Especial Venezuela (parte I)
De Dimitri em Nov 28, 2007 | EmRelações Internacionais | Comentar »
1. ALIADO ABANDONA O BARCO
2. CHÁVEZ NO ATAQUE
3. UM ECLIPSE NO HORIZONTE
4. CHÁVEZ E ALVARO URIBE
5. REFORMA EDUCACIONAL PARA UMA "ESPARTA" DO SÉC. XXI
6. RECORDE EM "ALÔ PRESIDENTE"
7. AMEAÇA ÀS "OLIGARQUIAS BOLIVIANAS"
8. COMEÇA A CAMPANHA

Hugo Chávez segue sua Revolução Bolivariana criando mais polêmicas dentro e fora da própria Venezuela. No próximo dia 02 de dezembro, mais um dos referendos que vêm legitimando a acelerada transformação do país terá vez. Acompanhe aqui os fatos recentes envolvendo o presidente venezuelano, cuja sorte de seu projeto de poder será decidida em poucos dias.
[Texto completo:]
Ao final da análise sobre a trajetória de Hugo Chávez, publicada em Política & Sociedade em 14.07.2007, concluí:
Num horizonte próximo, a impressão que se tem é que o poder de Hugo Chávez não tem limites. Por outro lado, (...) a rivalidade com a mídia e a divisão interna no apoio e na rejeição ao presidente se mostrará aguda nos próximos meses. Agora, é conferir.
Não deu outra: Chávez propôs modificações radicais na Constituição venezuelana pedindo a reeleição indefinida, o controle do Banco Central e do mercado de capitais, a possibilidade de mudar a estrutura dos estados e regiões podendo nomear administradores paralelos aos governadores e restringir as liberdades democráticas e a normalidade do Judiciário quando lhe convir. Deixou ainda a presidência rotativa da OPEP dando vivas aos altos preços do petróleo, ameaçou intervir militarmente na Bolívia, levou um “cale a boca” do rei da Espanha, enfrentou e combateu a resistência nas ruas, lançou um disco e chegou até mesmo a ser eleito o 5º homem mais sexy de seu país.
1. ALIADO ABANDONA O BARCO

O primeiro episódio de magnitude considerável, que marcará inclusive um novo momento da vida política da Venezuela e da liderança de Hugo Chávez, é a perda do apoio do general Raúl Baduel, um aliado muito próximo, que já discordava abertamente dos rumos que o presidente queria imprimir à Revolução Bolivariana.
Baduel era ministro da Defesa, sendo substituído então pelo também general Gustavo Briceño no dia 18.07.2007. Durante a transmissão do cargo Baduel, que é aliás padrinho de um dos filhos de Chávez, pronunciou um discurso que tornou público um racha na coalizão que sustenta o governo, opondo “radicais” e “pragmáticos”. O general, que havia sido decisivo na vitória de Chávez frente ao golpe que o colocou na prisão em abril de 2002 (ver post 28/6), despediu-se citando Marx, o Evangelho, o papa João Paulo II, além do próprio presidente, abordando especialmente a história soviética.
Para Baduel o socialismo do século XXI “não tem um significado uniforme e homogêneo e implica a necessidade imperiosa e urgente de formalizar um modelo teórico próprio e autóctone que nem existe e nem foi formulado”, gerando portanto incerteza em alguns segmentos sociais. Ele afirmou que concordava em “inventar o socialismo do século XXI”, mas alertava para que isto não fosse buscado “de maneira desordenada e caótica”. Debruçando-se depois sobre a experiência do “socialismo real”, salientou “o inconveniente que seria repetir os erros cometidos nos países do chamado ‘socialismo realmente existente’, entre os quais, a extinta União Soviética”, concluindo que, do ponto de vista político, “o nosso modelo deve ser profundamente democrático”.
“Antes de repartir a riqueza é preciso produzi-la. Não se pode repartir algo que não existe. O modelo socialista deve fazer com que os venezuelanos sejam mais produtivos e deve romper com o mau costume do passado de ensinar ao povo direitos, mas não deveres”.
Para alguns analistas venezuelanos, especialmente os da oposição, Baduel não só expressou o que pensam os generais mas também resumiu os sentimentos dos quadros médios das forças armadas. O fato é que o general Baduel discordava da linha que Hugo Chávez imprimiria dali por diante, propondo o terceiro mandato e a reeleição indefinida, o controle total do sistema financeiro e a redução da jornada de trabalho no país. A partir de então, algumas dissidências começariam a surgir na antes coesa base política que apóia o governo, sem falar no crescimento da polarização dentro da sociedade venezuelana.
Conforme a análise que fiz da trajetória de Hugo Chávez, tenho trabalhado com um mapa 0º Áries para o dia de seu nascimento. Não dispomos também do horário da cerimônia de transmissão de cargo em que Baduel marcou sua posição, por isso usaremos o horário do meio-dia.

Basicamente, os aspectos principais envolvendo Hugo Chávez e a Venezuela no segundo semestre são os trânsitos de Júpiter e Plutão por Sagitário, além da passagem de Urano em Peixes. Acima, vê-se a conjunção de Plutão a Marte natal de Chávez, fazendo crescer significativamente a sua ambição e desejo de mais poder. Júpiter, naquela época, aplicava trígono ao Sol [vontade de acelerar e expandir a concretização de seus interesses] e, naquele dia, o Sol estava em conjunção com Urano do presidente, denotando um episódio que criava uma “situação nova”, “fora dos planos”, e a saída para Chávez foi “mudar” o ministro.
Saturno tomava parte no conjunto de trígonos entre Plutão em Sagitário, Marte e Plutão natais [conjunção com o último] e, se por um lado simbolizava o controle de uma estrutura de poder que vem lhe conferindo praticamente carta-branca para agir dispondo de muita autoridade, representava também, por meio da conjunção com Plutão, o próprio “teto”, “limite do poder”. Um encontro entre Saturno e Plutão requer necessariamente uma percepção dupla do poder [seja ele de qualquer natureza] em que sua consistência e seu emprego dependem consideravelmente de uma compreensão profunda das noções ambivalentes de “excesso” e de “limite”, em que os limites [Saturno] podem “aprofundar a dominação” [Plutão], sem mesmo que haja aumento dos dispositivos concretos que a sustenta, sob pena de, na ambição e pseudo-astúcia não racionalizadas [não absorver as lições de Saturno], provocar a própria ruína [Plutão].

Com isto quero dizer que Hugo Chávez chegou a uma condição tal no comando da Venezuela e colocou em jogo cartadas tão arriscadas [trânsitos de Fogo] que o presidente e seu país entraram num caminho sem volta que, seja qual for o resultado do referendo a ser realizado no próximo final de semana, deixará marcas profundas. A oposição entre Saturno em Virgem e Urano, que começa a se formar agora mas terá magnitude real em 2008, será uma verdadeira prova para a Venezuela. Tenha-se ou não a Reforma Constitucional, o país está dividido.

A polarização da sociedade em torno do amor e do ódio ao líder bolivariano gira em torno de outro aspecto substancial, a oposição de Urano e Vênus natal. Este é um trânsito que também permeia o segundo semestre de 2007, e está vinculado ainda a uma série de eventos diplomáticos.
A Lua caprichosamente tomava parte no cisma que envolvia justamente o padrinho de um de seus filhos e aliado maior na pior crise de seu governo, e ficava criada assim uma dissidência de grande vulto. Talvez os aspectos “benéficos” de Marte em Touro garantissem, naquele instante, o “domínio da situação”, mas a verdade é que com o trânsito de Marte em Gêmeos e a formação de uma Quadratura T com Urano e Vênus natal, a polarização na sociedade e a dissidência marcariam maior presença.
2. CHÁVEZ NO ATAQUE

No dia 11.08.2007 Hugo Chávez afirmou que os preços internacionais do barril de petróleo caminhariam para o patamar de US$ 100,00, ameaçando cortar a oferta da commodity aos EUA se fossem novamente atacados, em alusão à tentativa de golpe que sofrera em 2002, um epsisódio que faz questão de não esquecer.
Quatro dias depois, o presidente venezuelano apresentou o projeto de Reforma Constitucional que viria a ser o assunto do ano não apenas no país, mas na própria América do Sul, ganhando os noticiários internacionais.
Tendo como foco principal o tema da “reeleição contínua” que permitiria que continuasse no poder, já que sua intenção é governar até 2027, Hugo Chávez agregou a seu projeto de reforma o aumento dos mandatos presidenciais de seis para sete anos, o aumento dos poderes de expropriação do Estado, a redução da jornada de trabalho para seis horas diárias, a proibição de monopólios, a criação de cooperativas de propriedade comunitária, o fim da autonomia do Banco Central (que permitiria controlar o câmbio, as reservas monetárias e o mercado de capitais), o poder para desmembrar estados e transformar a Força Armada Bolivariana em “um corpo essencialmente popular e antiimperialista”.

Disposto a dar prosseguimento a sua Revolução Bolivariana, Chávez afirmou ainda esperar “nunca mais pegar em armas” e por isso pediu paciência aos seus seguidores para “continuar com a Revolução”.
“‘Me acusam de querer me eternizar no poder, concentrar os poderes, mas sabemos que não é assim. Os que se eternizaram no poder foram os oligarcas. Sempre foi a oligarquia venezuelana a que teve o poder na Venezuela e isso tem de mudar. O poder é do povo, não dos oligarcas’ – afirmou Chávez, que chegou ontem (15/08) às 20h (horário de Brasília) à Assembléia Nacional e, como de costume, pronunciou um discurso que se estendeu por várias horas (O Globo, 16.08.2007)”.
Quando assumiu o poder em 1999, Hugo Chávez realizou quatro consultas populares em seus primeiros 17 meses no poder para reformar a antiga Constituição da Venezuela. Para ele, os motores de sua revolução serão, entre outros aspectos, “a nova geometria do poder, a explosão do poder comunal e a Jornada Moral e Luzes (um programa de educação dos valores socialistas). Está se aproximando uma grande batalha, durante a qual será desmontado um conjunto de artimanhas e falsidades que têm sido construídas por jornais e canais de televisão”. De fato, não é novidade alguma que os meios de comunicação são os seus maiores inimigos.

O momento do lançamento da Reforma Constitucional por Chávez é revelador: um stellium entre o Sol, Mercúrio, Vênus e Saturno paira sobre Plutão natal, formando trígonos com Marte do presidente venezuelano, que por sua vez vem recebendo a conjunção de Plutão. Os aspectos substanciais pelos quais Marte e Plutão radicais de Hugo Chávez têm se submetido foram, como vimos na análise de sua trajetória aqui neste blog, a base para a certeza de que sua atuação nos cenários local e global seria cada vez mais ambiciosa, radicalizando a sua revolução e o seu projeto de poder, principalmente no final de 2007 (agora), quando temos no Céu uma conjunção entre Júpiter e Plutão em Sagitário, envolvendo o Marte do líder bolivariano. De fato, Chávez nunca teve tanto poder na vida. E ele quer ainda mais.
O MC do anúncio de seu projeto de reforma está em trígono exato com o Sol natal, assim como Júpiter, indicando sua vontade de mais poder, que se tornava explícita naquele instante. Urano, em oposição exata a Vênus natal indicava, contudo, que a sua iniciativa receberia forte contestação de setores contrários e, assim, dividindo o país entre aqueles que o amam e aqueles que o execram, radicalizando as opiniões a seu respeito. A oposição do Ascendente da reforma ao stellium em Leão da mesma também sugere um quadro polarizado. Marte, em sextil exato com o Sol de Chávez, marca o início de uma jornada aguerrida na a qual ele se sentia fortalecido para levar adiante, ainda que ela criasse um espectro de instabilidade ao redor [Marte em oposição exata ao MC e também a Júpiter].

Vejamos agora o mapa da Venezuela, cujos dados são motivo de controvérsia. A carta que aqui utilizaremos vem sendo analisada por mim há alguns meses e me foi passada pelo astrólogo Adolfo Gerez. Ela marca a assinatura da declaração de independência da Venezuela.

Vê-se o Sol em Câncer, com Ascendente Gêmeos e Lua em Sagitário. O país está diretamente ligado à história da independência de boa parte das nações sul-americanas, já que a antiga Capitania-Geral da Venezuela foi o berço de Simon Bolívar, o Libertador, nascido em Caracas. A própria complexidade de sua independência mistura-se ao processo de independência das nações vizinhas porque a intenção de Bolívar era unir as várias colônias espanholas na América do Sul em um só país, no que fracassou. Esta dicotomia pode ser observada pelo viés sugerido pelo Ascendente Gêmeos, a conjunção Mercúrio-Vênus-Júpiter na casa I [Gêmeos] e a Lua [dispositor do Sol] junto à Parte da Fortuna em Sagitário na casa VII. Saturno também está nesta casa. Mercúrio é o regente do mapa.

O fracasso da união das colônias espanholas também pode ser verificado na carta da Venezuela. A Grande Cruz angular entre Ascendente-Mercúrio-Vênus-Júpiter em Gêmeos, Nodo Sul em Virgem [casa IV], Saturno em Sagitário [casa VII] e Plutão-Nodo Sul [casa X], revela as tensões inerentes ao sonho de Bolívar, que ruiu por causa das oligarquias regionais que não abriram mão de seu poder em prol do objetivo maior da unidade. Assim, temos Plutão-Nodo Sul na casa X apontando para a idéia (original e não-consumada) de um governo centralizado para os países da América do Sul, no que resultou a independência de países separados e desmembrados, confinando a Venezuela basicamente aos limites originais da antiga capitania [Nodo Norte na casa IV].
O Sol encontra-se na cúspide da casa II [recursos naturais e econômicos], num Grande Trígono com Urano e Plutão, aspectos que fazem jus à privilegiada condição de nação detentora de grande biodiversidade e enormes reservas petrolíferas, razão de sua destacada posição estratégica ao longo do século XX, que se intensificou recentemente com a ascensão de Hugo Chávez e a reviravolta que ela causou no cenário geopolítico com sua Revolução Bolivariana, visando instaurar o “socialismo do século XXI”.

Quando analisamos o anúncio do projeto da Reforma Constitucional tendo a carta venezuelana por base, vemos Urano em conjunção com Plutão-Nodo Sul na casa X. O trânsito marca não apenas a tentativa de mudar completamente as regras do jogo político no país, mas também a intenção cada vez mais explícita de Hugo Chávez envolver-se na política dos países vizinhos, como no caso da Bolívia, do Equador, das eleições peruanas no ano passado, nas eleições argentinas (o caso da mala de dólares) e na mediação da libertação dos seqüestrados políticos colombianos.

A oposição entre Marte e Júpiter-MC da divulgação do projeto de reforma incide justamente sobre Netuno da Venezuela [co-regente do MC], sendo que Júpiter é o outro dos regentes do MC venezuelano. Naquele momento surgia, pois, uma proposta com a intenção, realmente, de colocar a vida política da Venezuela em outras bases.

O ano de 2007 torna-se emblemático e decisivo para o futuro da Venezuela porque Plutão aplica conjunção à Lua [dispositor do Sol]. Não apenas os destinos do país estão em jogo em circunstâncias bastante tensas, mas a própria unidade de seu povo [Lua] tendo em vista a polarização cada vez mais radical existente no país. Como a Lua está na casa VII, não à toa percebe-se que toda a América do Sul está envolvida com os rumos e o destino da barca venezuelana.

O stellium em Leão da proposta recai sobre a casa III da Venezuela, dando caráter decisivo aos meios de comunicação e propaganda, e também aos movimentos estudantis, agora que a Venezuela decidirá sobre seu próprio futuro. O fato do stellium ser leonino e contar com Saturno indica o controle cada vez maior exercido por Chávez na liberdade da mídia, fazendo uso, aliás, de subterfúgios violentos [Marte, dispositor da casa XI venzuelana, na casa XII].

Conforme apontei acima, Hugo Chávez e a Venezuela partiam, no instante do anúncio do projeto da Reforma Constitucional, para um caminho sem volta. A proposta de radicalização da Revolução Bolivariana conduziria a uma via que inevitavelmente selaria a sorte de ambos. Atenhamo-nos, agora, à sinergia entre o presidente venezuelano e seu país.

Como já tivemos a oportunidade de observar na ocasião em que o mapa de Hugo Chávez foi abordado anteriormente, o Sol em Leão [e ainda, Plutão] somado ao seu stellium em Câncer produziu uma retórica nacionalista que bebe da fonte mítica de Simon Bolívar -ele mesmo um leonino- para forjar o ideal de “libertação” da Venezuela (e por extensão, da América do Sul), atualizando-o para o seu projeto de socialismo do século XXI. No stellium encontram-se a Lua [domiciliada], Mercúrio, Júpiter, Nodo Sul e Urano, denotando uma verve abusada e provocadora que invoca um passado “glorioso” e estabelece para si uma linhagem junto ao próprio Bolívar e que, pela conjunção ao Sol da Venezuela [a exceção de Urano], toca fundo na nação e toma parte no Grande Trígono conformado por Urano, Plutão e o MC do país. Isso dá a Chávez um apelo absurdo junto à população, ainda mais porque Vênus de Chávez está em conjunção ao Nodo Norte e participa, através de sextilhas com Urano e o stellium em Câncer, do Grande Trígono da Venezuela.

Plutão reforça a tese do poder discursivo do presidente venezuelano, caindo na casa III do país e aplicando trígonos à Lua e a Saturno na casa VII, dinamizando o alcance de suas idéias e atingindo em cheio ao povo [Lua] e ao “sistema” de modo geral [Saturno], amplificando-se em direção aos vizinhos e demais países [casa VII]. É bom lembrar que seus programas dominicais no rádio e na TV costumam ter ampla audiência, onde importantes mensagens são dirigidas à nação através de jornadas longuíssimas. São pronunciamentos contundentes que tocam ainda mais diretamente a Venezuela por Plutão estabelecer sextilhas com a conjunção Mercúrio-Júpiter [com Mercúrio o aspecto é exato] e uma quadratura com Marte.
Já Marte de Hugo Chávez cai entre a Lua e Saturno do país, potencializando ainda mais sua influência sobre a “massa” e o “sistema local” [que gostam do seu estilo combativo] e atribuindo poder ainda maior de incidir -favoravelmente ou não- sobre as tradicionais alianças, o convívio com os vizinhos e as demais associações nas quais a Venezuela toma parte, como a OPEP, ou ainda em relação às antigas multinacionais petrolíferas que atuaram em parceria com o país por décadas. Levando-se em conta que Marte de Chávez estará implicado na conjunção entre Júpiter e Plutão em Sagitário sobre a Lua venezuelana [com a participação de Plutão do presidente através de um trígono], o horizonte imediato do país ganha contornos épicos e dramáticos, como a análise dos trânsitos de Chávez apontava meses atrás, antes da divulgação do projeto de reforma.

Hugo Chávez tem ainda Urano em trígono exato com Marte da Venezuela, “injetando adrenalina” na vida do país e impelindo-o a guinadas revolucionárias, e alterando a dinâmica do mundo da economia [Urano na casa II venezuelana] e do trabalho [atingindo Marte na casa VI]. Por outro lado, este ano a Venezuela foi o 4º maior comprador de armamentos do mundo, colocando em estado de alerta os exércitos vizinhos.

Finalmente temos Saturno e Netuno de Chávez sobre a casa V venezuelana, conferindo mística, messianismo e magnetismo, além de controle e apego aos destinos do país. Saturno estabelece um trígono com o MC e Netuno trígonos com Mercúrio [exato] e Júpiter, além de sextilha para o Saturno venezuelano. Saturno de Chávez aplica ainda sextilha à Lua.
Uma semana depois, em 21.08.2007, a Assembléia Nacional da Venezuela aprovou por unanimidade a proposta chavista de Reforma Constitucional, em primeira instância. Nenhuma surpresa, já que a oposição boicotou as eleições legislativas de 2005, permitindo a Hugo Chávez o controle de praticamente 100% do Congresso. A disposição demonstrada pelos parlamentares em manter a proposta das alterações constitucionais em bloco, sem dividir os temas em diversos referendos populares, provocou reações no país, já que, afinal, 33 dos 350 artigos originais da Constituição Bolivariana de 1999 seriam mudados. É que, colocadas em bloco, temas como a reeleição, a criação das comunas e a redução da jornada de trabalho se encontrariam misturadas, favorecendo a aprovação total pela população.

No mesmo dia, latas de atum com as fotos de Chávez e do candidato derrotado que ele apoiara nas eleições peruanas de 2006, Olanta Humala (num episódio que lhe rendeu críticas de ingerência sobre a sucessão no Peru), foram distribuídas às vítimas do forte terremoto que este ano castigou a sociedade civil e a infra-estrutura local. Acusado de “culto à personalidade” e de “tripudiar sobre a desgraça alheia”, sua atitude foi duramente repreendida por jornais sul-americanos, acirrando ainda mais a rivalidade entre o presidente venezuelano e os meios de comunicação do continente –estes, solidários com seus pares venezuelanos, cada vez mais restringidos.

Ainda que não disponha do horário exato da aprovação da Reforma Constitucional em primeira instância, no mapa tirado para o meio-dia (é provável que o “sim” do Congresso tenha sido dado à tarde ou à noite) vemos a Lua em conjunção com Júpiter e ambos aplicando trígonos ao Sol de Chávez. Mais uma vez, chegamos à conclusão de que os trânsitos envolvendo signos de Fogo são altamente favoráveis ao líder bolivariano. Urano, por sua vez, estabelecia uma oposição incrivelmente precisa a Vênus do presidente, dando a crer que no desenrolar do processo de reforma sua popularidade e rejeição gerariam polarizações cada vez mais intensas.

No dia 21 de agosto, Lua e Júpiter estavam sobre o co-regente do MC venezuelano, Netuno, sugerindo a possibilidade de expansão dos poderes atribuídos a Executivo. Marte, porém, indicava a forte resistência de setores da sociedade ao projeto, sendo que ele é o dispositor da casa XI [meios de comunicação; sociedade civil].

O programa "Alô Presidente", que vai ao ar sempre às 11:00h da manhã de domingo, trazia naquele dia Marte na casa III [mobilização para a argumentação e o debate] fechando uma Quadratura T com a oposição Urano-Vênus natal [crescimento da polarização em torno de sua pessoa]. Mercúrio, aplicando conjunção a Vênus, demonstra a iniciativa de Hugo Chávez em partir para a defesa de suas intenções políticas e de sua reforma [ou seja, de sua popularidade], diante de um quadro cada vez mais antagônico.
“Mais uma vez, esmagaremos a oposição no referendo, porque ela será pulverizada novamente. Depois de aprovar a reforma, proponho que o livro da Constituição deixe de ser azul e passe a ser vermelho, vermelhinho. Algumas pessoas falam [que o referendo deveria ocorrer] em dois anos. Bom, essa é uma possibilidade, mas nós queremos fazê-lo rápido. Se eu entregar o pincel a outra pessoa, talvez ela comece a usar outras cores porque tem outra visão (...). A Europa é a rainha do cinismo. Estão armando uma confusão porque estamos propondo algo [a permanência no poder] que na Europa existe há séculos. Eles têm reis e rainhas que ninguém escolhe e que se perpetuam [no poder] por seu caráter hereditário”.
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