando no ginásio e indo pro hotel, enquanto Ali vivia nas ruas em contato com a população e fazendo seu já tradicional jogo de cena, importunando Foreman sempre que pudesse. Ainda assim, o favoritismo de George Foreman era imenso.

Foi uma das lutas mais violentas que se tem notícia. Ali foi castigado na grande maioria dos rounds, sendo constante imprensado nas cordas e recebendo muitos socos. Foreman, entretanto, não conseguia atingir a cabeça de Ali e nocauteá-lo. Com o decorrer do combate Foreman foi ficando cada vez mais irado e minado psicologicamente, extravasando toda a sua agressividade contra um provocador Ali e, naturalmente, aumentando seu cansaço. No oitavo round Ali já tinha o controle da luta e demonstrava muita autoconfiança. Após uma série de socos no rosto de Foreman, nocauteou-o naquele mesmo assalto levando os zairenses ao delírio. Muhammad Ali era novamente campeão do mundo.

Posto que este é um dos momentos mais gloriosos da carreira de Muhammad Ali, vejamos sua progressão lunar. O Ascendente progredido terminara poucos meses antes uma conjunção com o Nodo Norte natal, o mesmo tendo acontecido com o MC progredido em relação a Júpiter. Aqui seria o caso de indagarmos por uma retificação de seu Ascendente natal para 1º a menos, no que não iremos nos estender.
Mercúrio progredido [dispsitor da casa II] estava em conjunção com a Lua em trígono com Júpiter natais, tendo grande repercussão financeira em sua vida, além de recolocá-lo no olimpo dos grande atletas. Esta é uma configuração revela ainda que Ali estava mais falante e provocador do que nunca e com grande auto-confiança. Não podemos subestimar a capacidade de Ali de minar psicologicamente os adversários e neste longo episódio é certo que ela foi fundamental. A conjunção da Lua com Mercúrio e o trígono com Júpiter indicam ainda o grande apoio e estímulo da população zairense. Vênus progredida terminara recentemente uma oposição a Plutão e Parte da Fortuna natais, indicando a crise no casamento devido ao fato de Ali, durante a longa temporada no Zaire, ter se envolvido com uma repóter, Veronica Proche. Poucos anos depois, o pugilista viria a se divorciar novamente, casando-se com Veronica.

Os trânsitos de 30.10.1974 trazem a Lua conjunta a Marte em Touro, um sinal de vitalidade e forte energia emocional e psicológica. Indiretamente, representa a “força” fornecida pela população local. O dramático combate envolveu um stelium entre Mercúrio, Urano, Marte, Vênus e o Sol, entre os signos de Libra e Escorpião na casa III, mais um indicativo de que o "papagaio" Ali estava com a corda toda. Sol, Vênus e Marte em Escorpião fechavam uma Grande Cruz com o Sol natal, Lua em trânsito e Marte natal, além de Plutão e a Parte da Fortuna natais. Vê-se a ferocidade da luta, que castgou bastante ambos os lutadores por quinze rounds. Mercúrio e Urano aplicavam quadraturas exatas ao Sol de Ali, reiterando o perigo físico a que o pugilista se expôs, tomando vários golpes (afinal, esta havia sido sua tática). Saturno, dispositor do Sol e do stellium em Aquário, encontrava-se exilado em Câncer e iniciando uma oposição ao Sol natal, também assinalando um período de desgaste físico e saúde vulnerável.
Contudo, George Foreman, também Capricorniano, possui Sol em 20º de Capricórnio, com Júpiter no 12º do mesmo signo, e provavelmente sentia ainda mais a oposição de Saturno exilado. Lembre-se de que a pressão sobre ele no Zaire foi enorme, com a antipatia da população local, a contusão sofrida (que adiou a luta e prolongou sua estada numa terra francamente "estranha") e as irritantes provocações de Ali.
Voltando aos trânsitos da luta sobre o mapa de Ali: uma conjunção entre Netuno e o Nodo Norte em Sagitário recebia quadratura de Júpiter em Peixes e aplicava oposição a Júpiter natal, indicando mudanças em sua concepção espiritual da vida.
11. Ali, Astro do Cinema

Um filme sobre a vida de Muhammad Ali, estrelado pelo próprio, foi lançado em 19.05.1977. Além de ser um marco em sua trajetória pessoal, “The Greatest” é importante porque traz a visão de Ali (afinal, ele estrelou o filme) sobre si mesmo naquela fase de sua vida. Ainda campeão mundial, Ali agora quebrava recordes de bilheteria.

No dia do lançamento do filme, o Sol estava em estreita conjunção com Urano natal na casa X. Novamente o pugilista dava mostras de sua trajetória incomum, assumindo o papel de ator de si mesmo, numa empreitada que lhe rendeu muito dinheiro (Sol em Touro trígono exato Netuno natal). Bem ao estilo da conjunção do Sol de Ali sobre Plutão dos EUA, Muhammad Ali dava mostras de intimidade com os grandes recursos da economia norte-americana, além de aumentar ainda mais a sua aura de mito. Apesar de sua atuação oscilar momentos de canastrão com outros de desempenho surpreendente, o filme é bom. Ali passava por mais um retorno de Júpiter que, no dia do lançamento, recebia conjunção da Lua, o que faz jus a um filme hollywoodiano sobre a sua vida, colocando-o nas telas de todo o país. Vênus e Marte, em Áries, formavam trígonos com Saturno em Leão e o Ascendente natal, este último aspecto refletindo a condição de ator (e símbolo sexual).
Urano, prestes a cruzar o FC, sugere a mudança na perspectiva racial e religiosa, indicada por trânsitos a que me referi anteriormente. Elijah Muhammad morrera em 1975 e o grupo Nação do Islã convertera-se em seguida à vertente sunita do Islã, de caráter mais conservador. Ali foi junto. Ali e o grupo tinham agora uma atuação muito mais moderada, o que fica nítido no filme.

Na progressão lunar para o lançamento do filme Lua e Marte estão em conjunção com Saturno-Urano natal. Podemos interpretar a época de lançamento de “The Greatest” como a aproximação definitiva de Ali com o establishment, favorecendo sua integração social e política ao “sistema”, em detrimento da militância aguerrida de outros tempos, representada essencialmente pelo FC em Escorpião, Marte e Plutão no mapa natal. Com a chegada de Marte progredido à conjunção Saturno-Urano, a militância do “personagem” é absorvida definitivamente pelo mainstream, deixando de ser uma ameaça ao sistema para se converter em “fato histórico”. A Lua progredida, que nos meses seguintes faria trígono com Netuno natal na casa II, indica que Ali aumentou consideravelmente a sua conta bancária com o filme.

Tendo se divorciado de Belinda Boyd no ano anterior, Ali viria a se casar com Verônica Proche ainda em 1977.
12. Aposentadoria
Depois de recuperar o título contra George Foreman, Muhammad Ali defendeu o título por dez vezes, vencendo todas as lutas. Ele havia dado uma revanche a Joe Frazier numa luta nas Filipinas e vencido, seu filme havia sido um grande sucesso; Ali tinha 36 anos e era uma lenda viva do esporte. Subiu novamente ao ringue em 15.02.1978, contra Leon Spinks, perdendo no décimo-quinto round. Seis meses depois, numa revanche, recuperou o título, tornando-se o primeiro boxeador a sagrar-se três vezes campeão do mundo.
Mais uma vez Muhammad Ali fazia história no mundo do Boxe. Marte progredido seguia a conjunção a Saturno-Urano na casa X, e desta vez a Lua progredida estava sobre Júpiter natal.

No ano seguinte, 1979, Ali resolveu finalmente aposentar-se, aos 37 anos, mas teve uma recaída e voltou no ano seguinte. Perdeu duas lutas entre 1980-81, retirando-se definitivamente do Boxe. A última vez que Ali subiu ao ringue como profissional foi em 11.12.1981, em Nassau. Um ano antes, tinha atuado novamente em um filme.

Vemos que em sua derradeira luta, Júpiter, Saturno e Plutão aplicavam quadraturas para o Sol natal, como que dizendo que a hora de parar já havia chegado há muito tempo. Muhammad Ali voltara da curta aposentadoria castigando o corpo, mas continuando a ganhar dinheiro.

Percebe-se que mesmo Marte em trígono exato ao Sol e o Grande Trígono natais não era capaz de lhe dar mais forças para vencer seus (cada vez mais jovens) adversários. Afinal, o pugilista tinha 39 anos. Vemos que o Nodo Norte chegava ao fim de um trânsito por sua casa XII, outro indicativo de que ele deveria ter parado muito tempo antes. Mas a conjunção de Marte com Netuno na II, ativando o GT, revela que mais uma vez ele levava para casa um bom dinheiro. Muhammad Ali enfim encerrava a carreira profissional com 56 vitórias (37 nocautes) e cinco derrotas.
13. O Mal de Parkinson

A partir da década de oitenta Muhammad Ali começou a fazer viagens filantrópicas pelo mundo, primeiramente como enviado do governo e depois através de sua própria Fundação. Já em 1982 (no ano seguinte à aposentadoria) começou a sofrer os males de uma síndrome parksoniana, enfim diagnosticada em 1984. Rapidamente a doença afetou seus movimentos, o que resulta diretamente das pancadas que recebeu durante a carreira.

Em 1982, quando os sintomas de sua doença começaram a surgir, a conjunção entre Saturno e Plutão em Libra [27º Libra], na casa III, aplicou quadratura exata ao Sol de Ali na casa VI. Os efeitos de sua longeva carreira vinham em cascata, com as oposições de Saturno e Plutão a Marte natal e as quadraturas com Plutão natal. Com 40 anos recém completos, Ali parecia trinta anos mais velho.
Seguindo o rumo do conservadorismo norte-americano que se seguiu aos conturbados anos 60, Ali permaneceu junto ao establishment deixando para trás a imagem de rebelde e contestador, dedicando-se a sua fundação filantrópica.

Acendeu a pira olímpica na abertura das olimpíadas de Atlanta, em 1996, e foi eleito o “esportista do século pela Sports Illustrated em 1999.

Como pudemos acompanhar, a complexa, vitoriosa e ao mesmo tempo trágica biografia de Muhammad Ali é um perfeito estudo de caso para análises astrológicas que envolvam aspectos da formação e da vida pessoal dos indivíduos com fatos históricos e sociais, unindo num mesmo prisma as astrologias psicológica e mundial.
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