A Argentina e sua Lua Cheia
De Dimitri em Jul 19, 2008 | EmRelações Internacionais | 3 feedbacks »

Tendo tornado-se independente com uma oposição entre o Sol em Câncer e Lua em Capricórnio, a Argentina enfrentou seu maior dilema político e econômico de 2008 na madrugada da última quinta-feira, também com o Sol no Caranguejo e a Lua na Cabra.
[Texto completo:]
Tudo começou no dia 11 de março, quando Cristina Kirchner aprovou um decreto elevando a taxa de exportação de grãos de 35% para 40%. Seu marido, Néstor, já havia subido o valor do imposto de 27,5% para 35% em dezembro do ano passado [com a conjunção Júpiter-Plutão em Sagitário], poucos dias antes de transmitir o cargo para a esposa. Em 2002, antes da chegada do casal ao poder, a taxa era de apenas 15%. O país é o 3º maior exportador de grãos e vende 95% de sua produção de soja para outras nações. O cereal e seus derivados representam mais de um terço das exportações da Argentina.

A oposição entre a Lua em Capricórnio e a conjunção Sol-Vênus em Câncer revela o drama político da Argentina, um país onde o consenso raramente ocorre, refletindo-se desde a dificuldade inicial em reunir as Províncias Unidas do Rio da Prata até a rivalidade -muitas vezes destrutiva- entre peronistas e radicais, há mais de meio século. Vênus é o regente do mapa e, a Lua, dispositor do Sol, Vênus e Mercúrio. Detentora de um movimento sindical historicamente participante e combativo, o país tende à polarização. Não à toa, uma das palavras mais presentes nas análises históricas e contemporâneas sobre a Argentina é “concertação”.

O decreto de 11 de março dividiu a Argentina. Com a passagem de Júpiter pela Lua argentina, iniciava-se mais um período de polarização, desta vez envolvendo o campo [casa IV]. A oposição de Júpiter a Sol-Vênus do país sinalizava a possibilidade de uma fase difícil para o governo. Marte, em Câncer, começava um trânsito sobre Sol-Vênus-Mercúrio, insinuando um momento agitado e conflituoso. A partir de então, o governo quis resolver as coisas na marra, desprezando cinco oportunidades de acordo com o setor rural.

Ainda em relação ao decreto de 11 de março, vemos a conjunção entre Sol e Urano em Peixes [esta, aliás, também relacionada aos distúrbios no Tibet] sobre Plutão, revelando a possibilidade de reviravoltas no poder [Plutão] e na agricultura [casa VI]. Netuno, por sua vez, aplica conjunção exata a Saturno, na casa V, sugerindo uma fase confusa da vida argentina. Este trânsito também está ligado ao fato do país ter sido recentemente enquadrado como o maior consumidor de cocaína da América Latina.
É importante lembrar que Saturno encontra-se atualmente em Virgem, dando destaque a movimentos sindicais e classistas, como no caso dos trabalhadores agrícolas locais. Em maio, Júpiter iniciou movimento retrógrado aparente, partindo para nova conjunção com a Lua argentina. Enquanto isso, a polarização crescia, ainda que se acreditasse nas chances de um acordo.

Na madrugada da última quinta-feira, a medida foi votada no Senado, em um embate decisivo para as pretensões políticas do casal K. Com um empate de 36 votos a favor e 36 contra, o resultado parcial mostrou o quanto a Argentina estava, de fato, dividida. O voto de Minerva coube ao vice-presidente –que também é presidente do Senado-, curiosamente um ex-membro do partido rival dos peronistas, a União Cívica Radical, expulso ao formar a aliança eleitoral com os Kirchner. E o voto foi... contra!
Na noite considerada pelos analistas como sendo a da maior derrota política do casal K, a Lua estava em conjunção com Júpiter, ativando a Lua argentina. A voz do campo e o barulho das panelas venceram a intransigência do governo, com o inusitado confronto entre a presidente e seu vice. Os dois, aliás, já não se falavam há semanas.

É importante ressaltar que o veto do Senado ao decreto se deu com o início do afastamento entre Marte e Saturno em Virgem. A taxa prejudicava as exportações num momento de crescente demanda mundial por alimentos e era chamada de “retenciones”. Urano, mais próximo de Plutão, representa a reviravolta no poder. Em poucos meses, segundo analistas, o enorme poderio dos Kirchner virou pó. Cristina tem apenas 20% de apoio da população e ainda 3 anos e meio de mandato por cumprir. Netuno segue em conjunção exata a Saturno. O Nodo Sul, em conjunção com Marte, sugere que não era hora de decidir as coisas pela força. Deu no que deu, com direito a Ceres no MC argentino. Em março, o astro estava na casa VII.
3 comentários
Excelente analise. Eu fiquei interessado pela interpretação do transito do asteroide Ceres pelo MC.
Voçé que acha?
Abraço
Ceres é importante em temas relacionados à agricultura. Veja, nossos países (Brasil e Argentina), percebidos e considerados como "celeiros do mundo", têm o asteróide no Ascendente (no caso argentino, conjunção de orbe 8º).
Quando Cristina criou o decreto, Ceres estava na casa VII, o que pode ser interpretado como disputas e debates quanto aos rumos da produção agrícola. E, quando Cobos deu o voto de Minerva, Ceres estava no MC, sugerindo a hora da decisão para a polêmica iniciada em março. Os agricultores venceram (Ceres no MC).
Abraço e apareça sempre! Nos vemos em Porto Alegre!
Vou procurar a Ceres mais de perto.
Sí, nos vemos em Porto Alegre si Deus quizer, un abrazo.
Deixe seu comentário
| « Rede Globo: incêndio no Projac | Irã desafia o Ocidente » |
Um espaço para discutir as grandes questões do Brasil e do mundo com as técnicas da Astrologia Coletiva. Quem pilota o blog é o astrólogo e antropólogo Dimitri Camiloto, do Rio de Janeiro.